Telma Elorza
O LONDRINENSE
O prefeito atualizou, na noite dessa sexta-feira (27), o número oficial de casos de coronavírus em Londrina. Segundo ele, são seis casos confirmados – o dobro do dia anterior – e outros 54 casos que ainda não tiveram confirmação, porém, pela gravidade do quadro, estão internados. São números até “pequenos” comparados aos que vemos diariamente nos jornais, em todo mundo e até aqui no Brasil. As medidas restritivas decretadas pelo prefeito até aqui ajudaram muito. Mas será que são só esses casos?
O problema é a subnotificação. Para cada caso confirmado pode haver 10-20 outros sem notificação oficial. Ou seja, a situação pode estar bem pior que imaginamos. Por que? Primeiro, porque brasileiro não procura médicos para tratar de “uma gripe” porque, para nós, gripe não é vista como doença. Ele pode estar com o vírus, apresentando um quadro leve, disseminando a doença sem, no entanto, ir em busca de ajuda. Esse, só irá às UBSs se tiver febre alta e dificuldades para respirar. Enquanto isso, quantos ele contaminou?
Segundo porque não há testes para todo mundo. Nem para aqueles que buscam ajuda. Ontem, em coletiva, o secretário municipal de Saúde, Felippe Machado, reconheceu que só foram aplicados 60 testes em todo universo de mais de 500 suspeitos, e só em casos de internação. De acordo com ele, estão seguindo o protocolo do Ministério da Saúde (MS) simplesmente porque não há testes disponíveis. Disse que o MS está adquirindo os kits e que governo do estado e a própria prefeitura também estão comprando. Mas me pergunto: chegarão à tempo?
Quem pede o relaxamento do isolamento não leva nada disso em consideração. “Ah, só seis casos num universo de 600 mil habitantes. Vamos por os velhinhos, os cardiopatas, os hipertensos e os diabéticos numa bolha e vamos trabalhar! A economia não pode parar!”. Porém, são só seis casos que sabemos. E isolar apenas grupos de risco não adianta. Porque, entre os 54 casos internados, 46 são adultos, dos quais 13 estão em Unidade de Terapia Intensiva (UTI), uma delas, uma mulher de 33 anos, sem comorbidades (doenças pré-existentes) que chegou dos Estados Unidos com “uma gripe”. Outros oito pacientes são crianças, sendo que, destas, duas também estão em UTI.
É preciso manter o isolamento de todos. A Organização Mundial da Saúde (OMS), todos os especialistas em infectologia, pneumologia e epidemiologia do mundo estão repetindo constantemente: isolamento social total é o único jeito de achatar a curva da transmissão do vírus, que tem um período de incubação de 14 dias. Até meados de abril é preciso limitar sim a circulação de pessoas.
Vamos fazer nossa parte e ficar em casa? Por mais tentador que seja pensar em comércio aberto e vida normal, esse é único jeito de protegermos a nós e nossa família, vizinhos, amigos e toda a população de Londrina. Não deem ouvidos a quem diz que não há perigo. Há sim, para todos. Não só para os grupos de risco.
Foto: Pixabay


