Prefeitura vai endurecer com quem não respeitar medidas restritivas

coletiva

Belinati anunciou fiscalização mais intensa e punição até com a cassação de alvará se empresas, bares e chácaras não adotarem medidas de prevenção contra o covid-19

Telma Elorza

O LONDRINENSE

O prefeito de Londrina, Marcelo Belinati (PP), anunciou agora à tarde (20), em entrevista coletiva on-line, que a Prefeitura vai intensificar a fiscalização e aplicação de multas para empresas, bares e chácaras de lazer que não respeitarem os decretos que trouxeram medidas restritivas no combate à pandemia de covid-19. Segundo o prefeito, uma minoria tem prejudicado o isolamento que a população vem fazendo para se proteger contra o novo coronavírus. “Vamos intensificar a fiscalização, com apoio da Polícia Militar, de todos os fiscais da prefeitura e dos servidores. Quem não respeita a vida, quem não respeita a população, não merece trabalhar em Londrina”, avisou.

Segundo ele, dois meses depois do primeiro decreto e com a volta das atividades econômicas, essa minoria -10% de população, segundo a estimativa do prefeito – tem desrespeitado as medidas de segurança estabelecidas para proteção. “É a loja que abre antes das 10 horas e fecha depois das 16 horas, é o barzinho que não respeita a lotação permitida e permite aglomeração, é o dono da chácara que aluga para festas ou até mesmo faz festa em família”, afirmou. Segundo ele, esses casos serão passíveis de notificação, multa e cassação do alvará, se for reincidente. A multa será aplicada em chácaras até em casos de festas da família proprietária. As multas serão a partir de R$1 mil. Pessoas sem máscaras nas ruas também serão abordadas, receberão uma gratuitamente e, se recusarem a usar, serão multadas em R$300.

“Essas pessoas estão achando que a pandemia acabou, que não tem mais perigo. E isso não é verdade. Estamos apenas subindo a serra. Até julho, com o auge do inverno que favorece doenças respiratórias, precisamos tomar muito cuidado”, afirmou Belinati. Segundo ele, matemáticos da UEL estimaram que, se o Município não tivesse tomado medidas mais duras, hoje o número de casos de covid-19 estaria beirando os 35 mil. “Tudo que fizemos até agora foi para evitar isso. Mas estamos vulneráveis porque algumas pessoas entenderam tudo errado, viram a reabertura do comércio e acreditam que acabou. Não acabou”, disse.

Belinati citou o caso de Cornélio Procópio, onde uma festa de família no final de semana de 1 de maio, resultou em dezenas de pessoas confirmadas para covid-19 e outras 400 sendo monitoradas. “Isso está comprometendo todo um trabalho. Não é justo que aqueles que estão respeitando paguem por aqueles que não estão. Não é justo que o bar que cumpre todas as medidas de segurança seja fechado porque seu vizinho não está cumprindo”, afirmou.

Segundo o prefeito, apenas o colapso do sistema de saúde é que vai determinar um novo fechamento do comércio e paralisação de outras atividades. “O que determina o colapso são três coisas: falta de EPIs (equipamentos de proteção individual) e isso o Município garantiu que não falte; baixas no sistema de saúde, quando um número significativo de profissionais é afastado e Londrina só tem, até agora, 1% do pessoal de saúde nesse caso; e número de leitos ficar preocupante, o que não é o caso”, afirmou. Segundo ele, no entanto, não é possível ver o que está acontecendo e não tomar atitude para evitar novo fechamento.

Nos casos flagrados, a fiscalização vai notificar, depois multar. “Se for erro muito grande, fechará por uma semana. Reincidentes terão o alvará cassado. Chácaras serão a mesma coisa. Quem for flagrado fazendo churrasco, jogando bola, o dono vai ser multado, nem que for uso particular”, afirmou. As novas medidas devem ser publicadas ainda hoje. A volta das academias deve ser analisada na reunião do Coesp amanhã (21). Atividades físicas em áreas públicas continuam proibidas. “Mas podem ser feitas nas ruas”, disse.

Londrina tem hoje 175 casos confirmados, 105 recuperados, 156 aguardando exames e 18 mortes. Dos casos confirmados, 43 estão em isolamento domiciliar, sete em enfermarias e dois em UTI. De acordo com o secretário municipal de Saúde, Felippe Machado, o aumento expressivo no número de casos se deve à intensificação na realização de exames, que agora são feitos pelo HU. “Nossa incidência continua abaixo da nacional. Estamos reduzindo o número de subnotificações, com a capacidade realização de 200 testes por dia”, afirmou. Segundo o prefeito, para cada caso confirmado há 20 assintomáticos e não notificados. “Não fazemos mais testes porque faltam pacientes para fazer”, disse.

Foto: print da coletiva

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