Por Alessandra Diehl – Psiquiatra; e Rogério Bosso – Psicólogo
O cantor sertanejo Zé Neto, que faz dupla com Cristiano relatou, no último dia 22 de dezembro, em suas redes sociais sobre seu problema de saúde. Além do diagnóstico de covid-19, o cantor também foi diagnosticado com outra doença no pulmão. O cantor não deu detalhes, mas afirmou que a doença é decorrente do uso de cigarro eletrônico, os também conhecidos como “vapes”. E seus stories, na rede social Instagram, o cantor ainda alertou os fãs para que “não mexam com essa porcaria” (SIC), além de dizer que esse tipo de cigarro faz mais mal que os cigarros comuns.
Mas afinal, o que é um cigarro eletrônico?
A Associação Brasileira dos Estudos do Álcool e outras Drogas (ABEAD), em nota técnica emitida em dezembro de 2021, nos ajudará a entender sobre o cigarro eletrônico, sua forma de uso e os malefícios associados.
Os dispositivos eletrônicos para fumar foram lançados no mercado americano em 2007. São produtos movidos a bateria projetados para fornecer nicotina, sabor e outros produtos químicos, em geral, e inicialmente fabricados de forma a se assemelhar ao cigarro convencional. No entanto, hoje o mercado mundial tem uma série de apresentações, tanto no formato, como nas cores, inclusive, na forma de uma pen drive, por exemplo. Este conceito de inovação é uma estratégia repetida da indústria que já foi utilizada nos cigarros de combustão/convencionais para alcançar o público jovem. Diferentemente do cigarro convencional, os cigarros eletrônicos não queimam tabaco e, em vez da fumaça liberada de um cigarro convencional, fornecem um vapor como resultado da inalação do produto encontrado no cartucho. Este produto pode conter nicotina, apenas sabores ou ambos.
Os dispositivos eletrônicos para fumar têm sido propostos como uma alternativa segura para deixar de fumar os cigarros comuns, mas isso não é verdade, veja porquê:
- Os resultados científicos até agora apontam que a sua utilização por tabagistas interessados em rever seu uso de cigarros não tem tido sucesso;
- Os estudos mostram também diversas consequências nocivas à saúde física relacionadas ao seu consumo;
- Do ponto de vista psíquico, promovem a manutenção do uso por tabagistas e, ainda mais grave, a adesão de novos usuários;
- O crescimento expressivo do uso de cigarros eletrônicos por adolescentes que tem sido observado no mundo inteiro;
- O uso de cigarros eletrônicos por adolescentes tem sido associado a aumento nas taxas de uso de cigarro por combustão e de maconha;
- A poluição tabágica ambiental (PTA) e o fumo passivo também estão presentes no uso dos cigarros eletrônicos.
Fumaça não é vapor!
Desta vez, inovam com mais uma importante tática enganosa, substituindo a palavra “fumaça” por “vapor” e não alertando que não se trata de vapor d’água. Tal “vapor” refere-se, na realidade, a partículas de aerossol com substâncias sabidamente tóxicas como propilenoglicol e glicerol, particularmente quando aquecidas, que contaminam o ambiente e lesionam os pulmões de quem as inala ativamente ou passivamente.
ATENÇÃO: essas substâncias acima citadas têm ligação de causalidade entre sua exposição e o desenvolvimento de câncer e, portanto, NÃO EXISTE QUALQUER NÍVEL SEGURO DE CONSUMO, já que a cada exposição mais mutações do ácido desoxirribonucleico (DNA) são geradas de forma cumulativa.
Aumento do número de jovens utilizando cigarros eletrônicos
Apesar da diminuição do uso do cigarro no mundo, o consumo de cigarros eletrônicos tem aumentado, particularmente, no público jovem.
Mas por que os cigarros eletrônicos ficaram tão populares?
Essa popularidade se dá, em parte, pela percepção que os cigarros eletrônicos são menos nocivos que os cigarros convencionais. Os cigarros eletrônicos tornaram-se os produtos de tabaco mais usados entre os jovens nos EUA e com taxas crescentes em outros países. Sabores e aditivos de frutas ou sabor de menta e ainda, com maconha, têm seduzido crianças e adolescentes. As primeiras pesquisas sugerem que o uso de DEFs apresenta um risco maior de uso subsequente de tabaco mais tarde na juventude e na idade adulta. Mas com o uso dos cigarros eletrônicos, tantos os adolescentes, quanto os adultos, geralmente estão expostos a riscos e alguns dos efeitos de longo prazo destes cigarros eletrônicos são:
- Lesão pulmonar associada ao uso de cigarro eletrônico;
- Câncer de pulmão;
- Prejuízos em fumantes passivos;
- Lesões traumáticas, térmicas e intoxicações agudas;
- Repercussões para o feto de gestantes;
- Repercussões periodontais.
Faça como o cantor Zé Neto, alerte seus amigos, familiares e seguidores das redes sociais sobre os riscos de se usar os cigarros eletrônicos e compartilhe essa informação!
Foto: Pixabay

