Prefeito fechará comércio a partir de domingo, mas pedirá revisão de dados ao governo do Paraná

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Prefeitura entrou com recurso administrativo junto à Secretaria de Estado de Saúde para reverter a quarentena em Londrina

Telma Elorza

O LONDRINENSE

O prefeito de Londrina, Marcelo Belinati (PP), afirmou, na tarde desta quarta-feira (1), em coletiva pelo Facebook, que acatará o decreto do governador Carlos Massa Ratinho Júnior que suspendeu as atividades não essenciais por 14 dias, em Londrina e outras seis Regionais de Saúde. Porém, segundo ele, só valerá a partir de domingo para que os empresários tenham tempo de se organizar. Além disso, a Prefeitura entrou com
recurso administrativo junto a Secretaria de Estado de Saúde (SESA) para reverter a decisão de incluir a cidade no decreto. E, se isso não acontecer, para saber quais foram os fundamentos que levaram a decisão de incluir o Município na relação.

Segundo Belinati, o decreto pegou o Município de surpresa porque Londrina se preparou desde o início da pandemia, com fechamento total por 30 dias, e hoje mantém dados melhores que outras regionais que não fecharam. “Passamos o dia, com um equipe técnica analisando os dados científicos, epidemiológicos, não só daqui mas de várias outras cidades, para saber se haveria necessidade de Londrina estar incluída no decreto, e constatamos que temos melhores números”, afirmou. O prefeito disse que todo mundo quer entender porque houve a inclusão da cidade no decreto já que a cidade é referência também para outras cinco Regionais das quais quatro não foram inclusas na quarentena. “Se houver superlotação nos hospitais de Apucarana e Jacarezinho, eles virão para cá. Mais de 800 mil pessoas têm Londrina como referência”, afirmou.

De acordo com o prefeito, Londrina foi uma das primeiras cidades do Brasil e do mundo a adotar medidas sólidas -com o apoio de todos os setores da sociedade – e promoveu o fechamento geral por 30 dias, o que que permitiu a organização do sistema de saúde. “Contratamos centenas de funcionários de saúde, compramos equipamentos de proteção individuais (EPIs) para toda rede municipal de saúde, contratamos 50 novos leitos de UTIs para atender exclusivamente o povo de Londrina, gastamos mais de R$40 milhões para combater essa doença – com todos os dados no Portal da Transparência -, investimos recursos financeiros e contratação de funcionários para o HU, que atende 97 municípios, demos todo apoio no sentido de ampliar e montar um Hospital de Campanha, chamado de Hospital de Retaguarda, com equipamento que vão ficar para uso da população depois, firmamos parceria com HU/UEL para os testes padrão ouro e tantas outras medidas”, apontou.

De acordo com ele, a cidade tem a maior taxa de testagem do Paraná, o que permitiria maior controle da doença. Tudo isso, afirmou, trouxe resultados efetivos, já que a taxa de ocupação de leitos de UTIs na cidade é de 44%, enquanto Cascavel e Curitiba, duas que enfrentarão quarentena, é de 88,8% e 78% respectivamente. “Maringá, que não foi incluída no decreto, tem hoje uma taxa de ocupação de 57,8% dos leitos”, disse. Para o prefeito, todo esse cenário foi construído om muito esforço do povo de Londrina. “E, por isso, é necessário que esclareçam quais critérios foram usados para determinar o fechamento em Londrina se Maringá, que tem mais casos, ficará aberto”, disse.

Outros índices apresentados pelo prefeito para demonstrar que a situação de Londrina é melhor que outras cidades foram a taxa de positividade, que engloba a porcentagem de quantos casos são confirmados cada 100 testagens, que estaria em 16%, na cidade. “A cada 100, 16 londrinenses testam positivo. Curitiba tem índice de 60%; Cascavel, 48%; Maringá 35%, Paraná, 20,73%”, pontuou. Ele também mostrou o índice RZero, que mostra a velocidade de transmissão de uma pessoa contaminada para outras. “Temos estatísticos da UEL analisando constantemente esses números para que tenhamos previsões mais seguras. Hoje, é o principal indicador de quantas anda e, quanto maior o RZero, pior. O Paraná tem RZero 1,37. Londrina, 1,05”, afirmou. Ele disse que será o primeiro a decretar um novo fechamento que os números piorarem. “Mas não é o momento”, garantiu.

De acordo com o prefeito, os motivos que levaram o governador a instituir a quarentena por 14 dias não se aplicam na cidade, neste momento. “Não faltam profissionais de saúde, nossa taxa de ocupação da UTIs é de menos da metade, e não há falta de sedativos para intubação, como justificou o governo. Nós temos em estoque os medicamentos para 150 dias”, disse. “Infelizmente, o entendimento jurídico hoje é que se o governador manda fechar, o município tem que acatar. O mesmo vale se o prefeito mandar fechar, o governo não pode mandar abrir”, explicou.

No entanto, Belinati disse que a cidade cumprirá o decreto a partir de domingo, para que todo mundo tenha tempo de se preparar. “O dono do restaurante fez estoque, o feirante fez estoque, não podem de uma hora para outra fechar e perder tudo que investiu”, afirmou. Segundo ele, é preciso haver equilíbrio. “Temos que lutar para salvar vidas. Mas não podemos deixar, de uma hora para outra, que o pai de família não leve o pão para casa”, justificou.

Foto: print da live

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