Por Telma Elorza
Passei um perrengue recente com minha mãe que ficou doente e precisou dos meus cuidados. Durante três semanas, deixei minha Londrina e me mudei de mala e cuia para minha cidade natal para cuidar dela e levá-la em médicos. E que o que descobrimos? Que ela estava com diagnóstico errado e seu problema não estava sendo tratado.
Minha mãe sempre foi uma mulher muito ativa. Trabalhou fora até se aposentar, cuidou da casa, criou os filhos, ajudou meu pai a construir um certo patrimônio, faz parte de um coral, fazia crochê, tricô, costurava, fazia várias artes manuais (não faz mais por causa da artrite), adora palavras cruzadas. Cuidou do meu pai com Alzheimer, praticamente sozinha até sua morte, há 10 anos. Enfim, sempre foi uma pessoa que adorava estimular o cérebro.
Com tudo isso, as tonturas e leve desiquilíbrio que começou a apresentar há alguns anos foram minimizadas. Não parecia nada mais grave que uma labirintite. Foi ao médico, começou a tomar remédios para a doença. Nada demais.
O problema é que os sintomas foram piorando com o tempo. As tonturas não passavam, ela caia frequentemente, foram aparecendo as náuseas, mudava a medicação e nada. Ao mesmo tempo, ela foi tendo lapsos de esquecimento.
No início de fevereiro deste ano, prestes a completar 81 anos (na próxima segunda-feira, dia 7 de março) teve uma crise séria. Teve confusão mental e os tombos ficaram mais sérios, a deixando com hematomas enormes em várias partes do corpo e rosto. Resultado? Corremos, eu e minha irmã, para lá, para ver o que estava acontecendo.
E começamos a maratona de médicos. Um deles, que a atendeu antes que chegássemos à cidade, disse que o evento era resultado de uma impregnação por conta da medicação para labirintite. E que deveria mudar a medicação da doença. Não satisfeita com o diagnóstico, marquei neurologista. Fizemos todos exames clínicos e uma tomografia. Temíamos AVC, Alzheimer ou demência senil.
Felizmente, o diagnóstico correto veio. Problemas de circulação que estava afetando o cérebro que, com pouca irrigação sanguínea, dava tontura, desiquilíbrio e as náuseas. Tirando isso, estava muito bem para a idade. Um simples medicamento para circulação, ingerido duas vezes por dia, resolveria.
Com uma semana de medicação, minha mãe já estava bem novamente. As tonturas passaram, agora ela está completamente lúcida e os esquecimentos são poucos frequentes. Deve tomar a medicação por dois meses e voltar ao neuro para avaliação.
Por que estou contando tudo isso? Porque na quinta-feira (3), meu cunhado esteve em casa e perguntou da minha mãe. Eu contei o caso e ele ficou assustado, porque o pai dele está com os mesmos sintomas e toma remédio para labirintite há anos e só piora. Nunca fez uma tomografia. Na sexta-feira (4), conversando com uma amiga, ela também me perguntou da mãe. E aconteceu o mesmo que com o cunhado, quando contei. O pai dela também tem os mesmos problemas de desiquilíbrio e náuseas, mesmo sendo medicado para labirintite. Também nunca fez uma tomografia. Meu cunhado e minha amiga vão providenciar novas consultas para seus pais.
E eu achei interessante publicar a história da minha mãe. Pode ser que ajude outras pessoas com o mesmo diagnóstico errado de labirintite. Não sou médica, mas acho que, se depois de algum tempo de uso, o medicamento não fez o efeito esperado, é preciso investigar melhor. Buscar novos especialistas, ampliar o leque de possibilidades. Principalmente no caso de idosos.
Há, sim, reconheço, um declínio físico e até das capacidades cognitivas quando envelhecemos. Mas não deve ser comum achar que os “esquecimentos” e tonturas são algo natural da idade mais avançada. É preciso investigar, encontrar um médico que solicite todos os exames possíveis (e se ele não pedir por livre vontade, peça você para incluir tomografia e, até, quem sabe, ressonância) até que tenha a certeza ou o mais próximo possível do que exatamente está acontecendo. Nossos velhinhos merecem esse cuidado.
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