Diário de Resistência

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Por Angela Diana

Como disse várias vezes, gostaria muitoooo de escrever aqui:  “Esse é o ultimo diário da quarentena”, mas percebi que as mudanças começam por nós mesmos. Tenho muita confiança que de agora em diante nosso maior lema é RESISTIR! Resistir contra o preconceito, machismo, racismo, gordofobia, ignorância, maldade, crueldade, inveja, falta de dinheiro, depressão e tudo de pior que essa pandemia mostrou de alguns seres humanos…

E como nós resistimos aqui em casa? Sempre com a ARTE! Música, pintura, desenho, filmes, documentários, livros, dança no meio da sala quando o mundo pesa e, claro! Cantar o que amamos, seja em português ou “portuingles”! A Arte RESISTE!

Vocês sabiam que a arte resiste até dos seus próprios criadores? Tenho uma amiga que, quando fez aulas comigo, indiquei o filme “Os amores de Picasso”. Resultado? Ela começou a detestar Picasso.. .Porque fala sério, né gente? Ele usava as mulheres até o toco! O difícil foi explicar que nós, meros seres humanos imperfeitos, erramos feio, muitas vezes, mas…. A arte TRANSCENDE! A arte é o que nos perpetua, nos salva, nos ajuda em momentos nefastos, nos purifica dos nossos maiores pecados (mesmo.eu não acreditando em pecados eternos e nem em inferno “forever”).

Obra de Picasso no Museu de Arte de Nova York- Foto:Pixabay

Parece que estou falando de uma “religião ou “doutrina”. O caso é que a maior diferença entre arte e religião é que uma abre os horizontes, nos tira dos estereótipos, já as religiões nos impõem regras, limites (algumas colocam coisas absurdas) e quando menos percebemos estamos nas caixinhas! Aonde a arte e a religião se encontram é na raiz do significado da palavra: religião significa “religar-se” , reconectar com o divino. Fora que é um tema riquíssimo!

Olhem um exemplo: Miguelangelo Buonarroti e o teto da Capela Sistina… Incrível e cheia de uma força angelical, para dizer o mínimo! Pois bem, em todos os textos que já li sobre ele, diziam que tinha o temperamento explosivo, orgulhoso, estourado e impetuoso (Sobre isso existem controvérsias, pois se hoje em dia, quando nos posicionamos para sermos respeitados como artistas, somos considerados “agressivas” ou “agressivos”, que dirá naquela época que só os mestres assinavam as obras, nem sempre suas, e o artista era considerado um trabalhador quase braçal).

Capela Sistina, no Vaticano -Foto: Pixabay

E foram essas características que fizeram com que ganhasse uma cicatriz de facada no rosto, mas também foram os veículos, a energia que ele usou para transformar um teto em obra prima e pedaços de mármore gelado em “carnes ardentes”.

Sobrevivemos, ao menos por enquanto, a uma pandemia, a uma quarentena. Agora aqui será um diário da resistência… Sem a arte enlouqueceriamos! A arte é a vida e a morte convivendo pacificamente, nos ensinando a sobrevivermos e a aceitarmos as mudanças!

Carpe diem, pessoal!!!E PARABÉNSSSSSS ao nosso amado jornal que RESISTE! Ajude o jornal. Doe no Catarse.

Angela Diana

Sou londrinense e me dedico à arte desde 1986 quando pisei pela primeira vez no atelier de Leticia Marquez. Fui co-fundadora da Oficina de Arte, em parceria com Mira Benvenuto e atuo nas áreas de pintura, escultura, desenho e orientação de artes para adolescentes e adultos.

Foto: Pixabay

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