Eu tenho uma fantasia que me deixa com vergonha e muito mal

TIATELMA (2)

Por Telma Elorza

“Vou contar algo que nunca contei pra ninguém. Morro de vergonha e queria saber se é normal. Eu tenho uma fantasia de ser estuprada. Não estupro realmente, praticado por um desconhecido, mas por meu parceiro, que me pegue de surpresa, sem eu estar esperando algo do tipo. Sei que estupro é crime e não desejo isso para ninguém. Mulher nenhuma merece passar por isso. Mas pensar em meu parceiro me forçando, me dominando e eu resistindo, me excita muito. Às vezes me masturbo pensando nisso. Não tive coragem de pedir para nenhum dos meus namorados por medo de ser julgada e fico mal. Devo procurar por ajuda profissional?”

Para o leitor, o depoimento dessa moça pode parecer inacreditável. E antes que comecem os julgamentos, porque estupro é, sim, uma violência sem igual, é preciso atentar para um detalhe: ela não quer realmente ser estuprada. Ela quer um parceiro que a domine, que use até uma certa brutalidade. Há uma grande diferença entre essas duas coisas.

O fetiche de ser dominada com características de estupro é mais comum que se imagina. Muitas mulheres imaginam passar por um sexo violento, sem carícias preliminares, enquanto resistem. Mas isso não pode NUNCA ser justificativa para o estupro real.

A fantasia pode ter várias origens, mas as duas mais comuns são forma de criação moral/religiosa rígida e uma vontade inconsciente de sentir irresistível ao sexo masculino. No primeiro caso, a mulher foi criada com a ideia antiquada de que sexo é sujo, violento e que “mulher direita” não deve sequer pensar em fazê-lo, a não ser com o próprio marido e olhe lá, só para fins de procriação. Para essas, o “falso estupro” tiraria a culpa por sentir prazer nas relações sexuais. Afinal, o sexo não dependeria dela, ela teria sido “tomada à força”. No outro extremo, pode estar a mulher que inconscientemente busca confirmação de seus poderes de sedução. O homem não teria conseguido se controlar perante sua beleza e fascínio. Isso seria a comprovação de que é “irresistivelmente desejável”, o que leva os homens à loucura.

Para entender melhor a raiz da fantasia, seria bom mesmo procurar um especialista. Pode ter coisas mais subconscientes que precisariam ser trabalhados com psicólogos, principalmente se isso trouxer dor e sofrimento. A vergonha que a leitora tem até de falar da fantasia para um parceiro me parece motivo suficiente para buscar ajuda. Assim, se entendendo melhor, pode ser mais feliz.

Em outro aspecto, sugiro que a leitora, enquanto lida com essas questões psicológicas, experimente a prática de BDSM (Bondage, Disciplina, Dominação e Submissão e Sadomasoquismo). A dominação consensual pode satisfazer seu desejo e ser melhor aceita pelo parceiro. Sugiro experimentar bondage, que já tratamos aqui, nesta coluna, O bondage, com suas várias técnicas de imobilização, lhe daria a submissão necessária para satisfazer a fantasia. Mas sempre estabeleça uma senha de segurança: uma palavra que indique que é hora de parar. Com prática, o companheirismo e a confiança que desenvolvem podem levar ao ponto de se abrir com o outro e, finalmente, realizar a fantasia que a perturba.

Foto: Pixabay

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Quem é Telma Elorza, a Tia Telma?

Jornalista, divorciada, xereta por natureza e que sempre se interessou muito por sexo. Com a vida, aprendeu várias coisas, mas a principal é que sexo é uma coisa natural e deve ser sempre prazeroso.

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Respostas de 4

  1. O mais curioso para mim foi ela ter dito: “Não tive coragem de pedir para nenhum dos meus namorados por medo de ser julgada e fico mal.”, considerando que sofro de Ninfomania e um de meus fetiches se assemelha bastante a esse e, JAMAIS eu pediria ao meu parceiro para me pegar à força, tão somente e, simplesmente porque perderia TOTALMENTE a graça para mim. Somente vou ao auge em determinada situação se o cara NÃO possui conhecimento de eu ter tal fetiche e, o realiza, pois ele sabendo de meu fetiche, perde a graça para mim porque aí eu saberia que ele só me pegara à força por isso. A graça para mim, o auge, é o parceiro realizar um fetiche que tenho NATURALMENTE!

    Ademais, vergonha em contar?! Por quê?! Se contar não estraga com a realização do fetiche, não há lógica em ter vergonha de revelá-lo à uma pessoa com a qual ela possui imensa intimidade, vez que transam.
    Agora, para mim, estragaria totalmente! Se ela aí tivesse dito ter vergonha de relatar à outras pessoas, eu entenderia e, muito bem, mas… vergonha do próprio parceiro?!

    Outrossim, fico perplexa com as análises de psicólogos pela internet a respeito dos fetiches das mulheres, sugerindo que elas com eles compartilhem de seus fetiches, pois a partir do momento que uma mulher compartilha com seu parceiro de seu fetiche, ele DEIXA de existir!

    Conclusão: fetiche é algo que nos é totalmente pessoal!

    “Ahh… mas aí como o cara poderá realizar o fetiche de sua parceira se não souber que ela o tem?!”

    Uai, não realizará e, ponto final!

    Pois se ele realizá-lo porque ela o revelara, perde toda a graça!!

