Bana Pane: os pães com sabores especiais (e maravilhosos)

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Casal transformou um hobby em um negócio incrível, com pães de fermentação natural e muita criatividade nos sabores

Telma Elorza

O LONDRINE̅NSE

Imagine a situação: um apaixonado por cafés especiais querendo saborear um pãozinho enquanto degusta sua xícara de café. Simples, né? Mas e se o sabor dos pães não estiver à altura do seu café especial? O que você faria? Pois o advogado Luiz Fernando Bana resolveu fazer seu próprio pão. Ele queria um pão mais saudável e com muito sabor, assim como seus amados cafés.

O primeiro tipo de pão com fermentação natural feito pelo Luiz Fernando Bana
E a variedade que tem hoje

Há quatro anos, ele começou a pesquisar, lembrou das receitas da avó, confeiteira e dona de padaria, e desenvolveu seu próprio fermento natural – de fermentação longa-, com o qual começou a produzir pães para consumo próprio. Tudo nas horas vagas, porque trabalhava como advogado trabalhista. Mas, claro, como toda história de sucesso, os pães – e panetones – do Luiz Fernando, feitos num apartamento de dois quartos, começou a ganhar o mundo. Primeiro com os amigos, depois com encomendas de um amigo que tinha uma cafeteria e, por fim, com encomendas próprias através do Instagram.

O espaço físico da Bana Pane só veio há 2 anos e meio. “A gente não tinha mais espaço no apartamento, com o nosso bebê, e as encomendas só cresciam”, conta Fernanda Carla Henrique Bana, a esposa de Luiz e parceira no trabalho com pães. E, por incrível que pareça, Fernanda é especialista em fermentação (enquanto o marido se aventurava nos pães, estava fazendo um pós-doutorado na área).

A Bana Pane é uma padaria diferente. Ali, os pães são todos - até os folhados- de fermentação natural longa, o que lhe dá mais sabor
Fernanda e Luiz Fernando Bana, com o primeiro tipo de pão que ele fez – Fotos: Telma Elorza

Ela incentivou e ajudou o marido, mas não deu pitaco no fermento natural desenvolvido por Luiz. “Ele quem pesquisou e fez tudo”, conta. O fermento natural – que eles chamam brincando de Hércules, por ser forte – é utilizado em todos os pães que produzem, até nas massas folhadas.

Eu desconheço qualquer outra panificadora ou confeitaria que use exclusivamente esse tipo de fermento. “O mais comum é misturarem com um pouco de fermento biológico, para ajudar no crescimento”, explica a especialista Fernanda.

O sucesso dos pães é tanto que a advocacia, depois de 10 anos na carreira, virou apenas um hobby para Luiz Fernando. Hoje ele é padeiro em tempo integral e a Bana Pane, a principal fonte de renda do casal (sim, Fernanda também abandonou a carreira para ajudar Luiz e cuidar do filho). “Eu via minha avó trabalhando e isso me deixava feliz. Tenho uma irmã confeiteira, também influenciada por ela. Para mim, é muito prazeroso trabalhar com pães”, explica.

Todas as receitas à venda na padaria foram desenvolvidas por ele. “Algumas coisas são inspiradas em receitas de família. Mas como a gente só usa fermentação natural, tive que desenvolvê-las de novo, porque são processos diferentes. Então foi preciso testar tudo, rebalancear, adaptar, fazer tudo do zero, em tentativas e erros até chegar naquilo que eu queria”, conta.

Segundo ele, apenas algumas padarias no mundo todo usam fermentação natural em croissants e massas folhadas, portanto não há muitas referências que pudesse buscar no processo. “Aqui no Brasil, ainda não descobrimos alguém que tenha feito 100% natural como nós fazemos”, diz.

Ao todo, a Bana Pane oferece 10 tipos de pães (ou batimentos, como eles chamam, para explicar o processo de produção: cada batimento representa uma receita diferente), e cada tipo ainda pode ter dois ou três sabores diferentes. Assim, há uma grande variedade de escolha. E, olha, isso dificultou muito o trabalho de escolher o que eu e Ana Paula Barcellos – que foi comigo desta vez – queríamos provar.

Nós fomos cedo, em pleno feriado de Corpus Christi, porque a produção acaba rápido, meu amigo. Então, se quer provar essas delícias, corra e reserve. É muito raro sobrar algo. “Tirando os pães integrais e o italiano, quando sobra alguma coisa da produção do dia, a gente divide com os funcionários. Croissants e outros tipos, não ficam de um dia para outro. É tudo produzido no dia”, afirma Fernanda.

