Vários usuários da rede social, inclusive empresas, estão sendo vítimas do golpe em Londrina. Advogado especialista alerta sobre os cuidados para evitar cair no esquema
Telma Elorza
O LONDRINENSE
Minha sobrinha deu o alerta no Facebook: “Pessoal, meu Instagram foi hackeado. Quem puder denuncie, por favor. Estão vendendo coisas e não sou eu”. Foi verificar e realmente uma mulher (que não aparece nos vídeos, apenas as mãos) oferecia produtos como geladeira de última geração, celular e outros produtos eletrônicos por preços bem abaixo do mercado, com a justificativa que estaria mudando e precisaria se desfazer desses itens. Quem realmente conhece minha sobrinha, saberia pelas mãos de unhas longas que aquela não é era. Lógico que denunciei ao Instagram. Mas até aí, muita gente pode ter mandado Pix para adquirir os produtos. Receberam? Claro que não.
É o novo golpe que os bandidos estão passando na população, depois que a maioria já foi alertada sobre o pedido de Pix no Whatsapp com um número de celular desconhecido, se passando por um amigo ou parente. Agora os golpistas invadem contas do Instagram e passam a vender coisas como se fosse a pessoa. Se, do nada, seu amigo começa a se desfazer de produtos caros por preços muito acessíveis, desconfie. Tente contatar a pessoa por outro meio e confirmar as vendas, antes de se empolgar e comprar qualquer coisa.
Segundo o advogado especialista em Direito Digital e Crimes Cibernéticos, Fernando Peres, esse tipo de crime tem acontecimento muito nos últimos meses. “Nós identificamos vários perfis do Instagram, nos últimos dois meses, que foram hackeados em Londrina. E o criminoso, se passando pela vítima, acaba enganando os seguidores com o propósito de vender produtos, mas sem intenção de entrega. Inclusive empresas estão sendo vítimas”, diz. Segundo ele, um pet shop de Londrina que vendia cães de raça foi uma das vítimas. “O criminoso vendeu cães muito mais baratos. Um cachorro que valia R$ 3 mil, ele vendeu por R$1 mil, por exemplo. Além de outros produtos, principalmente eletrônicos. Ele se aproveita da confiança que os seguidores têm naquela empresa para dar o golpe”, afirma.
Segundo ele, um dos compradores lesados comprou uma máquina de lavar e um iPhone, por R$1 mil e R$ 4 mil, respectivamente, muito abaixo do valor original. “E o engraçado é que as imagens que foram utilizados nesse perfil hackeado são as mesmas utilizadas em outros que também foram hackeados. Parece que é uma imagem padrão”, conta. Peres diz que os golpistas ainda aproveitam o perfil para entrar em contato com amigos e familiares da vítima para pedir dinheiro “emprestado”.
De acordo com o advogado, na maioria dos casos, o criminoso faz um procedimento para mudar a configuração de recuperação de conta e solicita a mudança do email de recuperação de conta. “A vítima, desavisada, acaba autorizando, permitindo que a conta seja alterada sem perceber. Quando ela vai ver, não tem mais acesso, já está com o criminoso”, explica.
Peres diz que é preciso tomar muito cuidado quando se recebe um email solicitando alterações no Instagram. “Temos que desconfiar de todas as informações porque, na maioria das vezes, a gente vê correndo, acaba não prestando atenção. É nesse momento de afobamento que a gente acaba fazendo isso. Por isso, muito cuidado com qualquer solicitação, confirmação de alteração de email, de telefone do Instagram ou de qualquer outra rede social. Isso tem acontecido com o Instagram, pode acontecer com qualquer outra rede social”, explica.
Além desse cuidado, o advogado recomenda que se configure as redes sociais com um sistema de dupla autenticação que elas mesmo oferecem e lembrar de atualizar as informações para recuperação da conta. “Se perdemos o acesso precisamos ter essas duas seguranças. Com uma vítima de Londrina, o telefone de recuperação de conta era um telefone antigo, que ela não tinha mais acesso e isso acabou prejudicando bastante esses procedimentos”, conta.
Segundo ele, para a vítima compra alguma coisa é mais difícil recuperar os valores porque os criminosos utilizam Pix. “E o Pix tem acesso quase instantâneo dos valores. O criminoso pode retirar ou transferindo para outras contas que, na maioria das vezes, são contas laranjas. Hoje, para criar uma conta numa instituição financeira, inclusive bancos, como PagueSeguro, Mercado Pago, é muito fácil. É fácil ter um Pix hoje. Por mais que se exija um email, um CPF ou telefone, por muitas vezes são contas falsas. E mesmo que se consiga identificar o criminoso, nem sempre se consegue recuperar o dinheiro”, aponta.
Tanto a pessoa que teve o Instagram quanto quem comprou os produtos devem fazer um boletim de ocorrência na Polícia Civil, de acordo com o especialista. E também, imediatamente, entrar em contato com a instituição que recebeu esses valores e verificar a possibilidade de fazer um bloqueio. “Hoje em dia, o banco, se verificar uma atividade suspeita, pode bloquear as transferências. As novas normas do Pix permitem que o banco postergue as transferências para que ele faça algumas verificações. É uma tentativa, mas nem sempre é fácil”, explica.
Segundo Peres, é preciso muito cuidado quando for comprar algo assim. “Agumas dicas para evitar ser engando são verificar se o destinatário do Pix é o mesmo do conhecido/empresa que estaria vendendo os produtos e dar preferência para transferência por CNPJ. Por mais que haja desculpas que os produtos são de um conhecido, de um amigo, a gente tem desconfiar sim. Não custa nada ligar para a pessoa antes de efetivar o negócio e confirmar se aquelas informações são verdadeiras”, conclui.
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