Bons tempos!

shows-uel

Por Rogério Rigoni

Fala, meninas e meninos do ROCK!

Tudo parado ou parando, vamos de lembranças.

Estava pensando sobre o que escrever para a matéria de hoje, quando me veio lembranças dos shows que acontecia no RU – Restaurante Universitário (Av. JK) e das festas da UEL, que sempre rolavam na sexta-feira. Era anos 90 e, em Londrina, estava surgindo muitas bandas como Elite Nativa, Iguaranoise, Nem Nome Tem, Banda GAF, Primos da Cida e mais um monte que não lembro mais os nomes. O RU era diversão garantida, lembro que conheci uma galera nessa época e, na sexta-feira, nos reuníamos na “Repi” dos meninos para um aquece nervoso e descíamos em bando para o RU. Que loucura era aquilo, lotava tanto o lado de dentro como o lado de fora. Tanto para o público e bandas, o RU era a bola da vez.

Quantas bandas FODA tocaram naquele palco, quantos porres, quantos casais feitos e desfeitos, diversão garantida. Aquele espaço entortava a cabeça de “maluco”, inclusive a minha. Lembro do banheiro masculino, aquilo era a visão do hell. Você não mijava no banheiro, o banheiro mijava em você. Ele estava sempre entupido, você entrava e saia com o tênis meio que ensopado de água e mijo. Lembro que eu tinha uma calça jeans, ela era boca de sino, então você imagina como ficava.

Uma noite dessas, eu estava com essa calça e já tinha ido ao banheiro várias vezes, quando a galera se juntou para dar uma volta no quarteirão para estourar aquele fino. De repente em uma esquina, a “barca” da polícia vira e manda todo mundo colocar a mão na parede, na hora que o policial foi me revistar, ele colocou a mão na barra da calça que estava “naquele modelo”. Eu só olhei para cara do policial, a cara de nojo que ele fez, já valeu a noite.

O RU foi importantíssimo para as bandas, além de um pico massa para tocar, tinha público garantido. Eu me divertia muito até que, em uma bela noite, um otário matou um menino lá na praça que ficava em frente. Depois disso, nada foi como era antes, até que um dia desativaram o RU e a diversão acabou.

Tinha também as festas na UEL, que eram tão boas quanto. Nessas, o aquece era no Bar Brasil. Teve uma noite, acho que era aniversário do bar ou da Mara, a garçonete que trabalhava no bar. Só sei que deu umas dez, dez e meia, a Mara subiu na mesa e gritou: O BAR VAI FECHAR, vamos todos para a festa na UEL! Que noite de doido. Lá fomos nós para UEL.

Quando não tinha carona, a gente ia de ônibus mesmo. O foda era voltar, nem sempre tinha carona e pelo horário, não tinha mais ônibus. Teve uma vez que eu voltei a pé com um antigo amigo. A diversão era boa, valia a pena cada esforço, fora que eu vivia encontrando lata de “breja” cheia, lacrada e gelada, caída no chão. Além disso, era outro pico massa para as bandas tocarem, com público garantido.

Até que uma noite, uns “espíritos” de porco invadiram o Centro de Ciências da UEL e quebraram um monte de coisa lá dentro. O que aconteceu depois? Bom, as festas na UEL foram canceladas. Sempre tem um ESPÍRITO DE PORCO para estragar o rolê da galera e assim nossas sextas-feiras de curtição acabaram.

Eu acho muito difícil Londrina voltar a ter este tipo de festa e um lugar aberto e de graça para as bandas tocarem e a galera se divertir.

Para terminar; lembram do anfiteatro do Zerão? Pois é, ali sempre tinham shows de graça e com artistas renomados. Já assisti Alceu Valença, Almir Sater e Timbalada. Tempos que ficaram na memória e não voltam mais. Londrina já foi muito melhor culturalmente nos anos 80,90. Hoje não tem mais nada. ACORDA Londrina!

Bora recordar!?

BORA PRO ROCK!

Rogério Rigoni

Foi comerciante a vida toda, se rebelou e assumiu seu lado de escultor. A música que sempre foi sua paixão! Rock and roll na vida e na arte!

Foto: Show-Mício na UEL, 1984/Márcia Marton

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