Anvisa mandou recolher um lote com mais de 330 mil doses por mudança no processo fabril do Instituto Butatan, o que paralisou aplicação das vacinas em Londrina
Telma Elorza com assessorias
O LONDRINENSE
A Secretaria de Estado da Saúde (SESA) emitiu uma nota, neste domingo (5), informando que um lote (202108112H), com 338.200 doses da Coronavac (em parceria com a farmacêutica Sinovac), que estava previsto para chegar ao Paraná, teve que retornar para São Paulo, após a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) determinar a verificação da carga em razão da mudança no processo fabril do imunizante no Instituto Butantan. Isso acarretou a suspensão da aplicação da primeira dose da vacina em Londrina, para a população de 21 anos ou mais.
Segundo o secretário municipal de Saúde, Felippe Machado, todos as pessoas que haviam feito agendamento serão avisados por mensagem de texto. “Aproximadamente cinco mil pessoas haviam feito o agendamento até o final de semana. Nós vamos informá-los a respeito da impossibilidade de atendimento já que as vacinas que viriam para Londrina, cerca de 12.400 doses, era para atender esse público”, disse.
O secretário disse que há expectativas de um novo lote chegar a Londrina ainda esta semana. “Mas a gente não sabe a quantidade. Por isso, de forma preventiva e para evitar transtornos, a gente retornou o cadastro de mais de 11 mil pessoas que haviam sido liberadas para agendamento até que tenhamos a tranquilidade de saber quantas vacinas vamos receber e aí sim, reiniciar esse processo de validação”, explicou.
Segundo Machado, as pessoas que receberam os lotes que haviam sido distribuídos anteriormente e com o mesmo problema do lote recolhido serão acompanhadas. “A recomendação da Anvisa é que essas pessoas sejam monitoradas. Em Londrina, foram 53 pessoas que receberam esse lote, todas no final de julho, e não identificamos nenhuma reação adversar ou atípica. No entanto, de posse desses nomes, vamos fazer contatos telefônicos para acompanhar”, explicou.
De acordo com o secretário, a aplicação da segunda dose vai continuar normalmente, inclusive durante o feriado. “Quem agendou sua segunda dose amanhã, quarta, quinta-feira, deve comparecer ao local agendado, nada muda”, afirmou.
A Anvisa decidiu recolher os lotes da CoronaVac, proibindo a distribuição e o uso, porque foram envasados em planta fabril não aprovada na Autorização de Uso Emergencial (AUE). A agência foi comunicada pelo Instituto Butantan que o parceiro Sinovac, fabricante da vacina CoronaVac, enviou para o Brasil 25 lotes na apresentação frasco-ampola (monodose e duas doses), totalizando 12.113.934 doses. A unidade fabril responsável pelo envase não foi inspecionada e não foi aprovada pela Anvisa na Autorização de Uso Emergencial da referida vacina. O Instituto informou ainda que outros 17 lotes, totalizando 9 milhões de doses, também envasados no local não inspecionado pela Agência, estão em tramitação de envio e liberação ao Brasil. Segundo a Anvisa, nesses termos, a vacina envasada em local não aprovado na AUE configura-se em produto não regularizado junto ao órgão.

