Por Marcelo Minka
Na terrinha vermelha, o inverno chegou com o que se espera dele: dias frios, neblinas que surgem do nada e um céu cinza que parece esticar as horas. Enquanto a cidade se recolhe no casaco e o movimento nas ruas diminui, os cinemas oferecem uma opção de escape mais acelerada. “F1 – O Filme” estreia apostando na adrenalina das pistas e no fascínio pelo automobilismo, trazendo para a tela um universo onde o tempo não se arrasta — ele voa a 300 km/h. E de bônus, podemos acompanhar Brad Pitt com cara de vovô e espírito juvenil.
Sob a direção de Joseph Kosinski (Top Gun: Maverick, 2022), a narrativa acompanha Sonny Hayes, interpretado por Brad Pitt (Clube da Luta, 1999), um ex-piloto que retorna ao universo da Fórmula 1 como mentor de Joshua Pearce, vivido por Damson Idris (Snowfall, 2017). É o clássico embate entre o peso da experiência e o brilho da juventude, costurado com o combustível da obsessão pelo desempenho, algo que transcende o mero entretenimento e ressoa como metáfora para a vida em si.
O que diferencia “F1” de outros filmes do gênero não é apenas a trama, que segue uma linha conhecida de redenção e legado, mas o compromisso técnico com o realismo. As sequências foram gravadas em circuitos reais da temporada 2023 e 2024 da Fórmula 1, incluindo Silverstone, com os próprios carros preparados para o filme pela equipe da competição. A presença de Lewis Hamilton (campeão mundial de F1) na produção, garante que o olhar sobre o automobilismo não seja apenas romântico, mas técnico, preciso e, sobretudo, respeitoso.
F1 com barulho de motores e trilha de emoções

A fotografia captura cada respingo de suor, cada vibrar do volante, cada curva feita a 300 km/h com um detalhe que beira o documental. Hans Zimmer (A Origem, 2010), responsável pela trilha sonora, costura o barulho dos motores e o som das emoções com a habitual maestria, transformando o filme em um espetáculo sensorial. Kosinski, que já havia mostrado habilidade em conduzir máquinas voadoras em alta velocidade, agora faz o mesmo com carros, e o resultado é hipnótico.
Mas sob o brilho dos capacetes e o cheiro de gasolina, o filme também questiona: o que resta quando o cronômetro zera e as luzes do pódio se apagam? Hayes, envelhecido, ferido e ainda assim movido pela adrenalina, é um retrato de todos nós, correndo atrás de algo que talvez nunca tenhamos perdido, mas sempre tememos deixar escapar.
“F1 – O Filme” não reinventa o cinema esportivo, mas acelera com precisão entre o espetáculo e a introspecção. No fim, não importa tanto a bandeirada — o que vale é cada curva, cada dúvida, cada segundo vivido no limite.
Marcelo Minka

Graduado em licenciatura em Artes Visuais, especialista em Mídias Interativas e mestre em Comunicação com concentração em Comunicação Visual. Atua como docente em disciplinas de Artes Visuais, Semiótica Visual, Antropologia Visual e Estética Visual. Cinéfilo nas horas vagas. Me siga no Instagram: @marcelo_minka e @m_minka_jewelry
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