Por Angela Diana
O assunto da semana foi como artistas resistem nas mais profundas ou trágicas crises. Claro que isso não é uma regra e existem casos de suicídio como do artista plástico catarinense Luiz Henrique Schwanke, Kurt Cobain entre outros. Mas, no geral quantos passam por tragédias como os da Frida Kahlo, Beethoven, Van Gogh…

Outros convivem com doenças degenerativas, cegueiras (como Monet no final da vida) ou como de Antônio Francisco Lisboa , conhecido como Aleijadinho (um escultor que tinha hanseniase e quase não tinha as mãos!), Fora os artistas plásticos que pintam com os pinceis na boca, pois não tem os braços! Artistas resistem! E como somos odiados por isso! Vivemos na corda bamba de ser amado ou odiado, ainda bem que o pior não acontece!
O que é pior para um artista? A indiferença do público… Tantos passaram por guerras, doenças, fome , pobreza extrema… Tantos! Mas, até o final das suas vidas, pintaram, bordaram, desenharam, esculpiram… Mudaram os rumos da história da arte e, consequentemente, da história do mundo. Trouxeram inovações, questionamentos profundos e formas múltiplas de resistência! Ou sobrevivência…

Sem a arte o artista vegeta, fica com a vida estagnada, confusa. É como se nada fluísse como precisa ser… Criamos com ou sem caos ou meio que a criação é uma das melhores formas de dar ordem no caos que é a vida. Nossa vida de artista é um caos organizado! Chega a ser engraçado como, pessoalmente, acabei criando minhas melhores obras quando passava por altas crises. Mas isso é muito compreensível e não mistério nenhum: organizamos nosso mundo interno trabalhando… criando… É duro! Muito duro!
Às vezes, a criação se assemelha a cavar com as mãos a terra árida, até achar uma fonte de agua cristalina! Sim! Estou poética hoje! O pior são as fases de bloqueio ou de começo de processo, e é nessas que alguns artistas sucumbem e, quando envolve muito dinheiro, a pressão aumenta! Por isso é necessário manter-se longe das drogas e do álcool, principalmente na hora de criar. É ilusório achar que qualquer uma dessas coisas “facilita”! O caso é que quando se usa esses subterfúgios, alguns não conseguem voltar a colocar os “pés no chão”, a “viagem ” não tem volta!

Sempre disse para meus alunos que eu conseguia viajar para Grécia se quisesse, sem me levantar da cadeira e sem drogas! Tal o poder da abstração (só não foi legal quando fazia provas de matemática)! Tudo o que não me interessava, automaticamente eu abstraía! Sou assim até hoje, mas por causa do trabalho consigo ter controle sobre isso, e prestar atenção quando é necessário.
Sabe a expressão “a gente se fode mas se diverte”? Gente! Nada exprime melhor como é ser artista nesse pesadelo de país (maravilhoso) mas governado por imbecis corruptos! Criar é uma das coisas mais incríveis do mundo, é a ligação mais forte que uma pessoa pode ter com o divino. Só se compara com a oração! Eu diria até que criar é como uma oração colorida! Lembrando: “A arte muda as pessoas e as pessoas mudam o mundo”!(Colaborem com nosso querido jornal no Catarse!
Angela Diana

Angela Diana
Sou londrinense e me dedico à arte desde 1986 quando pisei pela primeira vez no atelier de Leticia Marquez. Fui co-fundadora da Oficina de Arte, em parceria com Mira Benvenuto e atuo nas áreas de pintura, escultura, desenho e orientação de artes para adolescentes e adultos.
Foto: Profetas de Aleijadinho/Pixabay

