A música do vizinho

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Cara, eu curto rock! Sou um jovem há mais tempo e já tive vários vizinhos de gosto musical diferentes. Em uma época distante, tipo anos 80, 90 e começo de 2000 foi massa, meus vizinhos eram todos rocker’s e escutávamos praticamente a mesma “parada.” Quantas vezes eu acordei de manhã e um vizinho estava escutando Titanomaquia, dos Titãs, e outro Rocket To Russia, dos Ramones. Bons tempos esse! Aproveitando, e isso é um preferência particular, “tá?” Titanomaquia e Rocket To Russia, para mim, são os melhores discos dessas duas bandas.

O tempo foi passando e com ele bandas acabaram, surgiram, mudaram de formação, outros tipos de rock foram aparecendo. Muitos de nós passamos a escutar essas novas bandas e as velhas, todos acordávamos felizes.

Eis que tudo mudou, a música deu uma invertida geral, tanto aqui no país dos tanques do fumacê, como no estrangeiro. O som que hoje toca nas rádios abertas para mim não dá.

Os bons vizinhos mudaram, cada um seguiu com sua vida. Uns casaram, outros mudaram de país e outros se perderam na vida.

Eu casei com Angela e lá vamos nós procurar nosso santuário. Achamos! Juntamos, além dos trapos, os discos e fomos para nova casa. Na segunda noite, meu camarada, descobrimos que mudamos ao lado de uma república, até ai tudo ok. O problema foi quando eles ligaram o som, nosso ouvido levou um susto! Os caras escutavam só o maldito sertanejo universitário, que é a modinha do momento, junto com o funk. Cara, que era aquilo? Os “maluco” escutavam aquela música alta e cantavam a plenos pulmões e o pior eram letras. Castro Alves devia e até hoje deve se revirar no túmulo, de raiva.

O pior que tinha um cara que a namorada largou dele, esse sujeito bebia e colocava aquela música de ”sofrência” alta, chorava e cantava, isso até de madrugada, quase que pedi o telefone da menina pra falar pra ela voltar com o “dormi na garagem pensando nela”.

 Quando a gente achou que não podia piorar, vieram as festas. Já da pra imaginar né? Chegavam as mulheradas e a “Twomorrowland” da música ruim começava. De manhã eram copos e garrafas quebradas na calçada, aquela visão marota do inferno.

 Até que um dia vieram os pais de alguns deles e levaram todo mundo embora. Um brinde aos pais!

Acabamos mudando de casa também. Além da música ruim que éramos obrigados a escutar, a casa era mal assombrada.

Hoje, na casa atual, as coisas estão muito melhor. Até tem um vizinho que tirava o carro da garagem e para mostrar o som potente colocava funk super alto. Só por Deus para aguentar aquilo, não sei o que aconteceu e só agradeço, mas ele parou. Nessa eu me pergunto: Quem tem o melhor som no carro, tem o pior gosto pra música?

Eu e Angela temos consciência e não colocamos nosso rock ouvidos adentro dos nossos vizinhos, eles também não são obrigados a ouvir a nossa música. Respeito cabe em qualquer lugar.

Bora sem música do vizinho!

Bora pro Rock!

Foto: Acervo pessoal

Rogerio Rigoni


Foi comerciante a vida toda, se rebelou e assumiu seu lado de escultor. A música que sempre foi sua paixão! Rock and roll na vida e na arte!

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