Eleições foram uma farra com o dinheiro público

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Depois da publicação da matéria sobre as duas candidatas de Londrina que receberam quase R$850 mil para campanha a deputada estadual, O LONDRINENSE foi pesquisar o gasto dos candidatos a senador, deputado federal e deputado estadual. E constatou: alguns candidatos escolhidos estão torrando dinheiro para serem eleitos ou – na maioria dos casos – reeleitos. Dinheiro dos fundos partidário e eleitoral não é dividido equitativamente.

Telma Elorza

O LONDRINENSE

“E a nota preta da Luísa Cansiani (sic)?” Foi com esse questionamento feito por um leitor dO Londrinense, na reportagem “Partido investe pesado em duas candidatas e esquece outras”, que veio a indignação. A filha do ex-deputado Alex Canziani gastou R$1.960.187,49 em sua campanha a deputada federal pelo PTB, de um total arrecadado de R$2.260.803,67. Desse total, R$1.768.553,67 vieram do diretório nacional do PTB e outros R$440 mil, do diretório estadual/distrital. A hoje deputada federal Luísa Canziani fez fez 90.249 votos válidos, que tiveram custo unitário (somente de dinheiro dos diretórios) de R$21,71. As informações são públicas e você pode conferir no site DivulgaCan.

E quem pagou todo esse gasto absurdo em uma campanha? O cidadão, eu e você que pagamos impostos, taxas e multas federais.

Os diretórios nacionais/estaduais só têm dinheiro – com exceção do dízimo de seus filiados – para ser distribuído tão generosamente para alguns candidatos por causa do Fundo Partidário e do Fundo Eleitoral, os dois mantidos com dinheiro público. O Fundo Eleitoral foi criado pelo Congresso, em 2017, para “compensar” a proibição das doações de empresas para campanhas eleitorais feita pelo Supremo Tribunal Federal em 2015. Com o nome de Fundo Especial de Financiamento de Campanha (FEFC), formado por recursos públicos previstos no Orçamento Geral da União, ele distribuiu cerca de R$1,7 bilhão em 2018.

Já o Fundo Partidário – cuja verba formada por dinheiro público mais taxas e multas federais pagas pelo cidadão – é repassada mensalmente aos partidos e, nessa última eleição, o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) liberou seu uso para “ajudar” os candidatos com suas despesas.

Na eleição de 2018, houve uma farta distribuição de dinheiro mas não equitativa a todos os candidatos de cada partido. Os “caciques” – deputados que já tinham mandatos ou outros escolhidos a dedo, como no caso da filha do ex-deputado, novata nas eleições  – receberam a maior fatia do bolo. O caso da deputada Luísa, por exemplo, é emblemático. Ela recebeu mais verbas do partido que o próprio pai. A candidatura de Alex Canziani ao senado recebeu um total R$1.439.193,89 de doações, sendo que R$1.395.762,22 vieram do Diretório Nacional e Diretório Estadual do PTB. Canziani pai foi mais eficiente na conquista de votos, embora não tenha sido eleito, e o cidadão pagou R$1,06 por cada um do 1.304.719 votos.

Uma breve vasculhada no DivulgaCan e O LONDRINENSE constatou – com exceção dos candidatos a governador -, que os campões de recebimento de verbas foram os candidatos a deputado federal. Para o Senado, apenas Canziani, Beto Richa (PSDB) e Roberto Requião (MDB) receberam verbas do partido superiores a R$ 1 milhão. Richa, por exemplo, recebeu R$1.970.747,53 dos diretórios nacional e estadual. Fez 377.872 votos, não foi eleito e o cidadão pagou R$5,21 por cada voto. O ex-senador Roberto Requião recebeu R$2.053.600 dos diretórios nacional e estadual, fez 1.528.291 votos e o cidadão pagou R$1,34 por voto. O mais eficiente, no entanto, foi o atual senador Flávio Arns, que recebeu R$140 mil do diretório nacional do REDE, fez 2.331.740 votos e o cidadão pagou apenas R$0,06 por cada voto.

As verbas milionárias que alguns – os mesmos de sempre – recebem e o pouco tempo de campanha são dois fatores que impedem uma verdadeira renovação política. Enquanto tiver um cacique gastando milhões para conquistar o voto, vamos continuar com essa velha politicagem de sempre.

