Por Telma Elorza
“Há 10 meses, fiz um empréstimo de uma quantia considerável para uma amiga que estava com um problema sério. Ela me prometeu pagar em dois meses, mas até agora não vi a cor do dinheiro. Tentei cobrar várias vezes, mas ela simplesmente me bloqueou de tudo. Agora quem está em um situação difícil sou eu e esse dinheiro me ajudaria muito. Será que vou precisar entrar na justiça para reaver?
Ai, amiga, que furada. Você nunca ouviu aquele ditado “amigos, amigos, negócios à parte”? Pois é, essa história é uma velha conhecida de muitas pessoas, que já cairam nessa situação. Infelizmente, fazerm empréstimo de dinheiro para um amigo ou uma pessoa próxima, como parentes, é um risco enorme de dar adeus a duas coisas: ao dinheiro e à amizade.
E vou lhe contar um segredo: poucos, pouquíssimos mesmo escapam de enfrentar uma situação dessas. Você, com toda boa vontade, estende à mão para ajudar alguém que considera amiga verdadeira, confia na palavra dela e, na hora de receber, é um drama. A decepção não é só com o dinheiro que foi embora e, talvez, nunca mais veja. Mas também com a amizade “verdadeira” daquela pessoa, que não teve reciprocidade com o amor e respeito que você ofereceu. Porque, vamos ser sinceras, quando a gente empresta uma grana para alguém querido, não é só uma transação, é um gesto de confiança. E quando essa confiança é traída, machuca muito.
Bom, nessa altura, a decepção deve ter ficado para trás, né? Então é hora de começar a pensar em como recuperar esse dinheiro.
Primeiro de tudo, você tem provas do empréstimo? Prints de conversa, onde ela pede o dinheiro emprestado e combina prazos de pagamentos, comprovantes de transferência, áudios, tudo que comprove que houve a transação. Mas calma, não é só printar e pronto. É preciso comprovar que as conversas registradas são cópias fiéis e verdadeiras das conversas originais do aplicativo de mensagens e que não foram alterados de alguma forma. Você pode ir ao um cartório, onde o tabelião vai acessar o aplicativo e elaborar uma Ata Notarial, que é um documento com o testemunho do profissional, com a descrição do conteúdo visto e ouvido por ele, além das telas capturas. Assim, você documenta legalmente seu empréstimo.
Com isso feito e validado, você pode entrar na Justiça contra sua “amiga”. Se o valor emprestado foi de até 20 salários mínimos (em 2025, isso gira em torno de R$ 30 mil), você pode entrar no Juizado Especial Cível (também chamado de Vara de Pequenas Causas). Neste, não é necessário nem advogado para entrada no processo. Mas, eu particularmente, aconselho a ter o acompanhamento de um sim. A Justiça tem uns meandros, umas regras, que nós, leigos, podemos deixar passar por desconhecimento e isso pode prejudicar você.
Se o valor do empréstimo foi maior que os 20 salários mínimos, aí não vai ter jeito. É preciso contratar um advogado especializado em causas cíveis e entrar na Justiça comum. É demorado e pode ser um pouco caro, mas, se sua situação for realmente séria, pode tentar a Defensoria Pública. O processo é mais formal, mas aquela documentação que você reuniu vai ser importante.
Recuperar o empréstimo na conversa? Até vale, mas…
Se você ainda tiver algum canal de contato com ela, pode até tentar mais uma vez. Diga que entende que imprevistos acontecem, mas quem agora está no aperto é você. Pode ser que ela se sensibilize. Mas, se ela ainda assim se recusar a pagar o empréstimo, avise que vai entrar na Justiça contra ela, mas não entre em detalhes, principalmente sobre a documentação reunida para mostrar que houve o empréstimo e a inadimplência. Quem sabe assim, ela tente um acordo para escapar do processo, né? A esperança é a última que morre.
Agora, o que você precisa saber é como evitar que coisas assim aconteçam novamente. Sim, a gente aprende com os tombos. E pode ter certeza que novos pedidos de empréstimo vão aparecer no seu caminho, feitos por gente em que você confia e gosta.
O ideal é que, se acontecer e você quiser ajudar, formalize qualquer empréstimo: seja por um contrato simples, escrito à mão e assinado, ou mesmo por e-mail. PORÉM evite emprestar quantias altas. A probabilidade de não ser pago total ou parcialmente é alta. Já levou o tombo uma vez. Quer repeti-lo? Acho que não. Mesmo que a pessoa seja seu irmão, irmã ou primo de primeiro grau, negue sem dó. Ou então, se for uma dessas pessoas e você quer realmente ajudar, já dê logo, desde o início, o dinheiro (se puder e não for fazer falta, claro) e esqueça.
Espero ter ajudado.
Tem dúvidas sobre relacionamentos? Mande um e-mail para telma@olondrinense.com.br

Quem é a Tia Telma
Telma Elorza é jornalista, divorciada e adora dar pitaco na vida dos outros. Mas sempre com autorização.
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