Uvas Marselan & Viogner: pouco conhecidas, mas ótimas para vinhos

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Por Edmilson Palermo Soares

Esta semana temos duas uvas com suas datas comemorativas. São uvas pouco conhecidas do público em geral, por isso resolvi falar um pouco delas.

Na quinta-feira (27/04) foi o dia da Uva Marselan. Já ouviu falar sobre essa uva?

Ela não é uma uva que surgiu na natureza, mas criada pelas mãos do ampelógrafo parisiense Paul Truel no ano de 1961, no sul da França, na comuna de Marseillan, proximidades de Montpellier (região próxima a Marselha).

Para quem não sabe, ampelógrafo é um botânico especializada em videiras.

A criação desta uva foi idealizada para unir e melhorar as características de duas uvas, a Cabernet Sauvignon e a Grenache. A ideia era preservar a potência da Cabernet, aumentar o rendimento e aumentar a resistência às altas temperaturas (característica da Grenache). Com isso, também tinha objetivo de que a nova espécie fosse resistente às doenças.

Inicialmente, ela não ganhou destaque e não foi o sucesso esperado, devido à baixa produtividade e aos pequeninos bagos. Com o aumento da demanda por uvas resistentes às doenças (exemplo: oídio, ácaros e podridão cinzenta), foi incluída na listagem oficial de registros quase 30 anos depois, em 1990.

Hoje é possível encontrá-la em terroirs com características distintas e deixa sua marca talentosa em diversos estilos, seja em um blend ou mesmo reinando sozinha em um varietal.

É encontrada no seu país de origem principalmente no Languedoc e sul do Rhône. Também se expressa nas seguintes regiões: Catalunha (Espanha), Califórnia (EUA), Mendoza (Argentina), Hebei (China), Maldonado (Uruguai) e Maule (Chile).

No Brasil, também é possível encontrar alguns exemplares dessa variedade na Serra Gaúcha.

Surpreendentemente, Israel, com um clima próximo ao do Mediterrâneo, também produz Marselan.

O aquecimento global forçou as regiões vinícolas de todo o mundo a considerar novas variedades de uvas que possam suportar melhor o aumento previsto das temperaturas.

Seus vinhos têm cor púrpura vibrante, são aromáticos e frescos. Têm corpo e acidez média e boa estrutura tânica. Os aromas remetem à frutas maduras pretas e vermelhas e especiarias, com notas de caramelo e final mentolado.

Seus aromas variados e intensos dão ao blend mais complexidade aromática, além de dar cor e potencial de guarda.

Nesta sexta-feira, 28/04, é o dia da Uva Viogner.

Não existe um consenso sobre a origem da uva Viognier. Uma versão diz que o imperador romano Probus (276 e 282 D.C.) teria levado esta uva para a Dalmácia (leste europeu,  onde hoje ficam Albânia, Croácia, Bósnia e Herzegovina, Montenegro e Sérvia). Outra diz que ela teria sido levada para a região do rio Rhône pelos romanos.

Durante a praga da Filoxera (um pulgão) que atacou os vinhedos da Europa, esta uva quase foi extinta. Logo em seguida, veio a Primeira Guerra Mundial e as vinhas foram abandonadas. Na França, a área plantada chegou a ser de apenas 8 hectares na microrregião de Condrieu (próximo a Lyon).

A partir dos anos 1990, vem sendo amplamente cultivada ao redor do mundo, especialmente na Itália, Brasil, Suíça, Canadá, Nova Zelândia e muitos outros. E é claro que na França a plantação de Viognier também cresceu, tornando-se um ícone do norte do rio Rhône, uma região onde se produz vinhos deliciosos.

Curiosidade sobre esta uva:

  • embora a casca da uva seja clara, ela pode ser utilizada para elaborar vinhos tintos no blend com o propósito de intensificar os aromas da bebida;
  • os vinhos devem ser consumidos jovens. Pois, depois de três anos, em média, tendem a perder seus aromas florais;
  • é possível encontrar vinhos envelhecidos que ainda não perderam suas características.

O cultivo desta uva pode ser considerado difícil pois precisa de muita exposição solar para amadurecer corretamente, mas um calor intenso tende a fazer com que ela perca suas características marcantes.

Em relação ao seu ponto de colheita podemos apontar o seguinte:

  • As uvas de colheitas tardias tendem também a apresentar notas de mel;
  • Uma colheita muito tardia pode resultar em um vinho oleoso e sem os aromas característicos;
  • Quando colhida precocemente, não desenvolve todos os seus sabores e aromas.

Os vinhos elaborados a partir da Viognier geralmente são robustos, bastante aromáticos e de baixa acidez. Também costumam revelar alto teor alcoólico, cor intensa e aromas associados a flores, pêssegos, peras, camomila, lavanda, pinho, tomilho e damascos.

Que tal uma nova experiência com vinhos destas uvas?

Espero por vocês.

Edmilson Palermo Soares

Enófilo, sócio proprietário da Confraria da Taverna, loja de vinhos e espumantes que traz novas experiências no mundo do vinho, estudioso e entusiasta, com conhecimento prático provando vinhos de mais de 20 países e diversas uvas desconhecidas do público em geral. Me siga nas redes sociais: no Instagram @contaverna, Facebook Confraria da Taverna e Linkedin

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