Não gosto de fazer sexo oral

TIATELMA (2)

Por Telma Elorza

“Eu sei que sou jovem, com pouca experiência sexual e isso pode estar interferindo, mas sinceramente, não gosto de fazer sexo oral no meu namorado. Algum conselho para me ajudar?”

Vou pedir uma coisa para vocês, meu leitores, que é importante. Por favor, quando mandarem e-mail com suas dúvidas, me forneça o maior número de possível de detalhes sobre você. Claro que não precisa se nem se identificar, se tem vergonha, mas quanto mais detalhes eu souber da situação que vive, melhor eu posso ajudar.

A leitora está se culpando porque é jovem e quase sem experiências sexuais. Mas jovem quanto? Uma adolescente de 14 a 17 anos? Uma jovem de 20 a 25 anos? Não sei. Ela tentou fazer boquete em outros caras ou o namorado é o primeiro? Não sei. O namorado está sempre com o pau limpo ou é daqueles porcos que, infelizmente, aparecem muito por aí? Não sei.

Veja como esses detalhes podem influir muito na situação e alterar tudo. Então, leitores, por favor, detalhem tudo que puderem no e-mail, ok? Fica mais fácil analisar cada caso.

Mas como não quero deixar a menina sem resposta, vamos pressupor que a leitora esteja na faixa etária entre os 16 e 19 anos, que estaria na média brasileira. E isso não sou eu quem digo. A pesquisa “The Face of Global Sex – First sex: an opportunity of a lifetime (Primeira relação sexual: uma oportunidade para toda a vida)”, realizada em 2007 por uma fabricante de preservativos com 26 mil entrevistados em 26 países, apontou que as brasileiras têm sua primeira experiência sexual por volta dos 17 anos.

Então vamos supor que a leitora tem 17 anos e está fazendo sexo com o namorado que a desvirginou (afe, que palavra). Ou seja, nunca conheceu ou manipulou outro pênis. E acaba que não gosta de fazer oral nele. E isso é perfeitamente normal. “Ah, mas por que, tia Telma, oral é tão bom, boquete é maravilhoso, etc.”? Meu bem, uma pessoa inexperiente não tem a mesma intimidade com um pênis que uma mulher mais vivida. Mal sabe manipulá-lo com cuidado, não tem treino nem na punheta, não tem prática. Vai gostar de por algo quase desconhecido na boca? Eu também não gostava de por aquele troço nem perto da minha boca quando era jovenzinha. A maioria de nós, mulheres, não gostava de chupar pau ao ser iniciada sexualmente. Isso muda quando se pega intimidade, ganha experiência e o conhecimento do poder que um sexo oral bem feito tem. Tô mentindo, meninas?

Então, no caso da leitora, ela está apenas sendo HONESTA consigo mesmo, dentro da sua inexperiência. E mesmo que nunca passe a gostar, isso é ótimo. Sabe por quê? Porque está cheio de meninas que se forçam a fazer o que não gosta só pra agradar parceiro e depois vira uma bola de frustração sexual enrolada num lençol de ressentimento.

Não precisa virar expert em sexo oral para ter uma boa relação

Vamos aos fatos: você não gosta de fazer boquete. Ponto. E não precisa virar uma expert sexual só pra manter o fulano feliz. A gente está vivendo numa era onde parece que TODO MUNDO tem que ser uma mistura de atriz pornô com terapeuta tântrica. Tem mulheres fazendo cursos de quicada, para sentar mais gostoso no cara. Sim, isso é real. Mas a verdade é que se algo não lhe dá prazer, não a excita, não a empolga, por que forçar?

Agora, antes de jogar as esperanças do boy pela janela (ou ele terminar o relacionamento por isso), vamos pensar: a leitora não gosta por quê? É nojo? É falta de intimidade? Ele não se cuida e o ambiente ali embaixo parece uma república de bactérias com cheiro de meia molhada? Bora investigar! Porque, às vezes, o problema não é o sexo oral em si, mas o contexto todo que pode dar gastura.

Se o cara não tem o mínimo de higiene, já digo: FUJA. Não é sua missão limpar cueca suada com amor e ainda sorrir de boca cheia.

Agora, se o problema é falta de conexão, vergonha, pressão ou zero vontade mesmo, está tudo certo também. Mas precisa conversar. Com ELE. Com jeitinho, claro, sem mandar um “amorzinho, tua piroca me dá preguiça”, mas sendo sincera do tipo: “Olha, não estou confortável com isso ainda, preciso entender melhor meus limites”.

Além disso, é preciso lembrar que sexo é via de mão dupla. Se ele curte receber e não se importa se você gosta ou não, já começa errado. E se ele não a satisfaz também, mas cobra o boquete, está na hora de rever esse relacionamento.

E olha, não se sinta “menos mulher”, “menos parceira”, “menos madura” por não curtir essa prática. Você é só uma pessoa que está descobrindo o que gosta e o que não gosta. E isso é maravilhoso para você! O que é não pode é sair por aí fingindo que está tudo incrível, fazendo performance de pornô vintage e por dentro gritando: “me tira daqui, Senhor!”

Agora, se um dia a leitora quiser tentar de novo, por curiosidade MESMO, meu conselho é: vai com calma. Pega um vinhozinho (ou refrigerante), conversa com ele, experimenta no seu tempo, brinca com o pau do seu jeito, manipule, dê umas lambidas (se tiver limpo), deixe a saliva escorrer (o segredo do bom oral é usar muita, mas muita mesmo, saliva). E, pelo seu amor próprio, exija reciprocidade. Se é pra explorar o corpo do outro, que o seu também seja tratado como um templo, não como ponto de apoio.

E se nunca rolar, paciência. O mundo é grande e cheio de gente que não liga pra isso — ou que vai amar e respeitar a leitora do mesmo jeito. Sexo bom é quando os dois estão querendo. O resto é teatro.

Então, o conselho máximo que posso dar é: se não dá tesão, prazer ou curiosidade, não insista por pressão. Seu corpo não é brinde de motel, é território sagrado. E você merece viver a sexualidade com liberdade, respeito e muito prazer real. Sem seguir roteiro de ninguém.

Espero ter ajudado.

Tem dúvidas sobre sexo? Mande sua pergunta para telma@olondrinense.com.br

Quem é Tia Telma?

A jovem experimentou e não gostou de fazer sexo oral no namorado. O que fazer agora?
Tia Telma versão Inteligência Artificial

Jornalista, divorciada, xereta por natureza e que sempre se interessou muito por sexo. Com a vida, aprendeu várias coisas, mas a principal é que sexo é uma coisa natural e deve ser sempre prazeroso.

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