Figurino e atitude: como as personagens 50+ dominaram a segunda temporada de Emily in Paris

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Por Ana Paula Barcellos

Depois de uma espera ansiosa, a segunda temporada da fashion série Emily in Paris finalmente chegou à Netflix em dezembro. Logo que a nova temporada saiu, muito se falou nas redes e revistas sobre a guinada fashion e a evolução do guarda-roupas de Emily, a personagem principal… que nessa season eu achei bem coadjuvante, tanto em questão de estilo quanto de postura.

Depois que o ano virou, começou a pipocar de colunas e análises do comportamento das personagens femininas e parece haver um consenso: Emily ficou apagada borocochô, meio tediosa até em alguns episódios, além de ganhar roupas surpreendentemente horrorosas. Como se para virar um ícone fashion e parecer mais afrancesada nessa etapa da série, ela precisasse dar uma forçada na barra – que é a única definição possível para o figurino da Lily Collins… foi como se tivessem pego um guarda-roupas clichê quero ser fashionista e adaptassem pra fazer caber, achei a proposta caricata e fraca. (Detalhe: a figurinista da série é a Marylin Fitoussi e a consultora de vestuário a Patricia Field, a mesma de Sex and the City).

Dizem que essa pegada é proposital e reflete o lema “bom gosto demais é chato”, mas eu diria que pesaram a mão nisso. Em um comentário numa postagem do Instagram sobre esse assunto, uma usuária definiu a nova fase de Emily como plouc – que quer dizer literalmente caipira, em francês. Em contrapartida, os figurinos das personagens Sylvie (Philippine Leroy-Beaulieu, 57), a chefe de Emily, e Louise (Camille Japy, 53), que aparece pouco mas causa efeito suficiente, são interessantes e plausíveis, caíram no gosto de geral.

“Descombinações clichês”: dá pra sair do comum com mais bom gosto – Foto: Netflix/Divulgação

E não é só no figurino que as personagens veteranas saem na frente: os dilemas (como Sylvie lidando com o preconceito que ainda existe contra mulheres maduras que se relacionam com homens mais jovens) e desdobramentos causados pelas atitudes das duas personagens são muito mais interessantes e complexos, e basicamente norteiam os acontecimentos e encaminham a série nessa temporada, deixando a Emily praticamente em segundo plano.

E se a gente pensar que o ponto forte da protagonista é justamente ser diferente – apesar de ser uma mulher padrão: ela é magra, mas não é modelete – , tantas coisas interessantes poderiam ser apresentadas na evolução da personagem e refletidas em roupas diferentes e bonitas, poderiam ser feitas tantas combinações realmente inteligentes e usáveis!

A série teve renovação confirmada para, pelo menos, mais duas temporadas e essa season termina com uma questão importante em aberto. Sim, Emily in Paris é uma série levinha, bem água com açúcar, do tipo pra assistir nas férias sem ter que pensar muito, mas a gente ainda espera uns acertos e retomadas nos próximos lançamentos? Com certeza. E sendo uma série na qual a roupa tem grande destaque, esperamos boas surpresas nesse sentido também, como não?

O look mais desperdiçado: ficou over, gastou a referência – um top com o tecido do vestido (que tem estampa de ciclistas) e uma calça sequinha lisa teriam dado conta do recado – Foto: Netflix/Divulgação

Curiosa para ver como Sylvie e Louise serão apresentadas a seguir e muito mais interessada no que vem por aí em relação ao figurino delas… Sinceramente, ou colocam a Emily no rumo e acertam essas combinações pavorosas ou ela ainda fica pra trás e não vai ter vestido com laço gigante que dê jeito nisso!

Ana Paula Barcellos

Escritora, designer de joias artesanais, marketeira e pesquisadora de tendências. Trabalha com as marcas Pinacola e Ana Diana.

Foto: Netflix/Divulgação

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