O local está na terceira geração da mesma família, funcionando basicamente como na década de 1960 e ainda com o mesmo fogão a lenha
Telma Elorza
Equipe O LONDRINENSE
Poucos – pouquíssimos, mesmo – restaurantes em Londrina podem se orgulhar de estar há mais de 50 anos no mesmo lugar, sendo administrado pela mesma família e conservando a maior parte das características originais. Nada de self-service por aqui, muito menos comidas rebuscadas ou diferentes.

No Restaurante Londrinense, ali na Rua Manaus, 54, as coisas ainda são feitas como na década de 1960, no mesmo fogão a lenha e, praticamente, com a mesma variedade de pratos. O carro-chefe continua sendo o arroz, feijão e bife – frito na chapa, com bastante cebola. Há outras variedades de carne, dependendo do dia, mas o trio é campeão e está no cardápio a semana toda.
Hélio Lombardi Júnior que, juntamente com a esposa e a irmã Érica tocam o restaurante, faz parte da terceira geração no mesmo negócio. A mãe, Cleusa, está lá também, coordenando a cozinha. O pai, Hélio, foi o único que se afastou, há três anos. “Ele assumiu o restaurante no final da década de 1970, lá por 77 ou 78. Ficou aqui um bom tempo depois de aposentado, só para ver se a gente ia dar conta. Depois não quis mais, foi curtir a vida”, conta Júnior.
O restaurante foi fundado pelo patriarca João Lombardi, já falecido, em sua própria casa para atender a vizinhança, que englobava o Colégio Londrinense e o Colossinho. “Ele começou a servir refeições em 1963. Mas, vindo do sítio, sem muita informação, só foi se formalizar, constituir empresa, em 1966”, conta o neto. No começo, só homens trabalhavam no local, dos cozinheiros aos garçons. Também abria à noite, para o jantar. “Quando meu pai assumiu, a região já não era a mesma, estava perigoso ficar aberto à noite, não tinha muita coisa por essa região”, explica Júnior.

Hoje, o restaurante é um marco na cidade e vem gente de longe para comer uma comida caseira, simples mas farta e bem feita. “Cerca de 60% dela é preparada no fogão a lenha. Acho que é isso que deixa o gosto que tanto é elogiado”, diz o administrador. Junto com o clima meio rústico, cara de sítio, das mesas embaixo das árvores e sob a varanda, a comida realmente conquista. Eu não perco as terças e quintas-feiras, que tem macarrão ao molho vermelho (desses de deixar a boca vermelha) no cardápio, juntamente com o arroz, feijão, bife e saladas de folha e maionese. Se preferir, é dia de frango frito, como opção ao bife. Geralmente, eu peço para por mais macarrão e menos arroz/feijão (Veja a foto).

E ainda tem um charme à mais: você escolher entre o bandejão – no qual as comidas vem separadas; o sortido – um prato feito bem servido de arroz e feijão mais uma “mistura”, além de um pratinho com a carne do dia, outro com salada e mais um com outro acompanhamento; ou o comercial, onde se come tudo à vontade. No final, ainda tem uma bandeja com docinhos caseiros e um cafezinho delícia. Todos os dias, o local lota. “Às quartas é um pouco mais tranquilo, nunca soubemos porquê. Mas estamos sempre com a casa cheia”, diz Júnior. Segundo ele, tem clientes que vem ao restaurante praticamente todos os dias há mais de 20 anos. “Isso dá uma satisfação enorme. Saber que a pessoa gosta mesmo daqui”, afirma.
O cardápio varia conforme os dias da semana:
- Segunda-feira tem Virado à Paulista (arroz, tutu de feijão, torresmo, couve, ovo, bife acebolado OU pernil de porco e saladas)
- Terça e quinta-feira são dias de Macarronada com frango (arroz, feijão, macarrão ao molho vermelho, bife acebolado OU frango frito, maionese de batata e saladas)
- Quarta-feira tem Carne de Panela ou Feijoada Completa (arroz, feijão, mandioca frita, bife acebolado, farofa e saladas)
- Sexta-feira é o dia em que a segunda carne pode variar. Geralmente é servido Estrogonofe de frango mas hoje, por exemplo, será de filé mignon suíno (mais arroz, feijão, batata frita, farofa, bife acebolado e saladas).
O restaurante funciona de segunda a sexta, das 10h30 às 14 horas. Telefone (43) 3322-4985.

