O clamor da Natureza que vem das chuvas e tempestades

tempestade

Por Renato Munhoz

As últimas chuvas em Londrina e região nos mostraram a força da natureza e que estes fenômenos estão cada vez mais próximos do que imaginamos.

Alta precipitação de chuva, ventos acima de 70km por hora, chuva de granizo, árvores caindo, telhados ao vento, estruturas inteiras ameaçadas. São na verdade consequências de um fenômeno que vem acontecendo cada vez mais no mundo todo. E que é resultado da forma como nós, humanos, estamos tratando a natureza.

Algumas questões tem influência direta com o aumento das catástrofes naturais, sobretudo em regiões que de certa forma estariam menos vulneráveis como é o caso do Brasil.

O alto índice de emissão de carbono na atmosfera tem contribuído para o aquecimento da camada atmosférica, aumentado o buraco na camada de ozônio e consequentemente elevando as temperaturas no Globo Terrestre. Esse aumento de temperatura tem colocado nosso planeta em situação de alerta. Quanto mais alta a temperatura do planeta maior desiquilíbrio nos processos naturais de condensação, evaporação. Aumenta significativamente também o derretimento das geleiras, elevando o volume de águas no oceano. Aumentando o risco de enchentes e desequilibrando todo sistema marítimo, importante ecossistema para a vida na terra. Muitas espécies estão ameaçadas nos oceanos devido ao aumento de temperatura da água.

A poluição da água potável gera um alerta eminente, gerando escassez e crise hídrica.

No caso do Brasil especificamente, o modelo de desenvolvimento adotado desde a colônia, através da expropriação do território, desmatando desde sempre, retirando as condições naturais. Impondo um modelo de crescimento econômico que é ampliado ainda mais com o desenvolvimento da indústria e de um modelo de agricultura, que tem na sua base a retirada da floresta para o plantio e criação de gado. Quem pagou o alto preço pelo modelo de desenvolvimento foi sem dúvida a natureza.

DESMATAMENTO

Ao retirar ou expropriar as condições naturais do ambiente, as alterações climáticas podem não ser imediatas. Mas cria uma vulnerabilidade que não era existente antes da ação humana. Ou seja, um ambiente que consegue se proteger por si só através da sintropia, onde as espécies cumprem um papel dentro do sistema, é violentado brutalmente sem nenhum tipo de planejamento e o rastro de destruição, produz um efeito com resultados por um longo período de tempo.

QUEIMADAS

Além do desmatamento, o modelo escolhido para o manejo da terra e da natureza, utilizou-se das queimadas. Perdura até hoje esta cultura e tem sido responsável por grande parte da destruição das florestas no Brasil. As queimadas retiram do solo e do ar a umidade, produzindo um efeito devastador de aprisionamento das chuvas.  E promovem precipitações concentradas com grandes volumes.

DUAS MUDANÇAS IMPORTANTES:

1 – Mudança de Consciência. É preciso iniciar dentro de cada um e cada uma de nós uma nova relação com o ambiente. Onde sejamos cooperadores e não usurpadores da natureza. As tarefas cotidianas produzem efeito silencioso mas duradouro. A Educação Ambiental é produtora de uma nova geração que começa a enxergar-se na natureza, como parte dela e não fora. Todo dia uma semente deve ser plantada por nós. Para que tenhamos resultados futuros.

2 – Alternância de Modelo. Sabemos que não conseguiremos alterar de uma vez o modelo de desenvolvimento. Até porque de certa forma ele promove a Economia. Mas é preciso e urgente pensar e organizar novos modelos de desenvolvimento. Estes novos modelos passam pela formação de uma consciência mais orgânica, do ser humano como parte integrante do Ecossistema e também por aquilo que Edgar Morin chama de uma nova Ética Planetária. Onde a natureza também seja sujeito e tenha seus direitos garantidos. Construindo uma relação de participação de todos os elementos que fazem parte dela. Saber ouvir a natureza será fundamental para as futuras gerações. Novos sujeitos capazes de ouvir os gritos e apelos da natureza. E atender suas necessidades.

Tudo o que está acontecendo com aumento preocupante da frequência é um grito, um clamor, daquilo que nossos povos indígenas chamam da mãe terra, a “Pacha Mama”. Não é o fim ou o caminho para este. Mas uma oportunidade através de cada sinal que a natureza nos dá. Que saibamos educar nossos sentidos para sentir junto com ela as dores que ela sente, e sejamos capazes de respondes a estes apelos com projetos de Sustentabilidade que serão capazes de ir inibindo aos poucos todos estes sinais. É um longo caminho. Mas sejamos capazes de dar os primeiros passos ainda hoje.  

Renato Munhoz

Professor, teólogo historiador. Pós Graduando em Educação Ambiental e Sustentabilidade. Coordenador de Projetos do COPATI (Consórcio para Proteção Ambiental do Rio Tibagi).

Foto: Pexels

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