“Nos tempos do imperador”, a primeira novela da TV Globo inédita que vai ao ar depois do início da pandemia do novo coronavírus, leva às telinhas a História do Brasil. É, na realidade, a segunda, de uma trilogia que começou com “Novo Mundo” (2017) e que poderá terminar com a princesa Isabel no protagonismo de um terceiro folhetim, a depender do sucesso deste que já está no ar. A questão é: nós, brasileiros, não conhecemos a nossa própria História como país.
Já faz tempo que não tenho o costume de assistir telenovelas, não porque sejam ruins ou qualquer crítica do gênero, mas, sobretudo, por falta de tempo e costume. Entretanto, peguei-me comentando sobre “Nos tempos do imperador” dias atrás, a partir do olhar histórico. E, junto com amigos, perdemo-nos historicamente. Não sabíamos dizer quando é que Dom Pedro I foi pai de Dom Pedro II, quando e por que a imperatriz Leopoldina morreu, e por aí vai.
Percebemos que a História do Brasil é muito mais que datas como 1808 (chegada da família real), 1822 (independência do país de Portugal), 1888 (abolição da escravatura) e 1889 (proclamação da República). Existem muitos e muitos acontecimentos nesse meio tempo que são importantes e fundamentais para se entender o presente. Por isso, aparte a romantização característica de uma novela, levar a História do país como protagonistas em rede nacional ajuda a fixar na memória quem nós somos.
“Novo Mundo” contou a história de Dom Pedro I e da imperatriz Leopoldina. “Nos tempos do imperador” leva ao ar a vida de Dom Pedro II. E a terceira possível novela vai contar a história da princesa Isabel, que já aparece neste folhetim. Saber quem são, o que fizeram, com quem se envolveram e que decisões tomaram é importantíssimo. E, se a educação é falha em muitos aspectos porque os governos se sucedem no papel de desmontá-la e desestruturá-la – ainda mais esse que está no poder –, a ficção contribui para educar. O que é extremamente necessário. Não é clichê lembrar que conhecer o passado ajuda a entender o presente e não repeti-lo no futuro.
Fábio Luporini

Sou jornalista formado pela Universidade Norte do Paraná e sociólogo formado pela Universidade Estadual de Londrina (UEL) . Fui repórter, editor e chefe de redação no extinto Jornal de Londrina (JL), atuei como produtor na RPC (afiliada da TV Globo), fundei o também extinto Portal Duo e trabalho como assessor de imprensa e professor de Filosofia, Sociologia, História, Redação e Geopolítica, em Londrina.
Foto: Divulgação/Rede Globo


Uma resposta
A história já começa errado com o faz de conta de 1500 que as tordesilhas poe em contradição. As revoltas então não recordamos sequer as da república, quiçá as da colônia e império. Seria o desconhecimento o motor dos atos antidemocráticos?