Onde tudo isso vai parar?

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Enquanto faltam oxigênio, vacinas contra o coronavírus e leitos hospitalares para acomodar os doentes pela Covid-19, no Brasil, sobram ao governo R$ 15 milhões gastos em leite condensado, R$ 2,2 milhões em chicletes, R$ 2,5 milhões em vinho (nem eu que sou um apreciador da bebida gostei dessa notícia amarga) e mais de R$ 32 milhões em pizzas e refrigerantes. Os valores absurdamente divulgados e ridiculamente justificados pelos representantes políticos são uma afronta em um país que carece de investimentos e recursos.

À época da notícia, como sempre, muita indignação foi destilada nas redes sociais. Volta e meia surgem aqui ou acolá informações sobre gastos exacerbados com lagosta, com isso ou com aquilo. Sem contar os enraizados benefícios e auxílios paletó, moradia, transporte, etc. Toda essa situação lembra-me os prenúncios da Revolução Francesa, quando a monarquia absolutista liderada pelo casal Luis XVI e Maria Antonieta estava completamente desconectada com a realidade do povo.

Enquanto as pessoas fora dos palácios passava fome, sofria com pestes e era obrigada a pagar altas taxas de impostos, a realeza junto dos nobres esbanjava luxo dentro dos palácios. Não demorou muito que a situação insustentável se transformasse numa revolta popular capaz de mudar os rumos da história e transformar os regimes, trazendo consigo a república democrática. Obviamente alguns rebeldes políticos estavam na liderança. De qualquer forma, tão logo a realidade brasileira chegue ao limite, as lideranças políticas sentirão o peso das ruas.

Infelizmente, no país, a cordialidade do brasileiro exposta pelo pensador Sérgio Buarque de Holanda, impede-o de ser crítico e revolucionário. Talvez por isso as autoridades se acomodem em seus confortáveis benefícios e usos usurpadores do poder. E, além disso, quando surgem lideranças contrários ao status quo, normalmente, há interesses político-econômicos por trás de tudo. Mesmo assim, alguns sinais de descontentamento começam a aparecer, principalmente, atrelados à perda de poder aquisitivo, porque quando mexe no bolso do brasileiro, aí, sim, ele fica uma fera: altos índices de desaprovação do governo, elevados níveis de responsabilidade governamental, e assim por diante. Onde tudo isso vai parar?

Fábio Luporini

Sou jornalista formado pela  Universidade Norte do Paraná e sociólogo formado pela Universidade Estadual de Londrina (UEL) . Fui repórter, editor e chefe de redação no extinto Jornal de Londrina (JL), atuei como produtor na RPC (afiliada da TV Globo), fundei o também extinto Portal Duo e trabalho como assessor de imprensa e professor de Filosofia, Sociologia, História, Redação e Geopolítica, em Londrina.

Foto: Reprodução da Internet

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