Dois grandes filmes no streaming para assistir no fim de semana

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Por Marcelo Minka

Mais um final de semana e uma nova onda de covid-19. Fique em casa e assista bons filmes.


CODA – No Ritmo do Coração

Foto: Divulgação

O fio condutor da trama de CODA é mais que conhecido, trata de problemas familiares (aliás, de uma família bem diferente), de amadurecimento e enfrentamento da vida, de decisões que podem mudar tudo. A diferença nesta história é que ela é contada através de muitas delicadezas e profundidade nas questões colocadas, tudo temperado com muita, muita emoção.

Nos primeiros minutos você pode pensar que está assistindo uma boa sessão da tarde, mas não se engane, nada ali é previsível. O filme toma rumos em que não pensávamos e sua trama cresce rapidamente, nos segurando na tela segundo a segundo. A roteirista e diretora Sian Heder (Tallulah – 2016) cuida do filme em seus mínimos detalhes, em cada movimento de mão, em cada olhar, em cada silêncio ou bater estrondoso de porta.

CODA é abreviação para Children Of Deaf Adults (filho de adultos surdos) e este é o ponto central de toda a história. A personagem central Ruby, interpretada por Emilia Jones (Brimstone – 2016), acorda todas as madrugadas para ajudar seu pai e irmão surdos em um barco pesqueiro, depois segue para a escola normalmente. Até o dia em que situações inusitadas mudam o rumo da sua vida.

Em exibição no streaming Amazon Prime, o filme é uma excelente sessão da tarde, mas também é uma obra de arte nas entranhas de suas delicadezas. Um lenço não vai dar conta, prepare um lençol para enxugar as lágrimas.

A tragédia de Macbeth

Foto: Divulgação

Este segundo filme, em exibição na Apple TV, necessita de algumas advertências. A mais importante é que o espectador precisa estar preparado para assistir, mentalmente e emocionalmente. De autoria de William Shakespeare e escrita provavelmente em 1603, a adaptação para as telas traz os diálogos no original e, não raramente, a tradução para o português fica complicada. O filme todo foi rodado em preto e branco, e a iluminação e cenografia são completamente teatrais. Dito isto, prepare-se para ver o filme como se você fosse ao teatro, vista-se de um espirito receptivo e deixe o sangue escorrer pela tela de sua tv.

Quando fico sabendo de alguma adaptação de Shakespeare para as telas sempre fico com o pé atrás, porque vai ser muito ruim e raramente muito boa. E esta versão de Joel Coen, aquele dos irmãos Coen (Fargo – 1996), é espetacular. Denzel Washington e Frances McDormand incorporam o casal Macbeth com perfeição e a atriz teatral Kathryn Hunter faz um trabalho corporal indescritível na interpretação das três bruxas. Um dos melhores filmes do ano. Imperdível.

Marcelo Minka

Graduado em licenciatura em Artes Visuais, especialista em Mídias Interativas e mestre em Comunicação com concentração em Comunicação Visual. Atua como docente em disciplinas de Artes Visuais, Semiótica Visual, Antropologia Visual e Estética Visual. Cinéfilo nas horas vagas.

Foto: Divulgação

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