Menos o fermento, que leva de sete a 10 dias para ficar pronto. “Ele requer um cuidado diário. O Luiz começa a fazer no sábado, para assar na quarta”, conta Fernanda. Agora eles têm um outro padeiro para ajudar, já que a produção é grande. Mas o fermento só é trabalhado pelo Luiz.

Os pães especiais da Bana Pane

Para conhecer esses folhados de fermentação natural, escolhemos um croissant tradicional (R$12), embora houvesse opções como o de recheio de chocolate (pain au chocolat) que me deixou tentada, mas queria justamente para provar o sabor e as diferenças que poderia perceber daquele feito com fermento biológico.

Gente, ele desmancha na boca, com um sabor incrível e nem precisou de bebida nenhuma (apesar que tomamos, depois, um café especial do Luiz, também maravilhoso) para torná-lo suave e delicado. Simplesmente o melhor croissant que já comi na vida.

Croissant tradicional feito com fermentação natural: derrete na boca

Além disso, provamos também um outro pão folhado, o Danish (que também pode ser doce), com recheio de queijo, tomate e alecrim (R$16). E estava maravilhoso, crocante e perfeito. Comeria dois tranquilamente, sem nenhuma culpa na consciência. Mas, como queríamos provar outros pães, me contentei com um.

Danish: o sabores podem variar entre doces e salgados, mas a massa é a mesma, espetacular

Aí veio a parte ainda mais difícil: os pães doces. Gente, que dificuldade escolher. Mas, claro, não poderia deixar de lado um dos campeões de vendas, o Cruffin de pistache (R$20). O pistache – que virou o queridinho de 80% da população que gosta de doces – não poderia faltar. Mas, confesso, apesar de adorar pistache desde antes de virar modinha, tenho uma certa resistência a comê-lo hoje em dia, porque são poucos os produtos que conseguem entregar o sabor (e a cor) natural dessa semente maravilhosa, porque o pessoal exagera nos aditivos e corantes.

Assim, escolhi meio com o pé atrás e me surpreendi. O cruffin de pistache da Bana Pane é uma coisa de outro mundo, fenomenal. Porque não vai aditivos. Você come e sente a semente torrada e moída, num creme maravilhoso. “A gente já perdeu venda desse cruffin porque um cliente achou que tinha pouco verde pistache. Ele não acreditou que era feito com pistache verdadeiro”, brinca Fernanda.

O Cruffin de pistache com pistache sem aditivos: delicioso

Provamos também o Supreme (R$24), uma espécie de NY Roll mas recheado com um merengue e calda de maracujá que estava simplesmente divino. O folhado e o creme combinaram super bem, com o dolçur do creme com o azedinho da fruta.

Para encerrar, ainda provamos uma Cornnele de Bourdeaux (R$10), uma espécie de bolinho caramelizado que até lembra um pouquinho nossa queijadinha, mas sem queijo e coco. Um sabor fantástico e diferente que merece ser provado.

Cornnelé de Bourdeaux: delicinha para tomar com café (bom)

Apesar de tudo que comemos, ainda não chegamos nem perto de tantas opções que havia desponíveis. Alguns nem sei o nome, mas todos me pareceram apetitosos e, portanto, vou ser “obrigada” a voltar lá para provar mais alguns. Ainda levei para casa um pão integral que, olha, estava muito bom, fresquinho e saboroso, ao contrário desses que se encontra por aí, que não tem gosto de nada.

O movimento é intenso e a produção limitada, portanto chegue cedo ou encomende com antecedência

A Bana Pane só funciona quatro dias na semana, às quartas, quintas e sextas, das 15h às 18h30, e aos sábados, das 14h às 18h. A produção é limitada e a procura é intensa. Uma coisa que nos deixou encantadas: as embalagens são de sacolas de papel e o pessoal que frequenta o local já se acostumou a levá-las de volta para evitar desperdício e eu, claro, achei ótimo e sustentável.

O local tem apenas uma mesinha, algumas cadeiras avulsas e um banco, então se quiser comer lá (e tomar um café especial, tirado pelo próprio Luiz) também é possível, mas vai ter que disputar um lugarzinho. Mas calma, o casal está com planos de abrir um espaço maior, com mesas para atender quem gosta de saborear seu pão fresquinho com um café ao lado.

A Bana Pane fica na Rua La Paz, 164 e aceita encomendas pelo Whatsapp (43) 99141-4584.

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