A Maldição da Mansão Bly mistura horror, romance, drama e fofura

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Quando vejo títulos de filmes ou séries que carregam a palavra maldição saio correndo. A primeira impressão é de cenas com muito sangue, sustos de dar pulos na poltrona e um roteiro de ‘m…’ de quinta categoria. E se você tem a mesma impressão, vai se surpreender com A Maldição da Mansão Bly, principal estreia da semana no Streaming Netflix.

Sem dúvidas, a série carrega a categoria terror, mas difícil mantê-la apenas aí. O ótimo roteiro é uma mistura de horror e romance, drama e fofura. Pode parecer uma mistura indigesta, mas é incrivelmente viciante, todo capítulo termina com um gancho, um mistério, uma pergunta sem resposta que, inevitavelmente, nos atrai para o próximo capítulo.

A série tem como objetivo dar continuidade à franquia de 2018 A Maldição da Residência Hill, que fez tanto sucesso que forçou uma nova série de antologia, A Maldição. Toda baseada no livro escrito em 1898 por Henry James, A Volta do Parafuso, a trama Bly transporta o livro para 1987, envolto em passados sombrios, traumas, lutos, dramas familiares, feitiçaria, personagens profundamente estruturados, tudo isso dentro de uma mansão sombria e assustadora.

A direção nas mãos de Mike Flanagan (Doutor Sono – 2019) apresenta uma história muito bem contada que sabe a hora certa de dar sustos de arrepiar os cabelos, sem o uso de jumpscares (aquela técnica horrorosa de mudança abrupta de imagens com aumento do som que faz a gente pular da cadeira). Flanagan faz os ossos arrepiarem, mas de modo elegante. A produção também capricha nos diálogos que, às vezes, podem parecer mais rebuscados, mas a intenção é aludir à escrita mega floreada do livro de Henry James.

Apesar da série contar com ótimos atores, o grande destaque vai para as crianças Benjamin Evan e Amelie Bea Smith que interpretam respectivamente Miles e Flora, o centro todo da trama. Elas conseguem ser cativantes, fofas e……. assustadoras.

Visualmente, a produção faz um casamento sem brigas com a direção. A direção de fotografia dá o tom ao terror e muda de acordo com os sentimentos dos personagens, a mansão pode estar ensolarada e colorida ou sombria e cheia de rachaduras.

Se você gosta do gênero, não deixe de assistir. Certamente uma das melhores produções de horror da atualidade.

Marcelo Minka

Graduado em licenciatura em Artes Visuais, especialista em Mídias Interativas e mestre em Comunicação com concentração em Comunicação Visual. Atua como docente em disciplinas de Artes Visuais, Semiótica Visual, Antropologia Visual e Estética Visual. Cinéfilo nas horas vagas.

Foto: Divulgação

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