Por professor Renato Munhoz
Num primeiro momento o Objetivo do Desenvolvimento Sustentável 9 pode parecer um tanto complexo, mas quando aproximamos a visão nos deparamos com uma realidade que está relacionada ao nosso cotidiano. Muito mais do que imaginamos.
Mais da metade da população mundial vive nas cidades. O modo de vida urbano tem imposto um impacto planetário com consequências já sentidas por todos nós.
O Brasil que tem mais de 8 milhões de quilômetros quadrados, mais de 1,7 milhões de estradas que, segundo o DNIT (Departamento Nacional de Infraestrutura e Transportes), apenas cerca de 13% está pavimentada, ou seja menos de 223 mil quilômetros.
As linhas ferroviárias no Brasil compõe menos de 30 mil quilômetros e ainda não conectam as regiões do país. As hidrovias, transporte feito pela água, representam menos de 42 mil quilômetros.
Não existe a possibilidade de desenvolvimento nacional sem uma integração regional. Vivemos em um território imenso. Uma viagem de carro de Londrina, no PR, a Belém do Pará pode durar até 41 horas e quase três mil quilômetros. O Brasil tem uma dimensão de fronteiras imensa. Fazemos divisa com mais de 10 países na América Latina.
A integração, a mobilidade, o acesso as regiões, não podem ficar dependentes de um único modelo de desenvolvimento e ou integração. É importante considerar outros modelos e não apenas isso pensar estratégias de acesso das pessoas.
Você sabia que o Brasil possui segundo maior número de aeroportos em todo o mundo, atrás apenas dos Estados Unidos?
O Brasil possui 99 aeroportos, dos quais 18 são internacionais e 81 para voos regionais. Incluindo os aeroportos, o país possui 2.499 aeródromos, sendo 1.911 privados.
Considerar a integração regional possibilita o desenvolvimento diminuindo a sangria das desigualdades regionais, apontando também para as disparidades econômicas, como o desenvolvimento da indústria e o acesso a bens e serviços.
O ODS 9 aponta para a ideia de uma infraestrutura sustentável e resiliente em países em desenvolvimento, por meio de maior apoio financeiro, tecnológico.
Para 2030 é um caminho curto, mas quem sabe seja apontada alguma direção para que este modelo de Brasil e de planeta mais integrado e agindo em conformidade com foco no desenvolvimento humano e sustentável.
As cidades são detentoras de potencialidades que muitas vezes ficam invisíveis, por ausência de interesse político, ou mesmo pela ausência de planejamentos mais assertivos. Existem exemplos no mundo de cidades inteligentes que conseguem integrar ciclovias, metrôs, ônibus elétricos e com isso promovem a integração regional local. Consórcios que fazem a interligação de cidades por meios de transportes integrados.
Uma boa dose de vontade política, desligando o botão das obras superfaturadas e bons investimentos em pesquisas nesta linha podem fazer com que este caminho seja encurtado.

Professor Renato Munhoz
Teólogo e Historiador. Especialista em Educação Ambiental e Sustentabilidade.
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