Por Marcelo Minka
O novo Superman pousou entre os londrinenses. James Gunn (Guardiões da Galáxia Vol. 2, 2017) assume a direção com algo mais perigoso que ambição: intenção. Este é o primeiro filme do novo DCU, o “Capítulo Um: Deuses e Monstros”, e sua proposta não é apenas reconstruir, mas questionar o que sobrou.
David Corenswet (Pearl, 2022), no papel-título, equilibra carisma e melancolia, retratando um Clark Kent dividido entre a calma do Kansas e o peso metafórico de salvar um planeta inteiro. Rachel Brosnahan (The Marvelous Mrs. Maisel, 2017–2023) interpreta uma Lois Lane vibrante e aguerrida, menos musa e mais vértice moral do filme. Nathan Fillion (Castle, 2009–2016) surge como Guy Gardner com um tom provocativo que insinua a expansão de um universo ainda por explorar.
A recepção ao filme tem sido amplamente positiva, tanto entre críticos quanto entre espectadores. Nas primeiras 48 horas após a estreia, Superman (2025) acumulou uma aprovação de 92% no Rotten Tomatoes, com destaque para a atuação contida de Corenswet e a abordagem emocional de Gunn, considerada por muitos como a mais humana já dedicada ao herói.
Críticos elogiaram especialmente a fusão entre o épico e o íntimo, chamando o filme de “redefinição necessária” (Variety) e “o primeiro passo coeso de um universo que enfim aprende com seus tropeços” (The Guardian). Nas redes sociais, o público reagiu com entusiasmo, destacando o equilíbrio entre nostalgia e renovação, e o fato de que, pela primeira vez em anos, Superman parece de novo ter um coração.
Superman com grandiosidade e melancolia

Há grandiosidade: sequências aéreas cortantes, batalhas com impacto sísmico e trilha sonora que tenta nos emocionar. Mas o que impressiona mesmo são os silêncios. Os melhores momentos são quando Clark observa a fazenda dos Kent como quem nunca se sentiu parte de nada — um herói que salva a todos, menos a si mesmo. A melancolia reverbera, principalmente com o cameo de Will Reeve (filho de Christopher Reeve, Superman, 1978), como repórter da ABC News. É uma presença breve, mas carrega gerações de mitologia e saudade.
A narrativa tropeça no segundo ato, que acelera demais após uma primeira metade introspectiva e densa. Ainda assim, o luto, a escolha e o pertencimento se mantêm como âncoras emocionais. Gunn, com seu instinto de equilibrar o épico com o humano, entende que o símbolo no peito não é só uma letra estilizada — é uma interrogação sobre fé, dever e identidade.
Superman chega a Londrina como espelho e possibilidade. Um blockbuster de inverno que não quer apenas nos entreter, mas nos confrontar. Talvez, no fim, o superpoder mais relevante de 2025 seja este: duvidar, mas continuar tentando.
Marcelo Minka

Graduado em licenciatura em Artes Visuais, especialista em Mídias Interativas e mestre em Comunicação com concentração em Comunicação Visual. Atua como docente em disciplinas de Artes Visuais, Semiótica Visual, Antropologia Visual e Estética Visual. Cinéfilo nas horas vagas. Me siga no Instagram: @marcelo_minka e @m_minka_jewelry
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