O Perfume – A série da Netflix indicada para quem gosta de boa literatura

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O tema do livro de Patrick Suskind, grande sucesso editorial de 1986, volta às telas nesta produção alemã da Netflix, O Perfume.  Mas, fique atento, somente o tema está de volta.

No livro, a narrativa gira em torno de Jean-Baptiste Grenouille, que nasceu sobre uma mesa em um mercado de peixes na Paris de 1738. Grenouille cresce e se transforma em um serial killer que assassinava mulheres com a intenção de “capturar” seus odores característicos e criar um perfume perfeito, uma essência capaz de incitar o desejo em qualquer ser humano, ou seja, mais que uma poção do amor, uma arma.

A série não utiliza os aspectos mais fantasiosos do livro de Suskind, apresentando uma trama vigorosa de mistério policial, onde cinco amigos de infância de uma cantora assassinada se reúnem para o funeral e percebem que as circunstâncias do assassinato são um déjà vu, impossibilitando a mera coincidência. A detetive encarregada do caso, Nadja Simon (Friederike Becht) mergulha no caso, confrontando seus fantasmas internos e externos.

Construída com personagens muito bem estruturados, O Perfume desenvolve-se sem a necessidade de um contato direto com o livro ou com sua morna adaptação cinematográfica de 2006 (Perfume: A História de um Assassino), aprofundando os argumentos originais sobre a necessidade do ser humano de ser amado, sobre a carência e culpas que carregamos nos ombros. Portanto, se você já teve contato com o livro, o prazer ao assistir a série será bem maior.

Em seus aspectos técnicos, destacam-se a trilha sonora que consegue intensificar o drama com grande sutileza e a fotografia em sua paleta de cores, remetendo ao lúdico eroticamente lúbrico, amplificando as paixões das personagens. Destaca-se também a montagem lenta do suspense investigativo, construindo a trama em um ritmo carregado de metáforas, apresentando descobertas e reviravoltas. Aliás, foi o ritmo lento, mas necessário à narrativa, que afastou o grande público da série, levando-o ao insosso Bird Box que estreou no mesmo dia com grande investimento na divulgação.

O Perfume é intensamente contemporâneo, entenda-se aqui violentamente medieval em seus aspectos emotivos. Desenvolve-se em uma narrativa às vezes prolixa e difícil, o diretor não entrega nada de maneira fácil e óbvia, algumas cenas que parecem sem sentido precisam da energia cerebral do espectador para ter significado, remetendo às vezes a um bom livro de cabeceira.

Indicada para quem gosta de boa literatura, literalmente.

Foto: Divulgação

Marcelo Minka

Graduado em licenciatura em Artes Visuais, especialista em Mídias Interativas e mestre em Comunicação com concentração em Comunicação Visual. Atua como docente em disciplinas de Artes Visuais, Semiótica Visual, Antropologia Visual e Estética Visual. Cinéfilo nas horas vagas.

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