Por Ana Paula Barcellos
19 de agosto foi aniversário da grande Coco Chanel, a mulher que fez a Moda evoluir. Eu gosto de dizer que ela causou uma evolução na Moda, e não uma revolução, porque embora a gente use esse termo popularmente pra falar sobre uma grande mudança, o termo revolução tem mais a ver com fazer algo voltar ao seu estado primeiro, como colocar as coisas no lugar. Fazer as coisas voltarem a ser o que eram. E, definitivamente, não foi isso o que a Chanel fez, então dá um bug na minha cabeça.

Ela tirou a calça do guarda-roupa masculino e levou para o feminino, naquele mundo dividido em macho e fêmea. Mulher usa calça sim e cavalga de pernas abertas. Ela fez isso acontecer naquele momento.
Também ajudou as mulheres a se libertarem do espartilho, a peça que tornava difícil até o ato respirar. A ditadura da moda dizia que mulher tinha que ter cintura marcada. Chanel foi lá e disse “Epa, tem não”. E passou a confeccionar roupas para mulheres sem a cintura marcada. Retas. E, se a gente for parar pra pensar, ao soltar a cintura, ela também ajudou a desviar os olhares dessa parte do corpo da mulher.

Ela também subiu a bainha. Porque, afinal de contas, para uma mulher se sentir elegante ela não tem que ficar usando saia nos pés, né? Sobe a bainha da saia e ganha mais liberdade também, porque saias mais curtas são infinitamente mais práticas que as longas se a gente pensar no contexto cotidiano, nos afazeres do dia a dia.
Chanel ainda pegou o preto, que só era aceito em funerais, pra marcar luto, e inaugurou o all black, o preto total, na vida diária. E ainda mostrou que se a gente usa punhos e gola branca, consegue um efeito iluminador – e isso ela fez inspirada pelos hábitos das freiras. Pegou uma inspiração de origem conservadora e mirou na evolução. Preto na roupa é tudo!

E a ideia de misturar joias com bijuterias e fazer das bijuterias um grande sucesso? Ela popularizou e tornou esses acessórios mais acessíveis, justamente. E ainda criou o terninho que é icônico, o pretinho básico, transformou as listras em elegância, trouxe referências do mundo dos trabalhadores, dos pescadores e fez elas bombarem! Ela criou o estilo navy, basicamente.


E o Chanel n.5? O primeiro perfume vendido no varejo com o tipo de formulação que a gente conhece. Foi uma loucura, sucesso absoluto. Ainda mais depois que a Marilyn Monroe fez propaganda para a marca dizendo que dormia sem roupa, usando só umas gotas do tal.
Muito do que a gente usa hoje e é vendido por milhares de marcas mundo afora foi lançado primeiro pela Chanel. E não à toa, a marca é campeã no quesito itens copiados e pirateados. A label, uma das mais valiosas do mundo, virou sinônimo de conforto + elegância. E de peças que todo mundo quer ter.

Ana Paula Barcellos
Viciada em botas, sacoleira e brecholenta, trabalha com criação de joias artesanais e pesquisa de tendências. Tem foto da Suzy Menkes na estante e escreve essa coluna usando pijama velho, deitada no sofá enquanto toma café com chocolate.
Foto: Reprodução da internet

