Uma simples ida à loja da operadora de telefonia me deixou com essa certeza
Telma Elorza
O LONDRINENSE
Eu tive que sair de casa. Perdi meu celular e precisava comprar um novo chip para o aparelho emprestado que consegui. Foi a primeira vez em quatros dias que coloquei meu narizinho para fora de casa para um percurso e período maior que ir ao supermercado e voltar. Hipertensa, estou no grupo de risco do coronavírus. Não quero dar chance.
Sai por volta das 10 horas, imaginando que talvez o Royal Plaza Shopping estaria aberto. Não estava, passou a abrir das 11 às 19 horas. Como a necessidade chip era muita – quem faz home office como eu, precisa de whatsapp -, decidi ir na loja da operadora no Calçadão. Fui devagar, observando tudo com olhos de quem está carente de passeios. Mas o que vi me deixou com pressa de voltar para casa.
Há menos movimento no Calçadão? Há. Mas, ainda assim, considerei uma multidão quando se pensa no risco de transmissão do Coronavírus. Muita gente passeando – com filhos e tudo – como se fosse um dia de folga normal. Se aglomerando nas portas dos shoppings e bancos, esperando abrir. Vendedores ambulantes em seus postos e gente parando para escolher frutas, verduras ou qualquer outra traquitana que estavam vendendo.
A loja da operadora quase cheia. Perguntei sobre álcool gel, já que teria que passar o cartão de débito e a caixa informou que estava em falta. A surpresa maior foi quando a moça PEGOU O CARTÃO da minha mão para passar na máquina. Fiquei tão estarrecida que não tive reação. Ainda tive que digitar a senha numa máquina sem ser desinfectada.
Entrei numa outra loja, só para confirmar: nenhum vendedor com álcool para oferecer aos clientes que manipulavam os objetos sem nenhum pudor.
Voltei quase correndo para o shopping, lavei bem as mãos, comprei comida para viagem (e nada de álcool gel em lugar nenhum), me recusei a encostar no corrimão da escada rolante e vim embora.
Primeira coisa que fiz: lavar as mãos, desinfetar meu cartão e por minhas roupas para lavar. De casa só saio de novo para o supermercado, daqui a dois ou três dias. Pior, com a certeza que o Brasil ainda tem muita sorte de não ter mais casos de Covid-19. Porque o brasileiro não está nem aí para a paçoca.
Foto: Wilson Grandi

