Quando Aristóteles, filósofo grego que viveu mais de 2,5 mil anos atrás, bradou em sua teoria que o ser humano é um animal naturalmente social, jamais imaginou que viveríamos no meio de uma pandemia, justamente isolados daquilo que compõe a natureza humana: a sociabilidade. Não à toa estamos surtando enfurnados dentro de casa, obrigados a conviver com as mesmas pessoas num período de 15 a 20 dias. É pouco tempo para descobrirmos que, de fato, somos aquilo que o filósofo definiu, não?
Cientistas da Universidade do Texas, em Austin, nos Estados Unidos, entre eles uma socióloga (cientista que estuda a sociedade), observaram, em pesquisa entre idosos, que aqueles que passavam mais tempo em interações sociais com grupos diversos de pessoas, além da família, tinham mais propensão às atividades físicas e a um bem-estar emocional. Isso significa levantar do sofá, sair de casa, caminhar, conversar e fazer compras. Coincidentemente o que não podemos fazer, muito menos os idosos, durante essa quarentena compulsória provocada pela pandemia do coronavírus.
Ou seja, estamos na contramão na naturalidade humana ao termos de evitar o convívio social. O trabalho, por exemplo, atividade que acompanha o ser humano desde os primórdios da humanidade, é fonte central de relação e convívio sociais. Para muitos, é o local onde se passa mais tempo. Mais do que na própria casa ou com a própria família. Imagine que há milhões e milhões de pessoas obrigadas a ficar em casa. Assim, as interações sociais se esvaem.
É por isso que tem gente que não está aguentando ficar em casa. Que, de vez em quando, insiste em dar uma saidinha para ir ao mercado ou à farmácia, mesmo que não precise. Ouvi relatos de pacientes mais idosos que marcaram retorno no médico sem precisar de nada apenas para poder sair de casa e ver gente diferente. E você: qual é o tempo máximo que conseguiu ficar de quarentena? Faz quantos dias que não sai de casa. E quanto mais conseguiria ficar sem ver as outras pessoas?
Foto: Pixabay
Fábio Luporini

Sou jornalista formado pela Universidade Norte do Paraná e sociólogo formado pela Universidade Estadual de Londrina (UEL) . Fui repórter, editor e chefe de redação no extinto Jornal de Londrina (JL), atuei como produtor na RPC (afiliada da TV Globo), fundei o também extinto Portal Duo e trabalho como assessor de imprensa e professor de Filosofia, Sociologia, História, Redação e Geopolítica, em Londrina.