Confira as candidaturas que mais receberam verbas dos fundos partidário e eleitoral:

Deputado Federal:

  • Alfredo Kaefer (PP)- não eleito, recebeu dos diretórios  R$1.587.550,00, fez 33.459 votos e cada um custou R$47,44 ao cidadão.
  • Aliel Machado (PSB) –  eleito, recebeu dos diretórios R$1, 350 milhão, fez 95.386 votos e cada um custou R$14,15 ao cidadão.
  • Christiane Yared (PR) – eleita, recebeu dos diretórios R$2.478.870, fez 107.636 votos e cada um custou R$23,03 ao cidadão
  • Edmar Arruda (PSD) – não eleito, recebeu  dos diretórios  R$1.128.000,00 , fez  49.577 votos e cada um custou R$22,75 ao cidadão.
  • Evandro Roman (PSD) – não reeleito, recebeu dos diretórios R$1.087.715,0, fez 67.009 votos e cada um custou R$16,01 ao cidadão.
  • Giacobo (PR) – eleito – recebeu  dos diretórios R$ 2 milhões, fez 111.384 votos e cada um custou R$17,95 ao cidadão.
  • Gleise Lula (PT) – eleta, recebeu dos diretórios R$1.300.000, fez 212.513 e cada um custou R$6,11 ao cidadão.
  • Hauly (PSDB) – não eleito, recebeu R$700 mil da campanha de Geraldo Alckmin presidente (que também teve dinheiro dos fundos) mais R$530 mil dos diretórios, totalizando R$1.230.000,00, fez 35.133 votos e cada um custou R$35 ao cidadão.
  • Hermes Frangão Parcionello (MDB) – eleito, recebeu dos diretórios R$1.500.000, fez  110.717 votos  e cada um custou R$13,54 ao cidadão
  • Leandre (PV) – eleita, recebeu dos diretórios R$1.100.000, fez 123.958 votos e cada um custou R$8,87 ao cidadão
  • Leopoldo Meyer (PSB) – não eleito, recebeu dos diretórios R$1,3 milhão, fez 51.869 votos e cada um custou R$25,06 ao cidadão.
  • Luciano Ducci (PSB) – eleito, recebeu dos diretórios R$ 1,6 milhão, fez 98.215 votos e cada um custou R$16,29 ao cidadão.
  • Luiz Nishimori (PR ) eleito, recebeu dos diretórios R$ 2 milhões, fez 73.344 votos e cada um custou R$27,26 ao cidadão.
  • Osmar Serraglio (PP) – não eleito, recebeu dos diretórios R$1.835.182, fez votos 64.572 e cada um custou R$28,42 ao cidadão
  • Ricardo Barros (PP) – eleito – recebeu R$1.709.838, fez 80.025 votos e cada um custou R$21,36 ao cidadão
  • Valdir Rossoni (PSDB) – não eleito, recebeu R$ 500 mil da campanha Alckmin à presidência mais R$500 mil do diretório nacional, fez 72.096 votos  e cada um custou R$13,87 ao cidadão.
  • Rubens Bueno (PPS) – eleito – recebeu dos diretórios R$1.168.128,00, fez 76.471 votos e cada um custou R$15,27 ao cidadão.
  • Sandro Alex (PSD) – eleito, recebeu dos diretórios R$1.128.000,00, fez 124.512 votos e cada um custou R$9,05 ao cidadão.
  • Schiavinato (PP) – eleito, recebeu dos diretórios R$1.090.692,00, fez  75.540 votos e cada um custou R$14,30 ao cidadão.
  • Sergio Souza (MDB) – eleito, recebeu dos diretórios R$1.500.000, fez 94.077 votos e cada um custou R$15, 94 ao cidadão.
  • Stephanes Jr (PSD) – não eleito, recebeu dos diretórios R$1.285.715,00, fez 53.522 votos e cada um custou R$24,02 ao cidadão.
  • Takayama (PSC) – não eleito, recebeu dos diretórios R$1.000.000,00, fez 53.466 votos e cada um custou R$18,70 aos cidadãos.

