Restaurante oferece pratos da gastronomia árabe deliciosos que são difíceis de serem encontrados por aí. E o melhor, com preços acessíveis
Telma Elorza
O LONDRINE̅NSE
Eu sou maluca por culinária árabe e isso desde pequena. Como uma tia minha casou com um libanês, cresci praticamente provando os pratos que meus tios difundiram pela família toda. Babaganuche, coalhada seca, charutos (de folha uva e de repolho), quibes, hommus bi tehine, mjadra, cordeiro, kafta, falafel, esfirras e tantos outros pratos fazem parte da minha memória gastronômica. Modéstia à parte, aprendi a fazê-los muito bem, também.
Por causa dessa minha paixão, eu pensava que conhecia praticamente todos os restaurantes de comida árabe da cidade – são poucos, comparados com outros estilos de comida que existem na cidade. Mas não conhecia o Zaphira Gourmet. Aliás, conhecia quando era uma lanchonete na Rua Bélgica, que vendia esfirras e quibes. Mas não o restaurante, que se encontra há sete meses na Rua Paes Leme, 984, esquina com a Mato Grosso. E, logicamente, tratei de ir visitá-lo.

O restaurante é bem simples, sem grandes luxos, mas a qualidade da comida e o sabor dos pratos deixa muitos famosinhos no “chinelo”. E, gente, e o preço é super acessível. Segundo o proprietário Augusto Tachotte, a ideia é desmistificar que a comida árabe é cara, mesmo usando os melhores ingredientes. Augusto e a esposa, Isabel Cristina, são os cozinheiros e “faz-tudo” no restaurante, o que reduz custos. Eles só contam com ajuda de um garçom, nas noites de quarta a sábado, quando oferecem o “banquete árabe”, com bufê livre e rodízio de esfirras e salgados, que funciona na base de reservas, das 19 às 21 horas, e a la carte das 18 às 23 horas. Só oferecem o almoço apenas às terças-feiras, e foi neste dia que fomos provar a comida.


Com um sobrenome como Tachote, Augusto poderia ter seguido a tradição da culinária italiana. Mas ele quis recuperar e valorizar as receitas da tataravó libanesa, do qual herdou apenas 1/32 de sangue libanês. “Eu sempre gostei da cozinha libanesa e quando comecei a cozinhar profissionalmente, fazendo salgados para festas, fui buscar as receitas dela, que tinha as melhores receitas de quibes e esfirras “, afirma. Ele e a esposa abriram a lanchonete na Rua Bélgica e a esfirra da tataravó fez sucesso. “Aí começaram me pedir outros pratos, tipo a coalhada seca para acompanhar. Fizemos e aí começaram as encomendas. O local ficou pequeno”, conta. Nesse meio tempo, Augusto e Isabel continuaram estudando as receitas, fizeram cursos e se aperfeiçoaram na culinária árabe.
Surpresas para uma conhecedora da culinária árabe
Como eu disse lá no começo deste texto, sou grande conhecedora da culinária árabe. Mas os pratos oferecidos no Zaphira me surpreenderam. Além dos tradicionais pratos frios (saladas, tabule, hommus, coalhada seca, quibe cru, babaganuche) e quentes (quibe assado, mjadra, falafel, quibe frito e esfirras), todos deliciosos, o restaurante oferece algumas surpresas que não costumam estar nos cardápios dos restaurantes árabes.
O babaganushe, por exemplo, é feito com beringela defumada, o que dá um sabor todo especial e delicioso ao prato tradicional. Nunca havia provado deste jeito, assim como nunca tinha provado o Muhammara – uma pasta de pimentões vermelhos batidos com nozes – que é simplesmente fantástico. Adorei o Chich Barak ou Shish Barak – cada um escreve de um jeito (uma espécie de ravioli recheado, com molho de leite e coalhada fresca) – que alguns chamam de sopa árabe, delicioso. Aliás, lembro de comer o Chich Barak apenas na minha infância. Outra supresa foi ver (e provar, claro) o Michuí, um prato a base de carne, com muita cebola e pimentões. Também não se encontra facilmente por aí.



Mais dois detalhes simples que me chamaram a atenção: o quibe cru é feito da forma tradicional – não com tanta carne moída, que o deixa muito avermelhado como se vê nos restaurantes. A verdadeira receita de quibe cru, feita nas casas dos libaneses, mantém um equilíbrio entre a proporção de trigo e a carne usada. Pelo menos, foi como meu tio me ensinou. Outro foi ver que o tabule é feito com muuuuita salsinha e hortelã, o que lhe dá mais fresco e gostosura ainda. Essa também é a forma tradicional das receitas da minha família.

Além disso tudo, ainda veio um prato com o Cordeiro do Dia, que, nesta última terça-feira, foi um filé mingnon de cordeiro com batatas rústicas assadas e salteadas na manteiga e um molho de hortelã. Maravilhoso!
Claro que provamos também os salgados e adoramos. A esfirra tem uma massa perfeita e o sabor delicioso. O quibe recheado também estava muito bom, assim como a kafta. O falafel, crocante por fora e úmido por dentro, foi incrível.




Para acompanhar tudo isso, o Augusto ainda nos ofereceu dois drinks sem álcool, o Fresh al baba (R$17,60) e o Lemonade Azahar (R$15,50), dois drinks muito tradicionais nos países árabes. E são muito bons, refrescantes e cheios de sabor.


Só posso dizer que nós nos esbaldamos, comemos muito e ainda não conseguimos provar tudo, por motivos de não caber mais, kkkk. Foi uma experiência incrível, que me trouxe muitas lembranças da infância, dos almoços na casa dos meus tios, com sabores que ainda não conhecia ou não sentia há muito tempo. Vale muito a pena conhecer o Zaphira Gourmet.
No almoço das terças-feiras, o buffet livre sai por R$29,90 e com o “Cordeiro do dia”, um prato específico de cordeiro preparado na hora, o valor vai para R$37,90. Há opção de bufê por quilo, a R$59,90 o quilo. No jantar, é possível escolher apenas de bufê livre (R$35), só rodízio de esfirras (R$35) ou o banquete completo (bufê mais rodízio) por R$43. As reservas para o banquete podem ser feitas pelo whatsapp 43 99174-1655.
Ah, sim, para quem está se perguntando: as flores que enfeitam os pratos nas fotos são todas comestíveis.
Fotos: Suzi Bońfím e Telma Elorza
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