Movimento de Moradores de Rua fará assembleia para discutir lei “antivadiagem”

morador-de-rua

Reunião está marcada para as 18 horas, na Concha Acústica

Telma Elorza

O LONDRINENSE

Revoltados com a indicação da criação de uma lei antivadiagem em Londrina, moradores de rua vão fazer uma assembleia geral, neste sábado, às 18 horas, na Concha Acústica. A ideia é discutir os problemas da população em situação de rua, a falta de abrigos e de oportunidades no Município, e pressionar as autoridades para que a lei não seja aprovada. Hoje, Londrina tem mais de mil pessoas morando nas ruas, segundo os últimos levantamentos oficiais da Secretaria Municipal de Assistência Social.

A indicação de projeto de lei foi aprovada pela Câmara de Vereadores de Londrina. De autoria do vereador Santão (PSC), a proposta quer impedir que moradores de rua ocupem locais públicos – calçadas, parques e praças, marquises de prédios públicos – e bloquear benefícios financeiros para aqueles que não se submeterem a exames toxicológicos. A indicação é uma espécie de “pedido” ao Executivo para que este mande um projeto de lei para a Câmara para ser votado. Os vereadores não podem criar uma lei desse tipo por si só, por vício de iniciativa, o que configura inconstitucionalidade. A indicação foi aprovada por 11 dos 19 vereadores e teve repercussão nacional.

Segundo o coordenador do Núcleo Londrina do Movimento de Moradores de Rua do Paraná (MNPR), Leonardo Aparecido Gomes,, a assembleia foi pedida pelos próprios moradores e que o Núcleo vai ouvir as reivindicações e dar as orientações possíveis. “Eles estão muito bravos com os vereadores que aprovaram essa indicação. Porque os vereadores não estão interessados em resolver a situação, só querem nos ‘apagar’ ainda mais. O morador de rua, em Londrina, não tem abrigo, não tem emprego, não tem oportunidades. Querem nos por onde?”, diz. Segundo ele, é preciso investir em políticas públicas para resolver a situação. “Não é tirar dos locais se eles não tem pra onde ir. Tiraram o pessoal da rodoviária, eles foram todos pra frente do Centro Pop”, aponta.

Leonardo, que viveu cerca de 20 anos na rua, diz que só conseguiu sair dessa situação com o apoio do CAPS Álcool e Drogas (CAPS-AD). “Mas só temos um CAPS desse, que não dá conta de atender a população em geral”, diz. Segundo ele, em vez de chamar essa população de vadios, os vereadores deveriam pressionar o Executivo para criação de mais casas-abrigos e novos CAPS-AD. “As pessoas aceitam sair da rua, desde que tenham para onde ir. A pessoa sai do CAPS e vai pra onde? Não tem um treinamento, uma capacitação para arrumar um emprego. A família não abre mais as portas. Ela acaba voltando para rua”, afirma.

De acordo com ele, muitos dos moradores de rua de Londrina são de outras cidades, que vem para cá em busca de auxílio ou são “despejados” na cidade. “E essa população está crescendo a cada dia. Cada dia que vou na ruas, tentando contar o número, cada dia tem mais gente. Já perdi todas as contas. Com a pandemia, a coisa piorou. Pessoas que estavam em recuperação, ficaram impedidos de trabalhar, de se reerguer. Voltaram para a rua”, afirma.

Foto: Pexels

Compartilhe:

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Anuncie no O Londrinēnse

Mais lidos da semana

Anuncie no O Londrinēnse