Por Ana Paula Barcellos
O tapete vermelho do Baile da amfAR, em Cannes, no último dia 22 de maio, foi palco de um momento que misturou glamour, arte e, infelizmente, desconforto físico. Com destaque para Marina Ruy Barbosa, que surgiu estonteante com um vestido Balmain que, apesar de ser uma obra-prima, veio com um custo: um ombro roxo causado pelo peso de mais de 15 quilos da peça. Sim, 15 quilos!

A Balmain, sob a direção criativa de Olivier Rousteing, é sinônimo de opulência. Conhecida por seus bordados intrincados, silhuetas estruturadas e um flerte constante com o exagero barroco, a grife francesa entregou para Marina um longo branco e dourado, inspirado nos lustres de cristal do Palácio de Versalhes. O vestido, parte da coleção Pre-Fall 2025, foi customizado exclusivamente para a atriz. Originalmente um tomara que caia, a peça ganhou alças para sustentação — e talvez para dar um toque exclusivo mesmo. Bordado com pedrarias e aplicações brilhantes, o vestido era uma joia ambulante, mas pesava como uma armadura medieval.

Marina, com seus 42 milhões de seguidores no Instagram, chamou a peça de “obra-prima” e agradeceu a Rousteing pela dedicação. E, de fato, o vestido era um espetáculo: a luz refletia em cada cristal, e a silhueta acinturada reforçava a aura de diva. Mas o preço pago por essa estética foi alto. Fotos do evento mostram o ombro esquerdo da atriz visivelmente roxo, com veias saltadas, resultado do peso da peça. Em um vídeo no TikTok, Marina esclareceu: “O vestido pesava mais de 15 kg.” A revelação chocou fãs e reacendeu um debate crucial: até onde a moda deve ir em nome da “beleza”?
Marina e o sofrimento pelo glamour
Não é novidade que a moda, especialmente em eventos como Cannes, é usada como reforço de status social. Como explica o professor Fernando Hage, especialista em moda, “roupas pesadas e desconfortáveis historicamente sinalizam poder e status, remontando à nobreza.” Marina, ao optar por esse vestido, não só brilhou como também marcou sua posição como mulher famosa e ícone fashion. Mas o hematoma no ombro é um lembrete de que o glamour muitas vezes vem com sacrifícios. E isso não é exclusividade dela. Lembremos de Bruna Marquezine, que confessou ter sentido dificuldade para respirar em um vestido no Met Gala 2024, ou de Celine Dion, que revelou no documentário “Eu Sou: Celine Dion” ter machucado os pés com sapatos menores que seu número.
O absurdo, aqui, não é apenas o peso do vestido, mas a normalização de submeter o corpo a extremos por estética. Em um mundo onde a pressão por perfeição é constante, especialmente para mulheres, episódios como esse reforçam mensagens perigosas. Marina, que já falou abertamente sobre saúde mental e autocuidado, parece contradizer seu próprio discurso ao romantizar uma peça que causou dano físico. Com sua influência, a mensagem implícita — de que a beleza justifica o sofrimento — pode impactar jovens que a veem como referência.
A moda deve ser arte, expressão, identidade. Mas não pode custar hematomas ou bem-estar. O vestido de Marina era, sim, deslumbrante, mas o verdadeiro statement seria uma indústria que valorizasse o conforto tanto quanto a estética.
Ana Paula Barcellos

Viciada em botas, sacoleira e brecholenta, trabalha com criação de joias artesanais e pesquisa de tendências. Tem foto da Suzy Menkes na estante e escreve essa coluna usando pijama velho, deitada no sofá enquanto toma café com chocolate. Me siga no Instagram Me siga no Instagram @experienciasdecabide e @yopaulab
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