    Assim sendo, se um dia ele do nada, resolver de cometer tal ato, NATURALMENTE estará realizando seu fetiche e, até que isso aconteça, se ela for ninfomaníaca, estará sempre em busca por realizar esse fetiche, como tantos outros oriundos de seus pensamentos intrusivos, conhecendo outras pessoas, relacionando-se com outras.
    OBS: a ninfomania não se resume à imensa necessidade de sexo assíduo pela mulher, mas sim, a imensa necessidade de realizar seus fetiches, que sem isso, somente o ato sexual em si, não é capaz de satisfazê-la e, os seus fetiches são inúmeros!

    PS: normalmente a ninfomaníaca já fora vítima de estupro, seja na infância, ou adolescência.

    O meu fetiche não é ser exatamente “falsamente” estuprada, mas sim, fazer com quê o parceiro acredite que eu realmente não transarei com ele porque ele não fizera algo que eu lhe pedi e, ele prometer que poderemos sair porque nada tentará, assim acreditando que eu estaria sendo ingênua por nele acreditar e, confiar e, na hora, descumprir sua palavra, violando a regra, qual seja: de eu somente aceitar de sair com ele para conversar, sem que ele tentasse ter sexo comigo, só que ele tem, viola a regra, bem demonstrando com isso de ter simplesmente mentido, me enganado. Ainda não descobri que nomenclatura haveria para esse tipo de fetiche, mas se resume à uma imensa excitação em presumir que o parceiro pretendera me enganar mesmo, me achando muito ingênua.
    Eu lhe faço um pedido que sei de não ser possível de ser atendido, tipo “Só transo contigo novamente se você assumir um relacionamento comigo.” sabendo que ele não pode fazer isso, porque, por exemplo, já é compromissado com outra pessoa, aí isso peço simplesmente esperando que ele se esforce para tentar me enganar e acredite que realmente está me enganando. Ou ele diz “Mas saíremos apenas para conversar um pouco!” (já com o intuito de me enganar, na hora transando.), ou ele me diz “Oks, deixarei de fulana e assumirei um relacionamento contigo, mas preciso de mais um tempo para isso, enquanto isso, vamos sair, tá… você aceita?! Depois assumo o relacionamento contigo.”, todavia, promessa mentirosa e que eu bem já sei de ser, enfim, é mais ou menos por aí, logo… se eu revelo a ele meu fetiche, DEIXA de fetiche SER! Aí é que fico perplexa de logo os psicólogos que mais deveriam de entender a mente humana, sugerirem às mulheres para partilharem de seus fetiches com seus parceiros, ou seja, revelá-los a eles.

    Outra coisa: o proibido sempre me atraíra muito. Será por isso então o meu fetiche em o parceiro descumprir uma promessa feita a mim e, violar a regra que a ele ditei “Oks, topo de sair contigo novamente, mas dessa vez somente para conversarmos e deves me prometer que nada tentarás.”, aí ele promete e não cumpre com o prometido.

    Isso somente deu certo por duas vezes e com a mesma pessoa, porque posteriormente ele passou a achar que deveria de ser de palavra, acreditando q assim estaria sendo honesto comigo e, então à estar a me agradar. Tsc tsc… razão pela qual dele me afastei.

    Só um adendo quanto ao meu comentário acima: se o meu fetiche consiste no fato de saber que o meu parceiro ACREDITA de estar me enganando, me fazendo de trouxa, como poderei revelá-lo a ele para que ele o realize a mim, se aí JAMAIS ele poderá acreditar de estar me enganando?! Pois aí sua atitude e comportamento fora combinado comigo, logo, ele bem saberia que eu NÃO estaria sendo por ele enganada e, eu bem sabendo disso, não teria como estar realizando o fetiche que comporta a sensação de ser feita de boba, ou seja, de o cara acreditar que está me enganando, posto que sabendo que eu gostaria que ele acreditasse de estar me enganando e ele sabendo disso jamais acreditaria de estar! Como pode logo os psicólogos nunca terem pensando nisso ao ponto de sugerirem às mulheres para partilharem de seus fetiches com seus parceiros?!
    E a moça do relato aí, se não tivesse vergonha de seu parceiro, a ele revelaria seu fetiche de ser por ELE falsamente estuprada, mas aí ele ao tentar realizar seu fetiche NÃO estaria de fato parecendo de estar a estuprando. Assim sendo, como ela ainda poderia se sentir estuprada e então à estar realizando seu fetiche?! Não seria nada mais, nada menos, que pura peça teatral. Geent, inexiste qualquer lógica e sentido nisso!

    E da prática BDSM (embora não seja o assunto aqui), para que uma mulher seja realmente adepta, é imprescindível que ela seja VERDADEIRAMENTE submissa, só que para que realmente seja, também, JAMAIS, ela poderá revelar de ser adepta, principalmente ao parceiro, ou seja, ao cara com quem se relaciona sexualmente, aí na internet também já vi muitos psicólogos dizendo que ela deve revelar os fetiches oriundos dessa prática, ao seu parceiro. Tsc tsc… os psicólogos desconhecem a mente humana. Incrível!

    Ops! Perdão à jornalista que abrira essa publicação do relato da tal moça, pois verificando aqui agora, constatei de não ser uma psicóloga, conquanto, enfim, muitos psicólogos realmente sugerem às mulheres na internet para partilharem de seus fetiches com seus parceiros, os revelando a eles, demonstrando com isso o desconhecimento da mente humana.

    1. Dependendo do comentário ele é realmente apagado. Não aceitamos comentários chulos, propagandas e que deixem telefone ou email de contato.

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