Qual a opinião de vocês sobre cama compartilhada? Antes de ser mãe eu disse: meus filhos dormirão nos próprios quartos desde o momento em que chegarem do hospital! Haha! É engraçado lembrar disso agora! Como é o ditado? Não cospe para cima?! Então…
Eu não sabia na época, mas Rafa foi um bebê high need – expressão criada pelo pediatra William Sears para definir crianças que exigem atenção dos pais de forma muito mais intensa do que o considerado normal. Eles choram quase o tempo todo, sem sintoma nenhum aparente, podendo levar seus pais ao estado de exaustão (física e emocional).
Para vocês terem uma ideia, quando estava acordado ele não ficava no berço nem na cadeira de balanço nem em canto nenhum sem abrir um berreiro. Até o sexto mês de vida o negócio dele era colo. Colo e peito, peito e colo. Vinte e quatro horas por dia.
Às vezes tinha que sair com ele e precisava tomar banho. Colocava ele em frente ao box, na cadeirinha de balanço, ficava conversando, cantando, implorando mas mesmo assim ele chorava tanto que não conseguia me concentrar e acabava tomando um banho de gato e saindo logo pelo desespero de vê-lo gritando daquele jeito. Nada o consolava. Quer dizer. O peito! Só o peito o consolava. Eu tinha vontade de ter mais um par de braços.
O quarto lindo que projetei e arrumei cada detalhe serviu de enfeite. Logo percebi que, se quisesse dormir algumas horas seguidas, teria que deixá-lo dormindo comigo. Até o terceiro mês ele dormiu no moisés ao lado da minha cama, e só dormia quando eu repousava minha mão na sua barriga. Se eu virasse e acabasse tirando a mão dele sem querer, no meio da noite, em cinco minutos ele acordava gritando.
Com três meses, fiz uma barreira na minha cama e ele começou a dormir comigo. Encostei a cama na parede, dormia entre ele e o Miguel e só assim consegui começar a dormir algumas horas seguidas. Era exaustivo. Lembro da minha mãe falando “nem vejo o rosto desse menino! Ele fica grudado no peito o dia inteiro!”. Chegou uma hora que ficar com ele o tempo todo se tornou uma questão de sobrevivência da minha sanidade mental. Eu preferia isso do que ouvir ele chorando horas e horas. Era angustiante. Abracei meu filho no peito e no colo e pensei: Ficaremos assim! Está tudo bem! E depois, quando Biel nasceu, ele também teve um tempo de dormir comigo.
Mas voltando ao Rafa, ele mamava tanto que um dia pedi almoço em casa e, no prédio que eu morava, o entregador podia subir até a porta. Rafa, em um raro momento, estava dormindo pesado no carrinho e levantei rapidinho para atender a porta. Quando estendi a mão para atender o entregador esbarrei na lateral do meu corpo e percebi que estava com um dos seios para fora da blusa! Quase atendi a porta COM UM SEIO PARA FORA DA BLUSA! Eu imagino a cara do entregador se isso tivesse de fato acontecido. Apesar que, pela minha cara de cansada, pijama regurgitado e cabelo despenteado ele saberia na hora que eu era apenas uma mãe exausta!
Foto: Acervo pessoal

Paula Barbosa Ocanha
Jornalista, casada, trinta e poucos anos, dois filhos e apaixonada por educação infantil. Mesmo antes de casar, eu lia e me interessava por técnicas de educação, livros de pedagogia e questões sobre o desenvolvimento humano, principalmente na primeira infância. Com essa coluna, gostaria de relatar minhas experiências pessoais. E assim espero lhe ajudar, de alguma forma, a passar mais facilmente por essa linda (e assustadora) jornada da maternidade! Vem comigo e me siga também no Instagram @mamaepata

