Os idosos são as vítimas mais graves e mais susceptíveis ao coronavírus. Quase 15 % dos idosos que ficaram doentes por coronavírus, morreram. Foi uma letalidade de 14,8% para idosos de 80 e mais anos e de 8% para idosos entre 70 e 80 anos, no auge da epidemia na China. Já para pacientes com menos de 49 anos, esta letalidade foi de 0,4%.
Ou seja, o coronavírus mata idosos, preferencialmente.
Por isso a Sociedade Brasileira de Geriatria e Gerontologia (SBGG) e todos os médicos e profissionais de saúde pedem veementemente para que os idosos NÃO SAIAM DE CASA!
Todo e qualquer idoso maior de 60 anos, principalmente aqueles que já têm uma doença crônica adjacente como hipertensão arterial, diabetes, doenças do coração, pulmão ou rins, doenças neurológicas, em tratamento para câncer, portadores de imunossupressão entre outras, e aqueles com mais de 80 anos e portadores de síndrome de fragilidade, se saírem para rua ou encontros de grupos, reuniões ou festas mesmo em casa, serão facilmente atacados pelo coronavírus e vão desenvolver a forma grave da doença. Não tem meia conversa. Isto é fato.
Estes idosos devem evitar aglomerações ou viagens, o contato com pessoas que retornaram recentemente de viagens internacionais e contatos íntimos com crianças. O atendimento às pessoas idosas deve ser preferencialmente em domicílio evitando-se a exposição coletiva em serviços de saúde.
Na Itália, 60% de todos os casos de Covid-19, doença causada pelo coronavírus, foram em idosos. Especialistas relacionam esse dado com a alta mortalidade geral registrada nos italianos. A letalidade da Itália por causa do coronavírus é de 7%, o dobro da média mundial segundo a OMS (Organização Mundial da Saúde), que é de 3,74%.
O Ministério da Saúde italiano divulgou novas estatísticas envolvendo a COVID 19 no país. Os dados referem-se até 17 de março último. A idade média dos mortos do sexo masculino é de 79,5 anos. Para as mulheres 83,7 anos. Sendo que, apenas 30% das vítimas são mulheres.
Idosos que vivem em instituições de longa permanência (ILPIs) representam grupo de alto risco para complicações pelo vírus, uma vez que tendem a ser mais frágeis. Para estes, deve-se evitar visitas para reduzir o risco de transmissão, evitar sair da instituição, evitar atividades em grupo e redobrar os cuidados com a higiene. Os profissionais de saúde que atendem a este público devem ter excesso de cuidado nas medidas de higiene.
É preciso procurar ajuda médica caso surjam os seguintes sintomas: Febre, tosse, falta de ar, alteração da sensação de cansaço para os esforços de rotina, confusão mental (especialmente em idosos).
Para se ter uma ideia de como a letalidade (percentual de mortos por pessoas que ficaram doentes), veja a tabela abaixo, referente ao período de pico na China:
| Idade | Casos | Mortes | Mortes por casos |
| mais de 80 anos | 1408 | 208 | 14,80% |
| 70 a 79 anos | 3918 | 312 | 8,00% |
| 60 a 69 anos | 8583 | 309 | 3,60% |
| 50 a 59 anos | 10008 | 130 | 1,30% |
| 40 a 49 anos | 8571 | 38 | 0,40% |
| 30 a 39 anos | 7600 | 18 | 0,20% |
| 20 a 29 anos | 3619 | 7 | 0,20% |
| 10 a 19 anos | 549 | 1 | 0,20% |
| 0 a 9 anos | 416 | 0 | 0% |
Foto: Pixabay
Gilberto Martin

Médico, mestre em Saúde Coletiva e especialização em Saúde Pública, fui secretário de saúde do Estado do Paraná, do município de Cambé e do município de Londrina. Também fui prefeito de Cambé e deputado estadual pela região. Militou no Movimento estudantil da década de 70 no Poeira e foi da primeira diretoria da UNE. Sempre trabalhei na saúde pública, atualmente como médico do ambulatório da Rede de Atenção à Saúde Integral do Idoso no CISMEPAR e na 17ª. Regional de Saúde. Defendo e luto pelo SUS. Dou aulas de Geriatria e de Gestão em Saúde na PUCPR, Londrina. Coordenador da ALUMNI – Associação de ex-alunos da UEL, gosto de correr nas ruas (pelo menos três vezes por semana), de fazer trilhas por campos e morros, de cinema e literatura. Sonho com um Brasil mais justo e menos desigual.

