Filme-documentário sobre Leny Eversong chega a Londrina

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Jornalista e ator londrinense Ney Inácio apresenta, pela primeira vez na cidade, seu documentário sobre uma das maiores cantoras brasileiras

O LONDRINENSE

Os londrinenses terão oportunidade de ver, pela primeira vez na cidade, o filme-documentário “Leny, a Fabulosa”, do jornalista e ator londrinense Ney Inácio. Lançado em 2015, o filme-documentário só foi apresentado em cinemas do Rio e São Paulo. Agora será apresentado na quarta-feira (16), às 19 horas, no Espaço Cultural AML (Rua  Maestro Egídio Camargo do Amaral, 130, no centro, em frente a Concha Acústica), com entrada gratuita.

Foto: Acervo Ney Inácio

“Leny, a fabulosa!” mostra um recorte da vida da cantora Leny Eversong, nascida Hilda Campos Soares, que começou a cantar aos 12 anos, na Rádio Clube de Santos. Cantava foxes norte americanos, sem conhecer uma só palavra em inglês. Cresceu e mudou-se para São Paulo trabalhando em boates como crooner. Foi para as principais rádios do Brasil. Gravou, nos anos de 1950 músicas brasileiras e, em 1952, seu grande sucesso, ”Jesebel”. Começou aí sua carreira internacional. Como não sabia a língua inglesa escrevia em pequenos pedaços de papel a pronúncia das palavras, que segurava escondido, na palma da mão.

Muito gorda, voz potente de contralto, levava a plateia ao delírio cantando em vários idiomas. Encantou os americanos, quando foi levada, por Assis Chateaubriand, para Las Vegas. Fez turnês vitoriosas ao redor do mundo, Paris no Olympia, Nova York e Las Vegas onde fez 630 shows, apadrinhada por Sammy Davis Junior, reverenciada por Frank Sinatra e tantos outros. Na despedida de Elvis Presley, quando ele foi para servir ao exército, na Alemanha, ele foi ao Programa de Ed Sulivan, e convidou uma única cantora para dividir o palco, Leny Eversong, que cantou duas músicas.

Foto: Acervo Ney Inácio

Leny viveu o luxo, sendo eleita pela revista Time, em 1969 a melhor cantora americana, sendo brasileira. Foi ela quem lançou Cauby Peixoto e Agnaldo Rayol e, lá fora, a primeira a mostrar Tom Jobim internacionalmente. Antes mesmo do Itamarati , mostrou nas televisões americanas a nova capital, Brasília.

Em uma visita ao Brasil, o marido e grande paixão de Leny desapareceu misteriosamente um dia antes de sua chegada. Desesperada iniciou a procura por ele, envolvendo polícias do Brasil, Interpol e tudo mais. Cancelou shows em Las Vegas. Como era casada em comunhão de bens, teve todo patrimônio bloqueado pela Justiça. Sem trabalho e sem dinheiro, começou a vender até troféus para viver. Doente, com diabetes e hipertensão passou a viver de favor na casa de amigos. Mudou-se com o filho Alvinho para Mairiporã. Cerca de 14 anos depois, a Justiça – por um telegrama que nunca chegaria as suas mãos – declara que o marido finalmente é dado como morto, pelo DOPS junto com outros cinco sindicalistas de Santos. Dia seguinte Leny morre, aos 64 anos, esquecida, sem dinheiro e sem saber o que aconteceu com sua grande paixão.

Segundo Ney Inácio, o Brasil esqueceu Leny Eversong, para todos os grandes artistas, a maior cantora brasileira. O filme-documentário resgata. O filme documentário resgata imagens que foram garimpadas durante oito meses, principalmente nasTVs norte-americanas. Reúne imagens raras, depoimentos de Bibi Ferreira, Cauby Peixoto, Maestro Salinas (um dos maestros de Leny), historiadores, Ângela Maria, Rodrigo Faour, Raul Gil, Agnaldo Rayol e do filho de Leny, Alvaro Eversong que faz revelações bombásticas. Inclui também trechos de filmes como “O santo módico”, filmado em 1964, e que não existe uma cópia sequer no Brasil. “É um documentário para resgatar a obra de Leny e fazer justiça á sua importância no cenário musical internacional”, explica. Segundo ele, o Furacão Leny fez sucessos como Jesebel, El Cumbancheiro, Summertime, Jalousie, Mack Tthe Knife, Granada, Fascination e tantos outros. “Foi comparada a Ella Fiztgerald e uma das cinco melhores cantoras do mundo, entre os anos de 1955 e 1965”, diz.

Serviço:

Exibição do filme-documentário Leny, a Fabulosa, de Ney Inácio

Quarta-feira (16), às19 horas, no Espaço Cultural AML (Rua  Maestro Egídio Camargo do Amaral, 130, no centro, em frente a Concha Achústica)

Entrada gratuita

Foto: Acervo Ney Inácio

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