Cidade apresenta 2,338% de taxa quando o Estado está com 2,267%. Maioria dos óbitos é de pessoas com comorbidades
Telma Elorza
O LONDRINENSE
A taxa de letalidade por covid-19 de Londrina está acima da média do Paraná. Enquanto o Estado registra uma letalidade de 2,267% mortes por milhão de habitantes, Londrina – com 575.337 habitantes, segundo estimativa do IBGE – tem uma taxa de 2,338% por milhão. O Brasil registra uma média de 2,701%. O que pode estar acontecendo?
Dos 11 óbitos por covid-19, divulgadas na noite desta quinta-feira, no boletim epidemiológico da Secretaria Municipal de Saúde de Londrina, todos tinham comorbidades, que são doenças preexistentes como diabetes, hipertensão, asma e tuberculose. Do total, 36,36% das mortes foram de pessoas com menos de 60 anos: duas mulheres, uma de 31 e outra de 49 anos; e dois homens, um de 33 e outro de 34 anos.
Não seria o caso de priorizar, na vacinação, quem tem comorbidades para evitar esse alto número de mortes, especialmente aqui em Londrina, que a covid está matando a rodo?
Segundo o secretario municipal de Saúde, Felippe Machado, não. De acordo com ele, quem define os grupos é o Governo Federal. “Os municípios não têm autonomia para fazer isso”, diz. Segundo ele, é importante fazer outra análise nesse sentido. “Hoje, 80% dos óbitos são em idosos, que normalmente já têm comorbidades. Antes de iniciar a vacinação deles, o número percentual era maior ainda 87% aproximadamente”, afirma.
Mas, apesar da alegada falta de autonomia para alterar o calendário para proteger pessoas com doenças crônicas, como a diabetes, o próprio site do Ministério da Saúde aponta que apenas “recomenda” que Estados e Municípios sigam o calendário de vacinação do
Plano Nacional de Operacionalização. “Com a lógica tripartite do Sistema Único de Saúde (SUS), estados e municípios têm autonomia para montar seu próprio esquema de vacinação e dar vazão à fila de acordo com as características de sua população, demandas específicas de cada região e doses disponibilizadas,” diz o site.

Será que não é caso das autoridades deixarem de lado a inércia e rever as prioridades, para evitar mais mortes? Vacinar quem tem comorbidades, independente da idade, pode salvar muitos londrinenses. No entanto, ainda não há sequer a previsão de quando esse público será vacinado, segundo o secretário.
Foto: Divulgação/HU-UEL