DEPUTADOS ESTADUAIS:

Os candidatos a deputados estaduais receberam verbas dos diretórios em valores inferiores ao destinado aos candidatos a deputado federal. Mesmo assim, alguns casos chamaram a atenção dO LONDRINENSE

  • Alisson Wandscheer (PMB) – não eleito, recebeu dos diretórios R$739.800,00, fez 25.386 votos e cada um custou R$29,14 ao cidadão.  
  • Delegado Francischini (PSL) – eleito, recebeu dos diretórios R$ 426.500,00, fez 427.749 votos e cada um custou R$0,99 ao cidadão.
  • Dr. Batista (PMN) – eleito , recebeu dos diretórios R$ 300.000,00, fez 31.315 votos e cada um custou R$9,58 ao cidadão.
  • Maria Victoria Borghetti Barros (PP) – eleita, recebeu dos diretórios R$890.350,00, fez 50.914 votos e cada um custou R$17,48 ao cidadão
  • Mauricio Roberto Rivabem (DEM) – não eleito, recebeu dos diretórios R$302.000,00, fez 8.574 votos e cada um custou  R$35,22 ao cidadão.
  • Natan Sperafico (PP) – não eleito, recebeu dos diretórios  R$900.000,00, fez 28.858 votos e cada um custou R$31,18 ao cidadão.
  • Noemia Rocha (MDB) – não eleita, recebeu dos diretórios R$300.000,00, fez 10.442 votos e cada um custou R$28,73 ao cidadão.
  • Paulo Deola (PP) – não eleito, recebeu dos diretórios R$1.000.000,00, fez 26.676 votos e cada um custou R$37,48 ao cidadão.

CAMPEÕES DOS VOTOS CAROS

  • Eliana Fuzari (PSD) – candidata a deputa estadual não eleita – recebeu dos diretórios R$516.846,38, fez 1.501 votos  e cada um custou R$344,33 ao cidadão.
  • Jandira Tomaz da Silva (PSDB) – candidata a deputada estadual não eleita – recebeu dos diretórios R$432.461,36 (devolveu R$122 mil ao partido) e fez 1.034 votos, cada um custou R$321,00 ao cidadão.
  • Rosane Nunes (MDB) – candidata a deputada federal não eleita  – recebeu dos diretórios R$ 200 mil, fez 967 votos e cada um custou R$206,82 ao cidadão.
  • Iara do Água Verde (MDB) – candidata a deputada federal não eleita  – recebeu dos diretórios R$105.400, fez 547 votos e cada um custou R$192,68 ao cidadão.
  • Adriana Aguilera (PP) – candidata a deputada estadual não eleita – recebeu dos diretórios R$414.713,00, fez 2.180 votos e cada um custou R$190,23 ao cidadão.
  • Prof. Dani Blanc (PROS) – candidata a deputada federal não eleita – recebeu dos diretórios R$290 mil, fez 1.753 votos e cada um custou R$165,43 ao cidadão.
  • Kito Junqueira (PP) – candidato a deputado federal não eleito – recebeu dos diretórios R$100 mil, fez 706 votos e cada um custou R$141,64 ao cidadão.
  • Prof. Bianka Ribas (MDB) – candidata a deputada federal não eleita –  recebeu dos diretórios R$140.000, fez 1.215 votos e cada um custou R$115,22 ao cidadão.
  • Luana Suzarte (PP) – candidata a deputada federal não eleita – recebeu dos diretórios R$176.776,00, fez 1.965 votos e cada um custou R$89,96 ao cidadão.
  • Maurílio Viana (PP) – candidato a deputado estadual não eleito – recebeu dos diretórios R$529.887, fez 7.331 votos e cada um custou R$72,28 ao cidadão.
  • Daniele Ziober (PP) – candidata a deputada estadual não eleita – recebeu dos diretórios  R$ 435.000,00, fez 6.965 votos e cada um custou R$62,45.

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Respostas de 2

  1. A lista dos “votos mais caros” tem uma presença preponderante de mulheres…
    Parece que o sistema de cotas (30% de mulheres) é um bom mecanismo para as candidaturas “laranjas”…
    Os poucos casos divulgados nas grandes mídias sugerem que isso foi disseminado em todo o país e em todos os partidos… O ATÉ, se for sério, deveria investigar….

  2. farra com dinheiro público soa redundante. afinal, desde criancinha ouço dizer que dinheiro público é sinônimo de farra, tal e qual farra é sinônimo de dinheiro público.
    chuveirão

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