Qual a diferença entre travesti, trans e drag queen?

TIATELMA (2)

“Eu sempre fico em dúvida sobre a transexualidade. Eu não entendo as diferenças entre travestis, mulheres trans e drag queen. São todos a mesma coisa? São todos gays? Me explique, por favor, porque não quero mais ter falas preconceituosas por não saber as diferenças”.

Interessante a questão do leitor, que foge um pouco do comum aqui, na coluna. Mas uma questão importante, porque o conhecimento é a melhor forma de combater preconceitos. E, por isso, a iniciativa é louvável. Mas já vamos começar a lição: a primeira coisa que você deve saber é que travestis, trans e drag queens devem ser tratadas pelo feminino. ELAS. TODAS. Esse é um bom começo para acabar com o preconceito.

Bom, eu não sou especialista em identidade de gênero – aliás, eu não sou especialista em coisa alguma kkk -, mas busco sempre me informar para responder as perguntas que aparecem por aqui. Então vamos lá, vamos começar explicando, de uma forma bem superficial, o que é identidade de gênero.

Basicamente, identidade de gênero é a forma como o indivíduo se identifica com o seu gênero: masculino, feminino, os dois ou nenhum deles. Se a pessoa nasce homem e se identifica com o seu sexo biológico, se sente confortável como homem e isso não gera nenhum tipo de sofrimento para ele, é considerado cisgênero ou apenas homem cis. A mesma coisa se a pessoa nasce mulher e se identifica com seu sexo, sem sofrimentos por isso. É a mulher cis.

Quando há um descompasso, uma angustia profunda e sofrimento entre o gênero e o sexo biológico, a pessoa não se identificando com o sexo com que nasceu, é chamada de transgênero. Pode ser um homem trans (uma pessoa que nasceu com sexo feminino, mas se identifica com o masculino) ou uma mulher trans (que nasceu com o sexo masculino, mas se identifica com o feminino). Geralmente, homens e mulheres trans fazem de tudo para mudar de sexo. É uma questão prioritária para eles, que não conseguem aceitar seu corpo biológico e que, por isso, sofrem muito. É preciso acompanhamento psicológico e multidisciplinar para que a mudança seja feita, culminando com a operação de mudança de sexo.

Há também pessoas não binárias, ou seja, não se identificam com nenhum dos gêneros preferencialmente. À grosso modo, as pessoas não binárias são classificadas como uma “mistura” entre o masculino e o feminino ou a total indiferença entre ambos os gêneros. Sim, é complicado, eu sei.

Já as travestis são uma das identidades possíveis dentro da transgeneralidade. Resumindo grosseiramente: o termo travesti é utilizado apenas pessoas trans com identidades femininas, mas que, de algum modo, se sentem confortáveis com seus órgãos sexuais masculinos. Ou seja, se constituem em uma identidade de gênero própria. E nunca, nunca, NUNCA se refira a elas com pronome masculino.

As drag queens, por sua vez, são mais uma expressão artística que uma identidade de gênero. A drag é a pessoa que se veste e se comporta, de forma estilizada, com uma expressão de gênero exageradamente feminina, para fins de entretenimento. Na maior parte da vezes, são homens cis que fazem carreiras artísticas se apresentando como mulheres. As cantoras
Pabllo Vittar e Gloria Groove são duas das drags mais famosas do Brasil. Mas qualquer pessoa, homens e mulheres cis e trans, homo ou heterossexuais, podem ser drags. Mulheres que se caracterizam exageradamente como homens são chamados de drag king.

Quanto à pergunta de serem todos homossexuais, a resposta é não. A sexualidade não tem não nada a ver com a identidade de gênero. Homens cis podem ser heteros, homo ou bissexuais, assim como o homem trans também. O mesmo vale para mulheres cis, trans e travestis. Se identificar com um gênero diferente do que nasceu, não significa que vai se interessar pelo mesmo gênero sexualmente.

Deu pra entender? Mas, mais o importante é entender que, seja qual for o gênero que a pessoa identifica ou sua preferência sexual, precisa ser respeitada. É a vida dela, não afeta em nada na sua e todos precisam ter a liberdade de viver sua própria da melhor maneira possível, da maneira que a faz feliz. Ponto.

Tem dúvidas? Mande suas perguntas para telma@olondrinense.com.br

Quem é Telma Elorza, a Tia Telma?

Jornalista, divorciada, xereta por natureza e que sempre se interessou muito por sexo. Com a vida, aprendeu várias coisas, mas a principal é que sexo é uma coisa natural e deve ser sempre prazeroso.

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