Diário de quarentena 2021

goya

Uma parada nas histórias de mulheres maravilhosas, para falar desse momento que estamos vivendo. Como artista, a falta de perspectiva é triste, mas real! Não sei como muitos criadores estão passando por isso…. Como estão conseguindo colocar na tela, no papel, essa angústia da espera pela volta de uma certa “normalidade”…

Se antes já eram escassos os recursos, agora são praticamente impossíveis… O pior é que parece absurdo falarmos seriamente de políticas culturais, quando, no momento, nem o básico e racional esta sendo realizado…

Cristo no Limbo, Hieronymus Bosch – Foto: Reprodução da internet

Simplesmente, chegamos no ápice de mortes extremamente desnecessárias e dolorosas, por falta de consciência dos governantes! Não temos vacinas suficientes, não temos recursos, não temos uma plano para acabar com esse pandemia no Brasil, as pessoas não respeitam regras, como se o vírus só pegasse no vizinho, e vamos falar que isso também é uma enorme falta de empatia!

Como artista, cada vez que vou desenhar, mesmo tentando ressignificar o presente, as cores saem embaçadas, as figuras tortuosas, e me lembro sempre do Goya, um mestre barroco, que exprimia a angustia humana como ninguém…

Velhos comendo sopa, de Francisco de Goya -Foto: Reprodução da Internet

Bosh também me vem a mente com as figuras do inferno em chamas. Mas, o que mais me toca são as figuras lúgubres da época da peste negra, que dizimou metade da Europa, dos médicos com aquela mascaras bicudas…

Reprodução da internet

Fui pesquisar para saber o porque daquilo, e qual não foi minha surpresa quando descobri que colocavam nos bicos ervas aromáticas para não sentirem o cheiro da morte. Então, diante disso usar mascaras não é nada!

É um tão pouco que pode dar tantos resultados! O que você, como criador, está fazendo agora? Como está conseguindo criar, trabalhar, sobreviver? Entre em contato! Me conte! Comente!

Quais os caminhos que teremos que ressignificar depois dessa pandemia? O que vai ficar ou o que vai mudar? Como poderemos trabalhar durante e depois dessa pandemia, como mudar a mentalidade das pessoas para que elas percebam que a arte e a cultura são importantes?

Fica a pergunta! Semana que vem continuo com a série das mulheres artistas, pessoas de carne e osso que passaram por períodos tortuosos como os nossos mas de uma forma ou de outra saíram vencedoras. E isso é inspirador!

Cuidem-se! Tenham mais empatia! “Um por todos e todos por um”!

Angela Diana

Sou londrinense e me dedico à arte desde 1986 quando pisei pela primeira vez no atelier de Leticia Marquez. Fui co-fundadora da Oficina de Arte, em parceria com Mira Benvenuto e atuo nas áreas de pintura, escultura, desenho e orientação de artes para adolescentes e adultos.

Foto: Obra de Goya/Reprodução da internet

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