A gente vem repetindo um mantra nas últimas colunas: a marca que fizer algo que a diferencie, que a deixe em destaque, vai sair na frente. E mais do que isso: vai ditar, em parte, as regras do jogo. Essa é a hora certa, o momento perfeito para testar novas ideias e formas de fazer no mundo da moda.
A Gucci tem feito isso muitíssimo bem. De cara, lançou campanha feita em casa pelos próprios modelos da label, anunciou o fim da sazonalidade em suas coleções e botou o senso estético e criativo para ferver!

Na última segunda-feira (8), a Chanel se apresentou e deu mostras de que também não quer ficar pra trás, pelo contrário, e saiu na dianteira: apresentou através de divulgação digital uma coleção novíssima e completamente diferente da que havia sido pensada antes da pandemia, mostrando que está disposta a seguir em outra direção e ajustar as velas: apostou no sonho, na perspectiva de um futuro em que tudo será bonito outra vez, mais consciente sim, mas também mais leve e divertido outra vez.

Chamada originalmente de Cruise, a coleção que seria lançada em maio foi repensada e rebatizada como Balade en Méditerranée (Passeio no Mediterrâneo), apareceu mais básica, mais “simples” e trazendo, inclusive, tecidos de coleções anteriores que dialogam com essa ideia e levam consigo uma reflexão sobre as novas formas de consumir.
Ao invés de Capri, destino original do desfile que apresentaria a coleção, o estúdio deu os tons de pôr-do-sol que acompanham o lançamento.

“Tivemos que nos adaptar! Não apenas decidimos usar tecidos que já tínhamos, mas a coleção em geral evoluiu para uma viagem pelo Mediterrâneo… As ilhas, o perfume do eucalipto, os tons rosados das buganvílias, além de um fascínio livre e descontraído, inspirado nas lendárias atrizes da década de 1960, quando passavam férias na Riviera Italiana e Francesa.”, assim resumiu a designer Virginie Viard, diretora criativa da Maison.
A moda apresenta alguma ideia de futuro como fuga para esse momento e o Instagram tem sido uma das provas disso: a rede social é onde surgem as principais tendências #stayhome dessa quarentena e também as hashtags mais quentes, criando desafios ou movimentos ligados à moda.

A #DressUpFriday, (algo como “sexta-feira de se vestir”) criada em março pela representante multi-marcas inglesa Lucy Walsh, voltou a ser destaque esses dias. Já foram compartilhadas mais de 25 mil fotos em pouco mais de 2 meses, todas elas mostrando pessoas usando as roupas que vestiriam para sair num #sextou com os amigos – mas agora usando para ficar em casa.

Da mesma forma, outras tendências não param de surgir: casacos por cima de pijamas descolados para a live de reunião, toalha enrolada na cabeça – ou outra peça de roupa enrolada no corpo como se fosse a roupa de banho, tendência que já apareceu também nas passarelas recentemente – as pessoas têm usado e abusado da criatividade para seguir em quarentena sem perder tanto da alegria, de sua essência e estilo. Um jeito bacana de também passar o tempo e se redescobrir, se repensar, ousar de um jeito completamente novo…
E aí, bora se reinventar hoje?
Ana Paula Barcellos

Formada em História pela UEL, trabalhou 10 anos como escritora para blogs e sites sobre cultura e lazer. Atualmente, trabalha com marketing digital e pesquisa de tendências e, junto com Angela Diana, é proprietária da Rosita, marca de acessórios.
Foto principal: Instagram Chanel

