Por professor Renato Munhoz
Nesta semana celebramos o Dia Mundial do Meio Ambiente (5 de junho), uma data que, mais do que nos convidar à reflexão, nos provoca ação. E por todo o Brasil, não faltaram exemplos disso. Escolas, movimentos sociais, universidades, comunidades indígenas, igrejas, ONGs e até empresas realizaram ações que colocaram o meio ambiente no centro da conversa. Plantios coletivos, mutirões de limpeza, oficinas de compostagem, feiras de troca solidária e rodas de conversa mostraram que, apesar do cenário de crises ambientais globais, há uma vitalidade que pulsa localmente – e é dessa força que nasce a esperança.
Vivemos, sim, sob a sombra de grandes desafios: o aumento da temperatura global, o avanço do desmatamento na Amazônia e no Cerrado, as enchentes recorrentes que destroem vidas e cidades, e uma cultura de consumo acelerado que insiste em ignorar os limites do planeta. Segundo dados do MapBiomas, o Brasil perdeu mais de 90 milhões de hectares de vegetação nativa desde os anos 1980. E em 2024, o Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas (IPCC) alertou que já estamos perigosamente próximos da marca de 1,5ºC de aumento médio da temperatura – um limite que representa, na prática, o agravamento de eventos extremos como secas, ondas de calor e inundações.
Mas se os dados alarmam, a mobilização renova o fôlego. Há esperança. Ela não vem como milagre, mas como multiplicação de pequenas ações.
Um exemplo luminoso está acontecendo em Londrina, na Escola Social Marista Irmão Acácio. Lá, um grupo de alunos vem se preparando intensamente para a COP 30, que será realizada em Belém do Pará, em 2025. Mas engana-se quem pensa que eles estão apenas estudando o tema. Eles estão se tornando agentes multiplicadores da COP. Isso significa que estão levando para suas casas, ruas e comunidades os debates sobre justiça climática, crise hídrica, biodiversidade e consumo consciente. A escola, longe de ser um espaço isolado, tornou-se um polo irradiador de educação ambiental crítica e transformadora.
Esse movimento local dialoga diretamente com o espírito da próxima COP: territorializar os debates ambientais, ou seja, fazer com que as grandes pautas globais ganhem raízes nas realidades locais. A preparação para a COP 30 já é uma agenda viva em várias cidades do país, conectando saberes tradicionais, juventudes periféricas e escolas comprometidas com o futuro.

O que está em jogo não é só a preservação de florestas distantes, mas a qualidade da água que bebemos, o ar que respiramos e a forma como nos relacionamos com a vida – toda ela. Não podemos continuar a tratar o meio ambiente como se fosse um setor isolado, quando ele é, na verdade, o chão onde tudo acontece: economia, saúde, educação, cultura.
O desafio que enfrentamos é grande: construir um novo modelo de desenvolvimento, mais justo, mais respeitoso com os ciclos da natureza e com os direitos das futuras gerações. Mas esse desafio também é uma oportunidade. A de reinventarmos nossas cidades, nossa maneira de consumir, de produzir, de educar.
Mesmo diante de tanto obscurantismo, negacionismo e medo em relação ao futuro ambiental, a esperança resiste. E ela mora nos gestos simples: na criança que aprende a plantar, na escola que escolhe dialogar com o bairro, no jovem que decide consumir menos, no grupo que coleta óleo usado para transformar em sabão, na feira de produtos orgânicos no pátio da igreja. Pequenos gestos que, juntos, criam uma corrente poderosa de mudança.
Neste Dia Mundial do Meio Ambiente, talvez a grande lição seja essa: não existe ação pequena quando se trata do cuidado com a vida. E como dizia Dom Pedro Casaldáliga, “a esperança não é a última que morre. É a primeira que nasce.”
Professor Renato Munhoz

Educador, historiador, teólogo. Pós graduado em juventude gestão de programas e projetos sociais e educação ambiental.
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