Por Fábio Luporini
Goste de você ou não, não se pode negar que o Big Brother Brasil (BBB) é um fenômeno nacional. Não fosse assim, não sobreviveria 22 anos. Lembro-me da estreia, na primeira temporada, quando assistir era um vício. Era tudo novidade ver, durante 24h, o que pessoas anônimas faziam trancafiadas numa casa: fofocas, intrigas, comer, dormir, tomar banho…
Confesso que, depois dessa primeira temporada, nunca mais acompanhei nem assisti com frequência. Muito embora seja impossível não acompanhar dada a repercussão do que acontece na casa entre os veículos de comunicação e, mais recentemente, através das redes sociais. Entretanto, o BBB tem sido cada vez mais comentado e motivo de repercussões. Isso porque o tempo o transformou num palco de discussões importantes, como machismo, homofobia, preconceito, entre outros assuntos.
E, desse ponto de vista, o que era apenas um entretenimento fútil passa a ser uma importante ferramenta de transformação social. Afinal, toda a audiência da televisão e da internet está conectada no que acontece no programa e as discussões respingam em patrocinadores e outras áreas. Por isso, o BBB, hoje, não deve ser encarado apenas como um programa de entretenimento fútil, apesar de ainda ter esse elemento muito presente. Ao contrário, é, sim, um mecanismo que joga luz em questões sociais.
Alguns participantes se destacam mais que outros nesse sentido. Todos, no entanto, têm chance de protagonizar esse tipo de discussão. Vai de cada um saber levar a estratégia do jogo e capitalizar essa realidade. Ainda mais quando os participantes já são famosos antes mesmo de ganhar notoriedade através do Big Brother Brasil. Em todo caso, o programa amplia o reflexo de uma sociedade plural e diversa, que tem suas dificuldades de convivência.
O BBB nada mais é do que um experimento social no qual as pessoas aqui fora vivem diariamente. Só que sem serem filmadas o tempo todo. Então, é aí que reside a importância do programa como ferramenta de transformação social. Já que pode nos ajudar a refletir como sociedade sobre os caminhos e rumos que tomamos e como estamos vivendo. A partir de hoje, assista ao programa com outro olhar.
Fábio Luporini

Sou jornalista formado pela Universidade Norte do Paraná e sociólogo formado pela Universidade Estadual de Londrina (UEL) . Fui repórter, editor e chefe de redação no extinto Jornal de Londrina (JL), atuei como produtor na RPC (afiliada da TV Globo), fundei o também extinto Portal Duo e trabalho como assessor de imprensa e professor de Filosofia, Sociologia, História, Redação e Geopolítica, em Londrina.
Foto: Reprodução/TV Globo

