Na contemporaneidade, a cada década vivemos uma nova quebra de paradigmas. A frequência dessas grandes transformações tem sido maiores e em espaços de tempos mais curtos. Não importa a área: pode ser econômica, social ou até mesmo comportamental. E em tantas outras. O que se vê é a ascensão de realidades novas, diferentes, inéditas e inimagináveis. Algumas que dependem do ser humano, enquanto outras totalmente alheias ao único animal racional do planeta.
Mas, afinal, o que é um paradigma? Se formos beber da filosofia clássica, na Grécia Antiga, Platão (428/427 a.C. – 348/347 a.C.) nos dirá que é um modelo exemplar que se encontra em um mundo totalmente abstrato, funcionando como um arquétipo, um modelo original e ideal que representa as coisas e os objetos que vimos no mundo. Talvez esse seja o fundamento de uma de suas principais teorias: a dos dois mundos, que opõe o mundo inteligível ao mundo sensível. Nesses conceitos, o que observamos no mundo das sensações é apenas cópia do que se tem, na realidade, no mundo das ideias.
Por outro lado, em boa parte concordando com Platão, temos as teorias de Thomas Khun (1922-1996), que estabelece paradigma como uma “estrutura mental composta por teorias, experiências e métodos que serve para organizar a realidade e seus eventos no pensamento humano”. Talvez por isso é que haja, cada vez com mais constância, uma quebra de paradigmas: tudo o que o ser humano sabe, de uma hora para outra, rui e vem abaixo, obrigando-nos a buscar respostas para eventos novos, como é o caso da pandemia do coronavírus.
O paradigma reúne em si um conjunto de crenças e valores que, de repente, se vê à beira de um abismo prestes a ser descartado por uma nova e avassaladora realidade. E o que é pior: o que vem por aí é desconhecido e totalmente novo. É por isso que, em tempos de crise, autoridades e cientistas divergem entre si acerca do que fazer, de como agir. Porque, afinal, não se viveu nada parecido antes. Não se tem um padrão estabelecido, característica dos paradigmas. Independentemente de qual seja a situação, é necessário que o ser humano esteja preparado para as mudanças, doa a quem doer.
Foto: Pixabay
Fábio Luporini

Sou jornalista formado pela Universidade Norte do Paraná e sociólogo formado pela Universidade Estadual de Londrina (UEL) . Fui repórter, editor e chefe de redação no extinto Jornal de Londrina (JL), atuei como produtor na RPC (afiliada da TV Globo), fundei o também extinto Portal Duo e trabalho como assessor de imprensa e professor de Filosofia, Sociologia, História, Redação e Geopolítica, em Londrina.

