Lambrusco: as uvas do frisante que conquistou o mundo

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Por Edmilson Palermo Soares

Quando temos uma comemoração durante a semana, costumo usar a coluna para falar um pouco sobre a uva desta data. Esta semana, tivemos o início do inverno e a data do Lambrusco caindo no dia 21 (quarta-feira).

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Você já experimentou um Lambrusco? Sabe o que é este vinho?

Lambrusco é uma denominação muito conhecida da região da Emília-Romagna na Itália. Não se trata de uma uva, mas sim de uma família de uvas – já foram identificadas mais de sessenta variedades. As mais conhecidas são: Lambrusco Grasparossa, Lambrusco Maestri, Lambrusco Marani, Lambrusco Montericco, Lambrusco Salamino e Lambrusco Sorbara -, de uma região demarcada e de um vinho.

As uvas Lambrusco têm coloração violácea intensa em seus cachos. A variedade revela aromas de frutas vermelhas, como morango, framboesa e cereja, além de notas florais.

A região Lambrusco

A região Lambrusco compreende a Emília-Romagna, que foi primeiramente habitada pelos etruscos a partir do século IX A.C. (Idade do Bronze), e este povo produzia vinhos tintos com a uva.

O vinho Lambrusco que conhecemos hoje, um frisante, remonta à época do Império Romano. A perlage (bolinhas) seria oriunda de uma segunda fermentação, que ocorria nas ânforas de barros onde o vinho era acondicionado.

Entre as décadas de 1970 e 1980 o Lambrusco explodiu em popularidade nos Estados Unidos.  Com a grande demanda existente, a maior parte dos rótulos exportados eram extremamente doces, o que acabou por manchar a reputação do Lambrusco no Novo Mundo.

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Apesar de ser tipicamente um vinho de entrada, o Lambrusco não é necessariamente um rótulo de baixa qualidade, sendo possível encontrar bons exemplares com ótimo custo-benefício. Tem uma perlage refinada, mas de pouca persistência. Não é classificado como um espumante. A perlage é oriunda de apenas uma fermentação, realizada segundo o Método Charmat (tanques de aço inox).  O teor alcoólico varia entre 8% e 12%. 

Existem as seguintes versões conforme a quantidade de açúcar residual:

  • Secco (até 9 gramas de açúcar por litro);
  • Abboccato (entre 1 e 18 gramas de açucar por litro);
  • Amabile (entre 19 e 45 gramas de açúcar por litro)
  • Dolce (acima de 45 gramas de açúcar por litro).

O Secco é considerado a melhor versão, enquanto a Amabile é a mais consumida e Dolce são os vinhos os mais baratos. Apesar da versão tinta do vinho Lambrusco ser a mais popular, também é possível encontrar exemplares brancos e rosés.

Estes frisantes revelam um bouquet aromático intenso, destacando-se notas de frutas vermelhas (amora, morango e framboesa), nuances florais (violeta e flor de laranjeira), além de toques de especiarias (pimenta-preta por exemplo). Eles possuem um paladar leve, revelando grande frescor e pouca presença tânica.

O Lambrusco é um vinho versátil, acompanhando bem uma grande variedade de pratos, desde entradas até sobremesas. Experimente.

Edmilson Palermo Soares

Enófilo, sócio proprietário da Confraria da Taverna, loja de vinhos e espumantes que traz novas experiências no mundo do vinho, estudioso e entusiasta, com conhecimento prático provando vinhos de mais de 20 países e diversas uvas desconhecidas do público em geral. Me siga nas redes sociais: no Instagram @contaverna, Facebook Confraria da Taverna e Linkedin

Foto: Freepik

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