O que Platão tem a ver com os Jogos Olímpicos?

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Considerado um excelente atleta, Platão se encantou com as reflexões filosóficas quando se tornou discípulo de Sócrates. Nesse tempo, já havia participado dos Jogos Olímpicos, famosos na Grécia Antiga, como lutador. Mas, as Olimpíadas perderam Platão para a filosofia, que o transformou num dos mais importantes pensadores do mundo até hoje. Apesar disso, sua participação olímpica lhe rendeu importantes pensamentos acerca da ética, os quais estão vivos atualmente e são importantes para nortear as ações humanas.

A origem dos Jogos Olímpicos remonta a 2,5 mil antes de Cristo, com o herói mitológico Hércules, que teria criado os jogos para homenagear o pai, Zeus, o deus dos deuses. Entretanto, os primeiros registros históricos datam de 776 a.C., com o registro dos vencedores. E por que se chama Olimpíada? É que, na época, para a realização das competições, os reis de Ilia, Esparta e Pissa fizeram uma trégua sagrada durante os jogos, celebrada no santuário de Olímpia. Daí a origem do nome.

Mas, o que Platão tem a ver com a Olimpíada, exceto pelo fato de ter lutado? É que os jogos tinham como objetivo celebrar todas as potencialidades físicas do corpo humano. Não somente a beleza, tão cara aos gregos, mas, sobretudo, a força e a saúde física. Platão, por sua vez, na filosofia ética, lança luz sobre outro aspecto, diferente do corpo: a alma. Para ele, o corpo é o “cárcere da alma” e cabe a ela suprimir todos os desejos corporais e mundanos. É o que chamamos de dualismo platônico, ou seja, sua teoria acerca dos dois mundos: o do corpo e o da alma.

Com Platão, valores como saúde física, beleza do corpo, riqueza e juventude deram lugar ao conhecimento do bem, à orientação pela razão, à supressão dos instintos e desejos corporais. Obviamente o filósofo não é contrário aos Jogos Olímpicos. Nem eu! Mas, como sociedade, é preciso dar valor ao que, segundo o pensamento platônico, não morre: a alma. De acordo com ele, a alma é imortal e vive no mundo inteligível. Não parece a teoria cristã da vida eterna? Aliás, antes mesmo de Cristo!

Fábio Luporini

Sou jornalista formado pela  Universidade Norte do Paraná e sociólogo formado pela Universidade Estadual de Londrina (UEL) . Fui repórter, editor e chefe de redação no extinto Jornal de Londrina (JL), atuei como produtor na RPC (afiliada da TV Globo), fundei o também extinto Portal Duo e trabalho como assessor de imprensa e professor de Filosofia, Sociologia, História, Redação e Geopolítica, em Londrina.

Foto: Miriam Jeske/COB

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