Ano letivo cancelado? A história mostrará que 2020 foi tempo de mudanças!

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Pode ser que o ano letivo de 2020 se encerre somente em 2021. Ou, até mesmo, seja “cancelado”. Isso porque, embora muitas escolas e instituições tenham oferecido atividades on-line aos alunos, nem sempre elas são suficientes ou os estudantes conseguem ter acesso. Portanto, mesmo assim será necessário repor algumas horas presenciais, o que pode jogar este ano para o ano que vem.

Há quem defenda, ainda, suspender o ano letivo. Essa proposta não é consenso. Vê-se, por exemplo, a manutenção da data de vestibulares e outras provas, como o Exame Nacional do Ensino Médio (Enem), situações que podem mudar a qualquer momento por vias judiciais ou até mesmo por decisão dos organizadores. Por isso, cada dia é sempre um novo dia.

O que percebemos é que, embora tenhamos total condição de colocar em prática algumas premissas do ensino à distância, suas tecnologias serão apenas para minimizar o impacto da ausência de aulas presenciais e, mesmo depois que a pandemia do coronavírus passar, não as substituirão. Afinal, estamos “aproveitando” esse momento de quarentena compulsória para testar o que dá certo e o que não dá. Além de identificar os gargalos das dificuldades do ensino virtual, tais quais as desigualdades socioeconômicas no país.

Dessa forma, o ano letivo de 2020 terá sido, no registro da história, um tempo de testes e mudanças. De nos adaptarmos e colocarmos em prática o que realmente dá certo, de acordo com nossa realidade como país e como educação. Talvez seja necessário mesclar elementos presenciais com algumas atividades online. O fato é que, da mesma maneira que sabemos não ser possível uma educação 100% digital, descobrimos que os elementos virtuais não têm mais volta!

Mas eu sugiro irmos ainda mais longe. Aproveitarmos esse tempo para mudarmos completamente nosso jeito de fazer escola. Não digo apenas transformar, rever e alterar a base curricular, pois isso, de certa forma, já foi feito recentemente. Digo repensarmos totalmente os horários escolares, as responsabilidades de alunos, pais e professores, além da dinâmica educacional. É tempo propício para discutirmos e, logo, implantarmos mudanças estruturais drásticas, que estejam de acordo com o século em que vivemos.

Tiago Mariano 

Formado em História pela Universidade Estadual de Londrina (UEL), pós-graduado em Ensino e História. Atualmente ministra aulas no Colégio Estadual Olavo Bilac, em Cambé, no Colégio Maxi, em Londrina, e é coordenador pedagógico da startup londrinense EducaMaker. Em 2018, foi premiado pela Google for Education (2018) com o primeiro lugar nacional no Programa Boas Práticas pela criação de um método de formação de alunos de alta performance.

Foto: Pixabay

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