Telma Elorza
O LONDRINENSE
O debate com os 10 candidatos a prefeito de Londrina, realizado na noite desta quinta-feira (12), pela TV Tarobá, expôs uma situação bem crítica, neste momento da campanha eleitoral: a fragilidade da argumentação do candidato a reeleição e prefeito de Londrina Marcelo Belinati (PP) de que está trabalhando. Confortavelmente instalado nas pesquisas já realizadas como o preferido e com o poder da máquina pública a seu favor, o candidato fugiu de todas as perguntas lançadas pelos adversários e insistiu em focar suas realizações durante os quatro anos de mandato. Até aí tudo bem, seria plenamente justificável se, entre os questionamentos, não estivessem assuntos sérios que o prefeito preferiu ignorar, mas sobre os quais a sociedade merece uma resposta.
Sim, a cidade está bonita, com asfalto novo – feito com empréstimos, principalmente do Paraná Fomento – , flores em canteiros – onde foram aplicados cerca de R$1,3 milhão – e cerca de 90 praças revitalizadas e que ganharam luminárias de LED – e sei lá quanto foi gasto nisso tudo -, contra 31 reformas em Unidades Básicas de Saúde. Será que o embelezamento da cidade foi prioritária?
Nestes quatro anos, Londrina perdeu muitos empregos. Seja por crise econômica, seja por pandemia. Mas sem levar a pandemia do novo coronavírus em conta, que foi um caso extraordinário e de nível mundial, o balanço entre os empregos criados e os perdidos, de janeiro de 2013 a dezembro de 2019, foi negativo para Londrina, com um índice de -5,29%. Segundo dados do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged), no período citado, foram registradas 569.277 demissões contra 563.987 admissões. Mas a Cidade Industrial, que poderia atrair empresas e empregos para Londrina, só teve seu start nos últimos meses do mandato. Assim como o Plano de Recuperação da Economia para o Município, lançado no início de outubro. Por que demorou tanto? Para ficar bem na foto da campanha?

As grandes obras estruturantes do prefeito, como o Viaduto “tortinho” da Dez de Dezembro e o Arco Leste, não são suas. Começaram na administração anterior que, inclusive, deixou os financiamentos encaminhados. Era só fazer. Mas, pelo menos, fez. Menos mau.
O que não fez, no entanto, chama muito a atenção. Como a construção da uma Unidade de Pronto Atendimento (UPA) na zona leste da cidade. Que estava com quase tudo certo para ser construída, em contrapartida à instalação da universidade Unicesumar na região. Foi trocada pela adequação viária e asfalto.
Casas populares? Não teve. Em quatro anos foram entregues 67 unidades habitacionais para população de baixa renda. Isso pode ser conferido nesta matéria. Teatro Municipal? Virou um elefante branco, quatro anos sem um movimento sequer para sua conclusão.
Outro problema que não mereceu a atenção do prefeito, a não ser depois que O LONDRINENSE fez a denúncia, foi a situação da
Caixa de Assistência, Aposentadoria e Pensões dos Servidores do Município de Londrina (Caapsml). O Certificado de Regularidade Previdenciária (CRP) do Município está sob judicie e pode ser cancelado a qualquer momento. O último, expedido em 07 de julho de 2020, deixa claro que o Município está em situação irregular e que só foi expedido por determinação judicial. Sem esse certificado, o Município deixa de receber verbas federais para saúde, educação e obras.
Além disso, uma ação de Tomada de Contas Extraordinárias corre no Tribunal de Contas do Estado do Paraná (TCE-PR), investigando o fato da Prefeitura não ter feito os repasses à Caapsml, programados na Lei Orçamentaria Anual (LOA) de 2018 e 2019 – de R$71 milhões e R$ 46,794 milhões, respectivamente-, inclusive cuja previsão de receita estava baseada no dinheiro arrecadado com o aumento no valor do IPTU.
Aliás, o aumento do IPTU foi o carro-chefe das polêmicas envolvendo o atual chefe do executivo. Com um aumento significativo na revisão da Planta de Valores Imobiliários, o IPTU de Londrina se tornou o mais caro do Brasil, a partir de 2018. E a justificativa é que o dinheiro, os mais de R$380 milhões a mais, seriam usados em obras, asfalto e para regularizar a situação da Caapsmel. O que não aconteceu. E ninguém sabe onde esse dinheiro foi aplicado.
Empréstimos milionários em Euro foram pedidos – mas não concretizados -, a Sercomtel Telecomunicações vendida a R$0,10 a ação e a Sercomtel Iluminação envolta em um inquérito policial para investigar contratos, assim como investigações sigilosas e outras nem tanto que correm no Ministério Público, como o inquérito civil sobre uma suposta influência de construtoras dentro da Prefeitura, foram polêmicas levantadas só neste último ano. Taxa de mortalidade infantil aumentando 20% em dois anos e só tivemos a reforma parcial da Maternidade Municipal e a completa do Pronto Atendimento Infantil. Dengue chegando a índices alarmantes, com taxas de morte altas em comparativo com o resto do Paraná e os laboratórios das UPAS terceirizados. População de rua estimada em mil pessoas e nenhuma solução à vista.
Enfim, o preço da reeleição do atual prefeito – se acontecer – será alto, cobrado sobre o sangue e o suor da população de Londrina. Que parece que gosta de florzinhas, come florzinhas e vive de praças bonitas. Mas o prefeito poderia ter, no mínimo, respondido os questionamentos dos adversários políticos. Londrina merece saber do porquê disso tudo.
Foto: Divulgação/CMTU


Respostas de 2
Por todos esses problemas camuflados gravíssimos, graças aos canteiros de flores, e a política do pão e circo, o eleitor, a eleitora, exalta ingenuamente um político que vai se reeleger, sem o devido mérito. Uma pena. Um debate frouxo, aguado. 2 turno seria o ideal. Tomara que tenhamos uma surpresa nas urnas.
Fico pasmo em não ver nenhum ponto positivo na administração do Marcelo. Quem vc indicaria com uma certeza absoluta que daria conta de resolver tudo em apenas 4 anos? Ual porque o prefeito não deve ter o direito é a oportunidade de continuar com as “florzinhas” que dão mais vida e visualização a nossa cidade?