Por Fábio Luporini
Você é rico ou pobre? Frequentemente, balizamos o conceito de riqueza ou pobreza a partir da nossa conta bancária. Ou, então, do local onde moramos, do carro que temos, das roupas e marcas de calçados que usamos. Talvez por isso é que sejamos tão infelizes, já que, dentro de um sistema econômico ao qual vivemos, jamais conseguiremos ter todos os tipos de bens produzidos. E aí, consideramo-nos pobres. Ledo engano. Já dizia o filósofo estoico Sêneca, que viveu nas primeiras décadas depois de Cristo: o significado de riqueza é ter o suficiente capaz de satisfazer nossos desejos. Afinal, precisamos de mais que isso?
Isto significa que não definimos a riqueza pelo dinheiro. Mas, sobretudo, confirme Sêneca, pela quantidade de nossos desejos. A partir disso, é possível que uma pessoa tenha pouquíssimos bens, mas, o suficiente para viver, e seja muito rica. O contrário também é verdade: que uma pessoa tenha muitos bens, mas, seja muito pobre porque nunca satisfaz seus desejos. Então, o que é melhor? De acordo com o filósofo estoico, é melhor ter o suficiente para viver do que ter muito. Frequentemente, as pessoas que têm muito nunca estão satisfeitas. E sempre querem mais.
Eu sempre digo aos meus amigos e alunos que a relação que devemos ter com os bens materiais é de utilidade, não de afeto. E, com as pessoas, de afeto. E não de utilidade. Por exemplo: para que serve o carro. Qual a utilidade dele? Para ir e vir, para nos levar onde precisamos. Então, partindo desse princípio, basta qualquer carro. Se tivermos condições financeiras um pouco melhores, não tem problema algum comprar um veículo um pouco melhor, com mais conforto, etc. Entretanto, fiquemos satisfeitos com o carro que satisfaz nossas necessidades.
O problema é que desejamos ter coisas que, muitas vezes, estão inalcançáveis a nós. Entretanto, como diria Sêneca, a pessoa que não tem nem deseja acumular os bens materiais está satisfeita com o que tem. E esta pessoa é muito mais rica que a outra, que tem tudo, mas, ainda quer mais. Será que conhecemos gente assim ao nosso redor? A pergunta é: você conhece gente rica ou gente pobre?

Fábio Luporini
Sou jornalista formado pela Universidade Norte do Paraná e sociólogo formado pela Universidade Estadual de Londrina (UEL) . Fui repórter, editor e chefe de redação no extinto Jornal de Londrina (JL), atuei como produtor na RPC (afiliada da TV Globo), fundei o também extinto Portal Duo e trabalho como assessor de imprensa e professor de Filosofia, Sociologia, História, Redação e Geopolítica, em Londrina
Foto: Pexels


Uma resposta
Excelente texto para repensarmos nosso comportamento como consumidor.
Fico com Sêneca, porque frequentemente gastamos muito mais do que ganhamos, por isso estamos sempre individados, eu inclusive. Aos poucos, vou adotando uma postura minimalista, estou me reeducando e como faz bem para o bolso e o meio ambiente. Consumir só o que realmente necessita.
Os estímulos da indústria cultural estão aí nos seduzindo ao consumismo fútil e desnecessário.
Isto posto, a essência capitalista é a acumulacão e o lucro, por isso acumulamos tanto, mas Sêneca vem para nos salvar dessa armadilha. Logo, sou Senecamente rica.