Por Renato Munhoz
Historicamente as guerras sempre causaram impactos ambientais com proporções inimagináveis. Em muitos países do mundo, florestas inteiras foram derrubadas em detrimento de guerras. Ecossistemas deixaram de existir, como no caso do Congo e do próprio Afeganistão. Os diversos anos de conflitos foram os principais responsáveis pela alteração significativa na biodiversidade daqueles países.
O que acontece, no exato momento em que se inicia uma guerra, é a paralisação dos sistemas de gestão ambiental. Isso porque o que vale a partir deste momento é a luta pela sobrevivência a qualquer custo. O que pode gerar uma pressão e um colapso ambiental. Tornando o Meio Ambiente uma vítima não relatada da guerra.
As guerras da atualidade são cada vez mais “ambientais” do que em outros períodos da história. As armas químicas e os elementos incorporados na inteligência de guerra fazem com que os conflitos tenham relação direta com meio ambiente. Exemplo foi a bomba atômica de Hiroshima e Nagasaki que matou mais de 400 mil pessoas, muito mais do que anos de luta armada.
Os campos de concentração nazistas são outro exemplo ruim da história, de onde chegou a destruição humana, através de elementos químicos, com as câmaras de gás, onde milhares de judeus foram exterminados.
No Vietnã, entre 1961 e 1971, o chamado “agente laranja”, que é um desfolhante extremamente nocivo utilizado pelos Estados Unidos, foi um dos produtos químicos usados para queimar as pessoas por cima, lançado pelos aviões norte-americanos, tonando a Guerra do Vietnã uma das mais letais da atualidade.
Diversos elementos químicos, utilizados em bombas e armas para potencializarem seu impacto, são utilizados em nossas lavouras nos agrotóxicos. É importante destacar que o domínio bélico passa pelo controle de armas químicas e nucleares. As grandes potencias do mundo tentam a todo custo retirar de outros países menores este tipo de produção de armas. É o chamado controle psicológico da guerra causado pela chamada ameaça nuclear.
O Memorando de Budapeste retirou da Ucrânia o arsenal que havia herdado da União Soviética, colocando-a neste momento em desvantagem sobre a Rússia. Pois a Rússia é uma das maiores detentoras de armas químicas e nucleares do mundo.
Cada vez mais as guerras do mundo serão ambientais, ou seja, com armas químicas, nucleares e até mesmo biológicas. Existem probabilidades de uma nação contaminar outra ou o mundo todo com uma doença, vírus ou bactérias, criadas propriamente para serem usadas como armas.
Um dos elementos da natureza, afetado diretamente pelas guerras, poderia ser o agente que teria a responsabilidade de acabar com estes conflitos, desde que se sentisse parte de um todo muito mais amplo. Mas é exterminado pela ganância dos poderosos que colocam sua população em risco em detrimento sua sede de poder.
O que nos falta perceber é que o principal afetado nesta história é o ser humano, elemento fundamental da “Casa Comum”, como nos interpela Papa Francisco em sua encíclica Laudato Si. Aquele que deveria ser o guardião desta casa, ataca, fere e mata, para que sua ambição de poder seja saciada.
Acreditamos ainda no bom senso humanitário e que os conflitos sejam vencidos pela capacidade de paz e pelo desejo de sermos agentes cuidadores do Meio em que vivemos.
Renato Eder Munhoz

Historiador e Teólogo, especialista em Educação Ambiental e Sustentabilidade. Coordenador de Projetos do COPATI (Consórcio de Proteção Ambiental do Rio Tibagi).
Foto: Colagem/Renato Munhoz

